Segunda-feira concentra mais que o dobro das viagens corporativas, aponta Voll
Luiz Moura, cofundador da Voll e conselheiro de turismo da FecomercioSP (Divulgação/Voll)

A segunda-feira é o principal dia de embarque para quem viaja a trabalho no Brasil. Levantamento realizado pela Voll, agência de gestão de viagens e despesas corporativas, com dados de mais de 850 mil usuários, mostra que o volume de emissões de passagens aéreas nacionais nesse dia é mais que o dobro do registrado em qualquer dia do fim de semana.

A concentração é ainda maior no período da manhã. Entre 9h e 12h está a faixa de maior movimento dos voos corporativos no país, com pico às 11h. Também é nesse intervalo que aparecem os preços mais altos da semana: um embarque na segunda-feira pela manhã custa, em média, 59,4% mais do que uma passagem para voos entre terça e sexta-feira, no mesmo período do dia.

A análise considera mais de 50 mil passagens compradas para voos às segundas-feiras pela manhã nos últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026.

“A gente enxerga aqui o próprio ritmo da vida corporativa brasileira. Segunda de manhã é quando o país inteiro embarca, porque ninguém quer perder o começo da semana em trânsito. Esse tipo de padrão muda completamente a forma como uma empresa deveria negociar tarifas e antecipar orçamento”, afirma Luiz Moura, cofundador e diretor de negócios da Voll.

Além dos voos, o levantamento identificou padrões no comportamento de pagamento dos viajantes corporativos. O Pix responde por 64,6% do número de transações realizadas com cartão pré-pago corporativo e por 65,6% do valor movimentado. O cartão de crédito representa 35,4% das operações e 34,4% dos valores.

Os horários dos pagamentos também acompanham a rotina de quem está em viagem. Entre 12h e 13h, período associado ao almoço, são concentrados 22% dos pagamentos. Já a faixa entre 18h e 22h responde por quase 38% das transações. Somados, os dois intervalos representam cerca de 60% de todo o gasto registrado no cartão. Restaurantes aparecem como os estabelecimentos mais frequentados, seguidos pelos postos de combustível.

“O Pix virou o método natural de pagamento corporativo no Brasil antes mesmo de muita gente perceber. Isso diz muito sobre como o mercado brasileiro pula etapas que outros países ainda cumprem com cartão físico. A gente não teve que convencer o viajante a usar Pix, ele simplesmente usou, porque já é assim que paga a própria vida”, diz Moura.

Distâncias dentro das próprias cidades também pesam

O estudo também aponta diferenças expressivas nos custos de deslocamento entre aeroportos que atendem uma mesma cidade ou região. Corridas por aplicativo partindo de aeroportos mais próximos das áreas centrais, como Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio de Janeiro, apresentam custo médio inferior ao registrado em terminais mais afastados, como Guarulhos, em São Paulo, e Confins, em Minas Gerais.

Na comparação entre a média de custo dos dois aeroportos centrais e a dos dois mais distantes, a diferença chega a 162%. Outro ponto identificado pela Voll é o comportamento de planejamento das diferentes etapas da viagem. As passagens aéreas são reservadas com aproximadamente o dobro de antecedência das diárias de hotel. Já o transporte rodoviário e a locação de veículos apresentam os menores intervalos entre a reserva e a realização da viagem, em um comportamento associado a deslocamentos mais curtos e decisões tomadas com menor antecedência.

Feriados reduzem viagens, mas elevam tarifas

As semanas com feriados nacionais também apresentam um comportamento diferente no calendário corporativo. O volume de viagens cai para uma fração do registrado em um dia útil equivalente, mas quem precisa viajar nessas datas encontra tarifas mais altas.

De acordo com o levantamento, a passagem aérea pode custar entre 8% e 29% mais em semanas de feriado nacional. O cenário combina, portanto, uma redução significativa na quantidade de deslocamentos com aumento no preço médio pago pelos viajantes que mantêm compromissos profissionais nesses períodos.

“Cada um desses números podem até parecer pequeno isoladamente, mas juntos formam o mapa de como o Brasil corporativo realmente se move. É esse tipo de dado que separa uma gestão de viagens que reage ao imprevisto de uma que já sabia que ele viria. Para ter esse mapeamento, as empresas têm adotado soluções tecnológicas para trabalhar com planejamento estratégico contínuo e previsibilidade eficaz”, conclui Moura.