
O viajante brasileiro é o que mais reserva passeios, atividades e atrações na América Latina, segundo o estudo The Latin American Experiences Traveler, encomendado pela Civitatis e realizado pela Arival e pela Phocuswright. A pesquisa ouviu 1.200 viajantes de lazer do Brasil, Argentina e México e foi apresentada em webinar internacional em 14 de setembro.
Na última viagem, cada brasileiro reservou, em média, 4,4 atrações, 4,4 atividades e 3,1 passeios guiados, o maior volume entre os três mercados pesquisados. O levantamento também aponta que o brasileiro viaja com maior frequência, permanece mais tempo no destino e apresenta o maior gasto médio por viagem.
Os principais resultados, cruzados com dados da Civitatis e informações de fontes como WTTC, ONU Turismo e McKinsey, estão reunidos em um whitepaper em português, de acesso livre.

Brasil se destaca em frequência e duração das viagens
Quase 30% dos brasileiros entrevistados fazem quatro ou mais viagens de lazer por ano, contra 21% dos argentinos e 19% dos mexicanos. A viagem média do brasileiro dura oito noites, com gasto de US$ 2.699 por pessoa, também o maior entre os três mercados.
O tíquete médio por experiência, porém, é maior no México: US$ 92 por passeio, US$ 105 por atividade e US$ 116 por atração. No Brasil, os valores são de US$ 73, US$ 74 e US$ 80, respectivamente.
“O dado que mais chama atenção não é o volume em si, mas o que ele revela sobre a forma como o brasileiro planeja. Ele viaja mais vezes, fica mais dias e chega ao destino com um roteiro montado”, afirma Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis no Brasil.
Segundo o executivo, isso altera a estratégia de destinos e operadores, já que parte significativa da decisão sobre o que fazer é tomada antes do embarque.
Experiências ganham espaço na decisão
Seis em cada dez viajantes latino-americanos consideram as experiências muito ou extremamente importantes na escolha do destino. Mais de 60% do tempo no destino é dedicado a elas, contra 34% em hotéis e 6% em voos.
A participação também é elevada: 96% visitaram ao menos uma atração, 87% fizeram um passeio guiado e 77% participaram de alguma atividade turística.
Atrações tendem a ser planejadas com maior antecedência: 39% das visitas são decididas um mês ou mais antes da viagem. Já os passeios guiados têm maior componente de última hora: 20% são planejados com um mês ou mais de antecedência, enquanto cerca de um terço é reservado na semana anterior e outro terço no próprio dia.

IA ajuda na descoberta, mas confiança define a compra
A inteligência artificial já entrou no planejamento de viagens. Sete em cada dez latino-americanos afirmam ter usado alguma ferramenta de IA para planejar uma viagem. Entre os viajantes de 18 a 34 anos, o índice chega a 80%.
Entre as ferramentas mais utilizadas aparecem ChatGPT (43%), Google Gemini (35%), Google AI Overviews (23%) e ferramentas de IA integradas a sites de viagem (22%).
Apesar da adoção, a conversão em reservas ainda é baixa: apenas 12% utilizaram IA para reservar experiências e 22% para reservar voos ou hotéis.
Na hora de escolher o que fazer, prevalecem fontes consideradas mais confiáveis pelos viajantes: amigos e familiares (77%), avaliações de outros viajantes (67%) e agentes de viagens (58%). Sugestões geradas por IA aparecem com 42%.
No Brasil, 93% consideram as avaliações de outros viajantes decisivas na reserva, segundo o estudo.
“A inteligência artificial resolveu a parte da inspiração, mas não resolveu a parte da confiança. O viajante pergunta ao ChatGPT o que fazer em Lisboa e, depois, vai procurar avaliações reais, descrição clara do que está incluído e atendimento no próprio idioma antes de finalizar a compra”, avalia Alexandre Oliveira.

Produtos tradicionais ainda dominam
City tours, sítios culturais e marcos históricos lideram a procura nos três mercados, seguidos por experiências gastronômicas e excursões ao ar livre, especialmente no Brasil e no México.
Entre os viajantes de 18 a 34 anos cresce a participação em festivais, eventos esportivos e experiências com anfitriões locais, mas sem substituir os produtos tradicionais.
O estudo também identifica forte presença das viagens em família. 45% dos latino-americanos viajaram com crianças na última viagem, enquanto 19% fizeram viagens com família estendida. A viagem solo foi registrada por apenas 9% dos entrevistados.
Para os viajantes dispostos a pagar mais, acesso prioritário e alimentação e bebidas premium aparecem entre os principais diferenciais valorizados. Já produtos como souvenires apresentam menor interesse.
Mercado latino-americano em expansão
O estudo relaciona o avanço do mercado de experiências à expansão da classe média latino-americana, que passou de 33% da população em 2021 para 41%. Segundo dados citados no levantamento, o turismo representa cerca de 10% do PIB regional, equivalente a US$ 714 bilhões, e sustenta 28,2 milhões de empregos.
Dados da própria Civitatis indicam que a frequência de viagens dos latino-americanos cresceu 32,53% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
O levantamento conclui com recomendações para destinos, operadores e revendedores, entre elas investir nos produtos tradicionais, desenvolver experiências de nicho, adaptar estratégias aos diferentes mercados, priorizar públicos mais jovens, criar produtos para famílias, competir por valor percebido, fortalecer a presença digital, otimizar a descoberta por IA e construir confiança por meio de avaliações, reputação e recomendações.
Mais informações em www.civitatis.com/br/.







