JFL
Renato Prando, Gerente de Marketing, e Lucas Cardozo, COO da JFL

A expansão do turismo corporativo e a busca por soluções de hospedagem para períodos mais longos vêm abrindo espaço para modelos que ficam entre a hotelaria tradicional e o aluguel residencial. É neste segmento que atua a JFL, empresa especializada em moradia temporária que combina apartamentos mobiliados, serviços e estrutura de hospitalidade para atender diferentes perfis de hóspedes em São Paulo.

Segundo Renato Prando, gerente de Marketing da JFL, cerca de 50% da ocupação da empresa hoje é formada pelo público corporativo. São executivos enviados por empresas para passar períodos na capital paulista, além de profissionais que precisam de uma base na cidade por projetos, mudanças ou outros compromissos profissionais.

“É um público corporativo muito forte. São empresas arcando com os apartamentos dos seus executivos”, explica Prando. Dentro dessa estratégia, a JFL também vem ampliando o relacionamento com empresas e com o mercado de viagens corporativas. O executivo cita, entre os parceiros com os quais a empresa vem fortalecendo relações, agências como a Copastur.

A estratégia inclui um time dedicado à frente corporativa, que trabalha diretamente na prospecção e no relacionamento com empresas, travel managers, áreas de compras e RH. A proposta é fazer com que a JFL esteja no radar de quem decide a hospedagem de profissionais que chegam a São Paulo.

Entre hotel e aluguel residencial

O conceito da JFL está justamente na combinação de características de diferentes modelos de hospedagem. Os apartamentos são mobiliados e contam com cozinha e estrutura residencial, enquanto o empreendimento oferece serviços como café da manhã, arrumação diária, manutenção, internet de alta velocidade, lavanderia e outras facilidades.

“Costumamos dizer que a JFL é esse híbrido entre um hotel e o aluguel tradicional. A gente está um pouco nesse meio do caminho”, resume Prando.

A empresa trabalha com diferentes formatos de permanência. Para períodos de até 90 dias, há uma modalidade específica de contratação, enquanto estadias superiores seguem um modelo de aluguel tradicional, também com possibilidades de negociação para saída antecipada.

Outro diferencial está no tamanho das unidades. Embora existam estúdios, os empreendimentos também contam com apartamentos maiores, que podem ser utilizados por famílias ou grupos que precisam permanecer na cidade por meses. Em alguns casos, as unidades chegam a centenas de metros quadrados.

A estrutura também busca reproduzir uma experiência de moradia, com áreas comuns e espaços de convivência. Para a JFL, esse aspecto ajuda a criar uma experiência diferente daquela encontrada em um hotel convencional e pode inclusive favorecer a criação de redes sociais e profissionais entre os moradores.

Turismo médico entra no radar

Entre os públicos atendidos pela empresa está também o de pessoas que chegam a São Paulo para tratamentos médicos. Prando cita casos de pacientes e familiares que permanecem na cidade durante o período de tratamento e precisam de uma estrutura residencial por semanas ou meses.

Dentro desse segmento, há ainda um nicho formado por famílias e casais que chegam à capital paulista para ter filhos. A possibilidade de permanecer em apartamentos maiores e contar com serviços durante a estadia torna o modelo uma alternativa para quem não busca apenas alguns dias de hospedagem.

O conceito também atende situações em que a permanência temporária é provocada por uma mudança na rotina. Um exemplo são moradores que precisam deixar suas casas durante reformas e procuram uma solução por vários meses, levando inclusive familiares para o período.

Estudantes e expatriados

Os estudantes também fazem parte da demanda da JFL. O modelo permite que o imóvel deixe de ser apenas uma residência temporária e passe a funcionar como uma espécie de base para a família durante a permanência em São Paulo.

“Às vezes a família vem passar o final de semana, passar um feriado, e acaba ficando”, relata o gerente. Segundo ele, há casos em que os apartamentos acabam funcionando como um hub familiar, especialmente quando o estudante permanece por períodos mais longos.

Os expatriados representam outro público importante, principalmente por terem estadias mais prolongadas e, em alguns casos, retornarem posteriormente à cidade.

A empresa também recebe uma parcela relevante de hóspedes internacionais. Prando destaca especialmente o crescimento do público chinês, que ganhou espaço na operação da JFL. Em um dos empreendimentos, a empresa chegou a adaptar parte da oferta de alimentação, incluindo itens como chá verde e dumplings, para atender aos hábitos desse público.

Uma solução para quem precisa ficar mais tempo

Para Prando, o principal diferencial da JFL está justamente na possibilidade de oferecer uma experiência residencial sem abrir mão dos serviços de hospitalidade. A empresa é proprietária dos apartamentos e dos edifícios que administra, o que, segundo o executivo, permite maior controle sobre a experiência do hóspede. Caso um eletrodoméstico apresente problema, por exemplo, a equipe de manutenção pode atuar diretamente na unidade.

Esse modelo diferencia a JFL de plataformas que administram apartamentos de diferentes proprietários dentro de um mesmo edifício. A escala da operação, afirma Prando, permite concentrar serviços e manutenção em uma mesma estrutura.

A proposta está inserida no conceito de multifamily, segmento já consolidado em mercados como o norte-americano e que começa a ganhar espaço no Brasil. Em vez de o morador alugar uma unidade de uma pessoa física, a operação é concentrada em uma empresa que detém e administra o empreendimento.

De olho no mercado corporativo

Embora o negócio tenha forte ligação com hospitalidade, Prando ressalta que o turismo, isoladamente, não é o foco da JFL. A operação depende principalmente de mercados com atividade econômica aquecida e de cidades que concentram empresas e profissionais em circulação.

Por isso, além de São Paulo, Brasília aparece como um mercado com potencial, especialmente pelo perfil de profissionais que chegam à capital federal sem necessariamente residirem na cidade.

Na capital paulista, porém, o mercado corporativo continua sendo um dos principais motores da operação. A aproximação com empresas e com o segmento de viagens corporativas faz parte desse movimento, incluindo o relacionamento com agências que atuam na gestão das viagens de executivos.

Com o avanço desse modelo, a JFL busca ocupar um espaço cada vez mais específico dentro da cadeia de hospitalidade: o de oferecer uma solução para quem não precisa apenas de um quarto de hotel, mas também não quer assumir as responsabilidades de um aluguel residencial convencional.