
SÃO PAULO – O Mato Grosso do Sul quer ampliar a presença no mercado turístico sem transformar o crescimento em uma corrida por volume. A estratégia passa por atrair visitantes de maior poder aquisitivo, fortalecer a presença internacional, recuperar a conectividade aérea e desenvolver novos produtos de forma gradual, respeitando a capacidade de cada destino.
É nesse contexto que o Estado participa da Abav Expo 2026, em São Paulo, com empresários, novos produtos e campanhas de promoção. Segundo Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS), a feira é uma oportunidade para colocar essas diferentes frentes em contato direto com o mercado. “Nós podemos crescer mais, mas queremos crescer com uma taxa de ocupação e um ticket médio que seja maior. Não precisa crescer um milhão de turistas por ano. Não é a nossa meta”, afirma.
A estratégia já apresenta reflexos no mercado internacional. De acordo com Wendling, o fluxo de turistas estrangeiros para o Estado cresceu cerca de 30% em relação ao ano passado, puxado principalmente pelo trabalho de promoção realizado nos Estados Unidos e no Canadá. O mercado argentino também apresenta crescimento, enquanto Paraguai e Bolívia permanecem entre os principais emissores, favorecidos pela proximidade e pelo acesso terrestre.
Pantanal busca espaço entre produtos de alto valor
A estratégia de qualificação aparece especialmente no Pantanal, que vem sendo trabalhado para além do tradicional posicionamento de destino de natureza. A oferta de pequenas pousadas em grandes propriedades, experiências privativas e maior exclusividade cria espaço para avançar também no segmento de luxo.
“Exclusividade é um luxo nos dias de hoje. Você ter lugares como o Pantanal, com pousadas que são pequenas, com dez apartamentos e áreas de 3 mil, 5 mil hectares, traz muita exclusividade”, diz.
O Estado participa de eventos segmentados de turismo de luxo e natureza e vem acompanhando a evolução da infraestrutura de hospedagem para atender esse público. Para Wendling, o movimento também ajuda a mudar a percepção sobre o ecoturismo, historicamente associado a viagens de baixo custo ou aventura. “Estamos saindo um pouco daquela história de que ecoturismo é só coisa de mochileiro. Ele pode ser também sobre um turismo familiar, por exemplo, porque temos toda a estrutura propícia para isso.”
Conectividade é peça-chave para ampliar mercados
O avanço da demanda internacional depende, porém, de uma malha aérea capaz de sustentar esse movimento. Wendling afirma que a conectividade do Estado começa a ser recomposta após as perdas provocadas pela redução de voos, especialmente durante o processo de recuperação da Azul.
Campo Grande voltou a contar com conexões por Campinas, Congonhas e Guarulhos pelas três principais companhias aéreas brasileiras, o que amplia o acesso a conexões internacionais. O Estado também recuperou a ligação com Confins e conquistou um voo regular entre o Galeão, no Rio de Janeiro, e Campo Grande, operado pela Gol. “A malha está sendo equalizada e voltando a ter destinos que são os principais emissores de fluxo para o Estado”, afirma.
A melhora já aparece no desempenho recente. Segundo Wendling, julho e agosto foram melhores do que os mesmos meses do ano passado. Bonito e Serra da Bodoquena mantêm desempenho positivo, enquanto o Pantanal chegou a registrar ocupação próxima de 100% em algumas propriedades.
Desenvolvimento dos destinos é feito de forma gradual
A expansão, no entanto, não se limita aos destinos já consolidados. A Fundtur-MS trabalha na diversificação da oferta a partir de uma matriz que classifica os municípios em cinco estágios de desenvolvimento. O modelo orienta o tipo de investimento, promoção e mercado adequado para cada localidade.
Entre as áreas em desenvolvimento está Campo Grande, que ganhou um novo vetor de atração com o Bioparque Pantanal. Na Costa Leste, Três Lagoas e a região do rio Paraná vêm ampliando a atuação no turismo de pesca esportiva. A Rota Norte reúne produtos de natureza, enquanto o sul do Estado trabalha a inserção do Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema no mercado.
Abav Expo reúne estratégia de promoção e novos projetos de Mato Grosso do Sul
Na Abav Expo 2026, Mato Grosso do Sul apresenta ao mercado uma série de iniciativas que combinam promoção turística, sustentabilidade e novas formas de comunicar os destinos do Estado. O estande reúne empresários em reuniões e palestras e concentra o lançamento do plano de ação climática para um destino turístico, apresentado por Wendling como o primeiro do tipo no Brasil.
A agenda também reforça a experiência de Bonito como destino carbono neutro. Segundo o executivo, a certificação vem sendo renovada anualmente há quatro anos e integra uma estratégia mais ampla de sustentabilidade no turismo sul-mato-grossense.
Outra frente de promoção é o Pantanal Jam, projeto que transforma os sons do bioma em uma produção musical com jazz. Gravada em uma fazenda pantaneira, a campanha aposta em uma linguagem diferente para apresentar o destino e já vem sendo levada ao mercado internacional. Segundo Wendling, o projeto terá ainda uma apresentação em Nova York.
“A gente produziu os sons do Pantanal e transformou em uma campanha com jazz. Gravamos dentro de uma fazenda pantaneira e é uma campanha disruptiva mesmo, que está rodando o mundo”, afirma.







