
SÃO PAULO – A Europa continua no topo da lista de desejos dos brasileiros que viajam ao exterior, mas o mapa dessa demanda começa a ganhar novos contornos. Se Portugal, Espanha, Itália, França e Inglaterra ainda concentram boa parte das primeiras viagens ao continente, destinos da Europa Central e do Norte vêm conquistando espaço e despertando a curiosidade de um público cada vez mais interessado em experiências diferentes.
O movimento foi destacado por Luiz Fernando Destro, do escritório de turismo da República Tcheca e responsável pela organização do Europe Connect 2026, realizado nesta terça-feira (6), em São Paulo. O evento promoveu encontros entre fornecedores de Alemanha, República Tcheca, Noruega e Polônia e profissionais do mercado brasileiro.
Segundo Destro, cerca de 4,6 milhões de viagens de brasileiros para a Europa foram registradas em 2025. Embora não existam números oficiais consolidados sobre a quantidade de brasileiros que viajam ao exterior por destino, a estimativa da European Travel Commission (ETC) é de que aproximadamente um em cada três turistas internacionais brasileiros tenha a Europa como destino.
O desempenho reforça a posição do continente como um dos principais mercados internacionais para o Brasil e ocorre em um momento em que os Estados Unidos perderam parte do fôlego entre os viajantes, especialmente diante das dificuldades relacionadas à obtenção de vistos.
A perspectiva para os próximos anos também é positiva. De acordo com Destro, uma pesquisa recente da ETC mostrou que 54% dos brasileiros entrevistados afirmaram que desejavam viajar para a Europa em 2026. O número representa mais da metade dos participantes e mostra o tamanho do potencial do mercado.
O custo das viagens aparece como o principal desafio para quem pretende visitar a Europa. Na pesquisa, os brasileiros apontaram o aumento das passagens aéreas, das tarifas hoteleiras e das demais despesas como fatores que dificultam o planejamento, mas que não necessariamente levam ao adiamento da viagem. Na avaliação de Destro, o cenário funciona mais como um obstáculo a ser administrado do que como um impedimento à decisão de viajar. “É um dificultador, mas não impedidor”, resumiu.
A ETC projeta que o fluxo de brasileiros para a Europa cresça, em média, 6,4% ao ano até 2029. Em 2025, segundo Destro, a alta já teria chegado a 12%, resultado que coloca o mercado acima da média esperada e reforça as perspectivas de continuidade do crescimento.
Da Europa clássica aos novos destinos
Apesar da força dos destinos tradicionais, a mudança mais interessante está justamente na busca por lugares que, até pouco tempo atrás, tinham menor presença no imaginário do viajante brasileiro. A Europa Central e os países nórdicos vêm ganhando atenção, com a Polônia aparecendo como um dos principais exemplos dessa transformação.
Destro compara o momento vivido atualmente pela Polônia ao processo que a própria República Tcheca experimentou no passado, quando ainda era vista como um destino diferente e pouco conhecido pelos brasileiros. “Acho que a Polônia está experimentando um pouco isso de ser o destino novo, desconhecido da vez”, afirmou.
O país, claro, não é exatamente uma novidade no turismo europeu, mas passa agora por uma nova fase de descoberta pelo mercado brasileiro. O mesmo movimento aparece nos países nórdicos, especialmente na Dinamarca e na Noruega, que vêm despertando interesse crescente apesar do custo mais elevado.
Diversidade no público e o “ninho vazio”
A diversidade de destinos também acompanha a variedade de perfis que viajam para a Europa. A demanda vai desde jovens que montam roteiros independentes e optam por hostels ou Airbnb até famílias que buscam serviços personalizados e viajantes que preferem os tradicionais circuitos organizados.
Dentro desse cenário, Destro destaca ainda o crescimento dos grupos por adesão promovidos por operadoras, especialmente entre mulheres acima dos 45 ou 50 anos. São viajantes que, depois de criar os filhos ou chegar à aposentadoria, passam a ter mais disponibilidade para investir em experiências e viagens. O perfil se aproxima do que o mercado internacional chama de “empty nesters”, consumidores que entram em uma nova fase da vida e colocam as viagens entre as prioridades.
Para a Europa, essa combinação de demanda consolidada e novos perfis abre espaço não apenas para manter os destinos já conhecidos pelos brasileiros, mas também para apresentar outras regiões e experiências. E, diante da projeção de crescimento de 6,4% ao ano até 2029, a expectativa é de que esse movimento continue ampliando o espaço do continente no mercado brasileiro.







