
A TAP acompanha com preocupação os possíveis impactos da reforma tributária sobre o transporte aéreo internacional a partir de 2027. Segundo Carlos Antunes, diretor da companhia para as Américas, uma eventual tributação de 13% sobre as passagens poderá elevar os preços dos bilhetes, retrair a demanda e afetar tanto os investimentos quanto a oferta de frequências internacionais. O alerta acontece justamente em um momento de expansão da TAP no mercado brasileiro, que completa 60 anos de operação em 2026.
“Estamos, de certa forma, preocupados com 2027. Se a reforma tributária avançar da forma como está, as passagens aéreas vão sofrer tributos de 13%. Isso vai encarecer as passagens, vai retrair a demanda por transporte aéreo internacional, pode reduzir investimentos aéreos e o número de frequências nas rotas existentes. Pode ser uma involução”, afirma Antunes.
Para o executivo, o impacto de uma eventual elevação de custos vai muito além do preço final da passagem. O transporte aéreo internacional, segundo ele, movimenta uma ampla cadeia ligada ao turismo, aos negócios e ao lazer. “A aviação aérea internacional, tal como a doméstica, não é uma atividade fim. Ninguém diz assim: ‘eu vou comprar passagem da TAP porque quero andar no avião da TAP’. Não. É para chegar em algum lugar, para encontrar a sua família, para sua viagem de negócios, para sua viagem de lazer. É uma atividade que alimenta toda uma cadeia”, destaca.
Antunes também chama atenção para a questão da reciprocidade tributária entre os países. Segundo ele, companhias aéreas internacionais já estão submetidas à tributação em seus mercados de origem, assim como as empresas brasileiras são tributadas no Brasil. “A aviação aérea internacional normalmente é isenta de tributos, ou pelo menos da bitributação. A TAP paga impostos em Portugal, tal como as companhias brasileiras pagam impostos no Brasil. Se Portugal não aplica imposto às companhias brasileiras, o Brasil vai aplicar uma tarifa às companhias portuguesas. Aí vai o princípio da reciprocidade”, afirma.
Expansão no Brasil
O alerta sobre a reforma tributária ocorre em um momento de crescimento da operação da TAP no País. Em 2026, a companhia incorporou Curitiba à sua malha, com o início dos voos diretos para Lisboa em julho. A rota é inédita entre a capital paranaense e a Europa na operação de uma companhia aérea internacional, segundo Antunes. “Curitiba estava lá [na nossa lista de possibilidades] e hoje faz parte da nossa malha”, afirma.
A nova operação amplia as opções de conexão para os passageiros do Paraná, que passam a contar com ligação direta para Lisboa e, a partir da capital portuguesa, acesso à rede de destinos da TAP na Europa. O próximo passo da companhia no País será São Luís, no Maranhão. O início da operação está previsto para 27 de outubro, ampliando novamente a presença da TAP no mercado brasileiro.
A escolha de novos destinos faz parte de um processo permanente de avaliação da companhia. Segundo Antunes, a TAP mantém uma lista de possibilidades para expansão e analisa as oportunidades de acordo com sua estratégia de médio e longo prazo. “Nós temos sempre uma lista de opções que vamos estudando para definir a estratégia de médio e longo prazo. E a gente sempre olha para o Brasil com uma atenção muito especial. É o nosso principal mercado internacional”, ressalta.
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60 anos de Brasil
A expansão atual marca mais um capítulo dos 60 anos de presença da TAP no Brasil. A trajetória começou pelo Rio de Janeiro e, ao longo das décadas, foi ampliada para diferentes regiões do País, com aumento de rotas e frequências. Atualmente, a companhia opera mais de 100 voos no Brasil, conectando 14 cidades à sua rede internacional.
“É uma trajetória que se construiu ao longo de seis décadas de crescimento. Começou com o Rio de Janeiro, fomos expandindo em rotas, frequências. Hoje temos mais de 100 voos dentro do Brasil, 14 cidades”, conta Antunes. Segundo o executivo, 2026 está dentro das expectativas da companhia, com crescimento no volume de passageiros e a expansão da capacidade oferecida no mercado brasileiro. “É um ano dentro das nossas expectativas, com o lançamento de duas rotas no Brasil e com o crescimento do volume de passageiros”, afirma.
A ocupação média dos voos da TAP no Brasil está acima de 80%, de acordo com Antunes. O executivo destaca que o aumento da demanda acompanha também a ampliação da oferta. “Todos os nossos voos estão, em média, acima dos 80%”, diz.
Agentes de viagens
Dentro da estratégia comercial da TAP no Brasil, os agentes de viagens continuam tendo papel central. Mais da metade das vendas da companhia no País é realizada por meio desse canal, segundo Antunes. “Mais de metade das nossas vendas no Brasil é por agente de viagens”, revela.
Para a TAP, a capilaridade do trade é especialmente importante diante da dimensão do mercado brasileiro. A presença dos agentes permite que a companhia alcance consumidores em regiões onde não possui presença física ou estrutura própria de vendas. “A gente precisa contar com o agente de viagens para chegar onde nós não estamos, em questão de vendas. O agente de viagens está disseminado em todo o território”, explica.
É também por esse motivo que a participação na ABAV Expo permanece estratégica para a companhia. Presente há anos no evento, a TAP utiliza a feira como espaço de relacionamento com os profissionais responsáveis por uma parcela significativa de suas vendas no País. “Nós estamos aqui já há muitos anos, porque essa é a feira dos agentes de viagens”, conclui Antunes.







