Aviação
O desafio é ampliar essa capacidade da aviação sem que aeroportos, frotas e estruturas de fronteira precisem crescer na mesma proporção (Freepik)

A aviação mundial se prepara para um forte crescimento da demanda nas próximas décadas. Projeções da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) indicam que o setor poderá chegar a 10 bilhões de passageiros por ano até 2050. O desafio é ampliar essa capacidade sem que aeroportos, frotas e estruturas de fronteira precisem crescer na mesma proporção.

Nesse cenário, dados, inteligência artificial e biometria aparecem como ferramentas para tornar os processos da aviação mais rápidos e previsíveis. Relatórios recentes da SITA, empresa de tecnologia para companhias aéreas e aeroportos, mostram avanços nessa direção.

O SITA 2025 Passenger IT Insights registra, por exemplo, operações de desembarque em Aruba concluídas em cerca de oito segundos. Já o Baggage IT Insights 2026 aponta uma queda de 23% nos casos de bagagem extraviada no mundo. Na América do Sul, o custo relacionado a malas extraviadas está abaixo da média global.

Dados para antecipar problemas

Para Pedro Alves, vice-presidente sênior da SITA, o crescimento do transporte aéreo não poderá depender apenas da construção de infraestrutura. “A indústria não vai conseguir chegar a 10 bilhões de passageiros só construindo mais infraestrutura. Ela precisa antecipar a demanda e se adaptar em tempo real”.

Segundo o executivo, companhias aéreas, aeroportos e órgãos de fronteira já possuem grande volume de informações. O próximo passo é integrar esses dados para antecipar situações e simplificar a experiência do passageiro.

O Brasil, que registrou 54,9 milhões de passageiros nos cinco primeiros meses de 2026, também terá de lidar com esse desafio. Para Alves, a dimensão territorial do país é, ao mesmo tempo, uma vantagem e uma fonte de complexidade, diante das grandes distâncias, da conectividade regional desigual e da necessidade de expansão dos aeroportos em diferentes mercados.

IA também chega às bagagens

A inteligência artificial deve ter papel crescente na gestão de bagagens. Segundo a SITA, três em cada quatro companhias aéreas planejam investir em IA para esse segmento nos próximos dois anos.

A tecnologia poderá avançar do simples rastreamento para a previsão de problemas, identificando malas com risco de perder conexões e permitindo que as equipes atuem antes que o incidente aconteça. “O próximo ganho vai ser identificar quando uma mala está em risco e agir antes que ela perca a conexão”, afirma Alves.

Brasil prepara política de biometria na aviação

Outro movimento em curso é a adoção mais ampla da biometria na aviação. No Brasil, o Ministério de Portos e Aeroportos, com apoio do Serpro e da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), trabalha na construção da Política Nacional de Identificação Biométrica para aeroportos.

A proposta acompanha uma tendência internacional de utilizar a identificação biométrica para reduzir etapas da jornada. A lógica é confirmar a identidade do passageiro uma única vez e permitir que essa informação seja utilizada de forma integrada nos diferentes pontos do aeroporto.

“A ideia comum é simples: confirmar quem é o viajante uma única vez e deixar que essa identidade confiável sustente o restante da jornada.”

Privacidade será parte do processo

Para Alves, o principal desafio da biometria não está na capacidade tecnológica de reconhecer o passageiro, mas na construção de confiança. “A parte mais difícil raramente é reconhecer um rosto. É conquistar confiança.”

O executivo defende que passageiros tenham informações claras sobre o uso dos dados e que as responsabilidades das organizações envolvidas sejam bem definidas. A proteção da privacidade, segundo ele, deve ser considerada desde o desenho da jornada, e não apenas depois da implementação.

Com a expansão da demanda prevista para as próximas décadas, a tecnologia passa a ser tratada como parte da capacidade operacional da aviação. A combinação de dados, IA e biometria tende a permitir que aeroportos e companhias processem mais passageiros usando de forma mais eficiente a infraestrutura já existente.

Com informações do Exame.