O ex-CEO da Disney Bob Chapek rompeu o silêncio sobre sua saída da companhia e acusa seu antecessor, Bob Iger, de ter desempenhado um papel deliberado em sua queda. As alegações estão no livro Behind the Castle Walls: My Thirty Years at the Happiest Place on Earth, no qual Chapek também defende as estratégias comerciais adotadas durante sua passagem pela liderança da empresa.

Chapek afirma que não teve responsabilidade pelos motivos que levaram à sua demissão e diz que sua saída prejudicou sua reputação. “O que fiz de errado? A resposta, novamente, é nada”, escreve o executivo, segundo o conteúdo divulgado sobre a obra. Ele também demonstra frustração com o encerramento antecipado de sua gestão: “Não tive a chance de terminar o que comecei. Na verdade, isso me irrita”.

Acusações contra Iger

Segundo Chapek, a relação com Iger esteve longe de ser uma transição tranquila. O ex-CEO afirma que Iger, que permaneceu como chairman executivo após sua nomeação para o comando da Disney em fevereiro de 2020, teria mantido influência sobre decisões e executivos da companhia, dificultando sua autonomia.

No livro, Chapek acusa Iger de ter exercido um papel “intencional e preconcebido” para encerrar sua passagem como CEO. Ele afirma ainda que o executivo teria feito críticas privadas a seu trabalho junto a integrantes de Hollywood e pessoas dentro da própria Disney, colocando em dúvida suas decisões, especialmente aquelas relacionadas aos lançamentos de filmes durante a pandemia.

Chapek também relata episódios que, em sua avaliação, demonstrariam a interferência de Iger. Entre eles está a coordenação do fechamento dos parques da Disney na Califórnia diretamente com o então governador Gavin Newsom, sem sua participação, além de comunicações enviadas a executivos para reforçar que os chefes das divisões ainda se reportavam a Iger.

Pandemia e saída de Iger

Outro ponto controverso das memórias envolve a saída de Iger do cargo de CEO, em fevereiro de 2020, poucas semanas antes de a pandemia de Covid-19 provocar o fechamento de parques e uma forte interrupção das operações da Disney.

Na época, Iger afirmou que deixava o cargo para concentrar esforços na área criativa da companhia. Chapek, porém, apresenta outra hipótese no livro. Segundo ele, pessoas de alto escalão dos setores público e privado teriam dito que, na avaliação delas, Iger teria antecipado a chegada da Covid-19.

A afirmação, contudo, não é acompanhada por evidências concretas apresentadas por Chapek. A Disney já negou que a pandemia tenha relação com a decisão de Iger de deixar o posto de CEO. A alegação, portanto, aparece no livro como uma interpretação atribuída por Chapek a fontes que ele não identifica.

Defesa da estratégia de preços dos parques da Disney

Além das críticas a Iger, Chapek utiliza o livro para defender uma das estratégias que mais geraram controvérsia durante sua gestão: a adoção de mecanismos de preços dinâmicos nos parques da Disney.

O executivo argumenta que os aumentos de preços eram necessários para administrar a demanda, reduzir a superlotação e melhorar a experiência dos visitantes. Na visão de Chapek, a Disney deixava oportunidades de geração de receita de lado para evitar reações negativas dos consumidores.

Ele cita ainda o desempenho da divisão de parques durante o período em que foi seu chairman, quando, segundo o próprio executivo, o lucro apresentou crescimento composto anual de 18%, como argumento a favor de sua estratégia comercial.

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Chapek também reivindica participação na ascensão de Josh D’Amaro, afirmando que ajudou a colocá-lo em evidência dentro da estrutura corporativa da Disney. D’Amaro assumiu o cargo de CEO da companhia em março de 2026.

Disputa revisitada

A publicação de Behind the Castle Walls recoloca no centro das atenções uma das transições mais turbulentas da história recente da Disney. Chapek assumiu a companhia em 2020, em meio ao início da pandemia, e deixou o cargo em novembro de 2022, quando Iger retornou à posição de CEO.

Agora, em suas memórias, Chapek apresenta uma versão própria dos acontecimentos e rejeita a narrativa de que sua gestão foi a principal responsável pelos problemas que levaram à sua saída. Ao mesmo tempo, direciona parte significativa da responsabilidade a Iger e defende decisões comerciais que foram alvo de críticas durante seu mandato.

O livro chega em um momento de nova transição na Disney. D’Amaro assumiu o comando da companhia em março de 2026, enquanto Iger permanece como conselheiro sênior e integrante do conselho de administração, com aposentadoria prevista para o fim deste ano. As memórias de Chapek, portanto, reabrem uma disputa que ainda faz parte da história recente da maior companhia de entretenimento do mundo.

Com informações de Inside The Magic.