Japaratinga
Réveillon Mil Sorrisos em Japaratinga, Alagoas (Divulgação/Grupo Onda)

Com pouco mais de 8 mil habitantes, Japaratinga, no litoral de Alagoas, vive um processo acelerado de transformação provocado pelo crescimento do turismo. Durante o período de Réveillon, cerca de 4.500 turistas chegam à cidade para participar do Réveillon Mil Sorrisos, criando um fluxo de visitantes equivalente a mais da metade da população local e movimentando hotéis, pousadas, restaurantes, transportes, comércio e prestadores de serviços.

O evento se tornou um dos exemplos desse processo de expansão. Para Renan Coelho, CEO do Grupo Fábrica e um dos idealizadores do Mil Sorrisos, a escolha de Japaratinga foi justamente uma aposta no potencial de desenvolvimento da região, próxima a Maragogi e inserida em uma das áreas de maior crescimento turístico do Nordeste.

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Renan Coelho, CEO do Grupo Fábrica e um dos idealizadores do Mil Sorrisos (Divulgação/Grupo Fábrica)

“A escolha de Japaratinga veio justamente dessa confiança no potencial de desenvolvimento da região, algo que já vem acontecendo. A Japaratinga de cinco anos atrás, quando chegamos ao local, é completamente diferente da Japaratinga de hoje”, afirma.

A chegada de milhares de visitantes durante a virada tem reflexos diretos na economia. Segundo Coelho, o aumento da demanda alcança toda a cadeia turística, da hotelaria à gastronomia, passando por transporte, comércio e mercado imobiliário.

“Quando o Réveillon chega a uma região, automaticamente há um aumento na procura por hospedagens, nas diárias e nos voos. Os hotéis e restaurantes ficam mais movimentados e novos empregos são gerados”, explica.

De acordo com o empresário, somente o projeto do Mil Sorrisos gera aproximadamente 2 mil empregos diretos, sem contar os postos e negócios movimentados indiretamente pelo fluxo de visitantes. O impacto também pode se prolongar para além do evento, já que parte dos turistas passa a conhecer o destino e, posteriormente, retorna ou demonstra interesse em investir na região.

“Muitas pessoas que conhecem o destino por meio do Réveillon acabam se interessando também em investir por ali. É uma região muito aquecida e que vem passando por um importante processo de crescimento”, acrescenta.

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Grande evento em Japaratinga (Divulgação/Guilherme Breder @bsfotografias)

Evento como parte do desenvolvimento

O crescimento, no entanto, impõe desafios para uma cidade de pequeno porte. A realização de um evento desse tamanho exige articulação entre organizadores, poder público, comunidade e toda a estrutura turística local.

Coelho destaca que a relação com o município é parte fundamental da operação e defende que eventos desse porte precisam estar conectados à comunidade.

“Enxergo o Réveillon como um acelerador do desenvolvimento econômico em 360 graus”, afirma.

O empresário faz, porém, uma ressalva: o Mil Sorrisos não seria responsável pelo desenvolvimento de Japaratinga, mas um elemento capaz de acelerar um processo que já estava em curso.

“Eu não diria que o Mil Sorrisos foi o responsável pelo desenvolvimento de Japaratinga. Ela já era uma região em crescimento, e não à toa chamou a nossa atenção e nos levou até lá. O que posso dizer, com muita convicção, é que o Mil Sorrisos ajudou a acelerar esse desenvolvimento”, ressalta.

A intenção do grupo é continuar acompanhando essa transformação. O evento caminha para sua quinta edição em Japaratinga, depois de seis anos de operação anterior na Bahia.

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Diogo Duílio, sócio do Grupo Onda (Divulgação/Grupo Onda)

Réveillon integrado ao destino

É justamente nesse contexto que entra a estratégia do Grupo Onda, responsável pela produção do evento ao lado do Grupo Fábrica, NaSala, 2Liv e Badaladinha. Segundo o sócio Diogo Duílio, a atuação envolve planejamento, operação e execução, integrando as diferentes áreas e parceiros.

“O Grupo Onda é responsável pela produção do Réveillon Mil Sorrisos, junto ao Grupo Fábrica, NaSala, 2Liv e Badaladinha, atuando no planejamento, na operação e na execução do evento”, afirma.

A proposta é fazer com que o visitante não fique restrito às festas noturnas. A programação é pensada para integrar o evento ao próprio destino, com praias, natureza, gastronomia e experiências durante o dia.

“O Réveillon Mil Sorrisos vai muito além da programação musical: é uma experiência completa, que permite aos convidados aproveitar tudo o que Japaratinga tem a oferecer”, destaca Duílio.

A estratégia também ajuda a distribuir o movimento turístico ao longo do dia e a conectar o público do evento à economia local. “O grande diferencial está justamente nessa combinação entre destino e celebração: dias de descanso e diversão em um dos lugares mais encantadores do litoral alagoano, acompanhados de uma programação preparada para tornar a virada do ano inesquecível”, explica.

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Réveillon Mil Sorrisos vai muito além da programação musical: é uma experiência completa (Divulgação/Guilherme Breder @bsfotografias)

ALMAR amplia movimento no verão

Uma das novidades dessa estratégia é o ALMAR, novo bar de praia criado pelos mesmos sócios do Réveillon. O espaço será inaugurado no fim do ano e terá operação durante o alto verão, não ficando limitado à semana da virada.

A proposta reúne praia, gastronomia, esportes e entretenimento, com funcionamento durante o dia e participação na experiência dos convidados do Mil Sorrisos.

“O ALMAR surge justamente dessa proposta: oferecer à região um bar de praia realmente completo, reunindo todas essas atividades”, explica Renan Coelho.

Para além da festa, a iniciativa amplia a presença dos grupos empresariais no destino e cria uma nova operação turística durante o verão. O projeto reúne Grupo Fábrica, Grupo Onda, Badaladinha Produtora, NaSala e 2Liv.

O movimento reforça uma mudança na relação entre grandes eventos e destinos turísticos: em vez de concentrar os efeitos econômicos em poucos dias, a estratégia passa a criar operações e experiências capazes de manter parte desse fluxo ao longo da temporada.

“Ainda não podemos revelar todos os detalhes, mas podemos adiantar que cada experiência está sendo pensada para surpreender o público e proporcionar momentos marcantes do início ao fim”, afirma Diogo Duílio.

Em Japaratinga, o desafio passa a ser acompanhar esse crescimento sem perder a identidade de um destino que, há poucos anos, tinha uma escala turística muito menor. E o Réveillon Mil Sorrisos funciona como um retrato desse novo momento: milhares de visitantes chegam de uma só vez, enquanto hotelaria, gastronomia, serviços, empregos e novos negócios acompanham a transformação.