Temporada 2026/27 ganha força, e biometria nos portos avança como prioridade, diz Clia
Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil

SÃO PAULO – A temporada 2026/27 de cruzeiros deve consolidar o crescimento do mercado brasileiro, com aumento no número de passageiros, escalas e oferta de navios. Durante o primeiro dia da Abav Expo 2026, Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil, destacou também a evolução da biometria nos portos como uma das principais prioridades do setor para os próximos anos.

Segundo Ferraz, a capacidade de passageiros da temporada deve saltar de cerca de 670 mil para 800 mil, enquanto três companhias juntas realizarão mais de 700 escalas de cabotagem. Ao todo, 84 navios estarão na América do Sul, sendo 37 com passagem pelo Brasil. Em termos de oferta de leitos, o País concentra cerca de 70% da capacidade da região.

Santos aparece novamente como principal destaque, com previsão recorde de 161 escalas. Rio de Janeiro e Ilhabela também ultrapassam a marca de 100 escalas. Itajaí, Balneário Camboriú, Maceió, Salvador, Porto Belo e Cabo Frio completam o mapa de destinos que ganham espaço ou retomam operações na temporada.

Balneário Camboriú terá ainda uma novidade: será o primeiro porto do mundo a realizar embarque por tender com bagagens, segundo Ferraz. A operação utilizará biometria para identificar o passageiro e permitir que a bagagem siga diretamente para o navio.

Biometria é prioridade

Para Ferraz, a implantação da biometria nos portos é um dos principais projetos em andamento para aumentar a eficiência e a segurança dos embarques. A Clia participa do grupo de trabalho coordenado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, que começa a estruturar a implementação do sistema.

A proposta prevê que, após o check-in nas companhias, a fotografia do passageiro seja enviada ao sistema dos portos, permitindo o compartilhamento das informações com órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Anvisa e Capitania dos Portos.

“Quando estiver 100% funcionando, você vai fazer o check-in nas companhias do Brasil e, quando tirar sua foto, essa foto vai para o banco de dados do porto. Esse sistema vai mandar para a Polícia, Receita, Anvisa e Capitania dos Portos. Você já vai ter toda a gestão de risco”, explicou Ferraz.

O executivo afirma que a tecnologia poderá substituir parte significativa do processo manual atualmente utilizado nos terminais. Em algumas escalas, segundo ele, são necessários até 100 profissionais para realizar a conferência dos passageiros.

Além de acelerar o embarque e desembarque, a biometria deverá reforçar os mecanismos de segurança, permitindo identificar documentos falsos e pessoas com mandados de prisão durante o processo de embarque.

Testes podem começar

Santos foi utilizado em uma fase inicial de testes com totens de reconhecimento facial, mas Ferraz explica que o sistema definitivo dependerá da integração entre diferentes órgãos e bases de dados.

A expectativa da Clia é que alguns testes mais avançados possam ocorrer já na temporada 2027/28. O modelo também deverá acompanhar padrões internacionais de facilitação de embarque e desembarque de passageiros, alinhados às discussões da Organização Marítima Internacional (IMO).

“Não podemos ser diferentes. O que vai acontecer em todos os portos do mundo tem que acontecer aqui. O caminho está sendo traçado muito bem”, afirmou.

Ferraz cita como referência terminais internacionais, como os de Miami, onde processos automatizados permitem reduzir significativamente o tempo entre a chegada do passageiro ao terminal e o embarque no navio.

Luxo e novos destinos

Outro movimento destacado pelo presidente da Clia Brasil é o crescimento do segmento de luxo e expedição na América do Sul. O Brasil vem despertando interesse das companhias, inclusive entre os produtos de maior valor agregado, com a presença de marcas como Explora e operações especiais de réveillon.

A temporada também terá navios de volta ao mundo e maior presença de produtos de expedição na região. O Chile, segundo Ferraz, mantém papel estratégico como principal porta de saída para a Antártica, enquanto a Argentina aparece como segundo maior mercado sul-americano.

Para o Brasil, a entidade também trabalha na expansão da infraestrutura e na abertura de novos destinos. Vitória, Penha e Florianópolis estão entre os locais em discussão para futuras operações, enquanto a ampliação da oferta no Nordeste depende, principalmente, da criação de uma malha aérea capaz de alimentar os navios.

Ferraz avalia que o desenvolvimento de novos portos de embarque precisa caminhar em conjunto com a aviação. “Um navio de 2 mil passageiros precisa de avião para alimentar o navio. Você precisa preparar isso com antecedência”, afirmou.

Hoje, cerca de 55% dos passageiros que embarcam em cruzeiros no Brasil têm origem no Estado de São Paulo, o que reforça a importância de Santos como principal porto de embarque do País.