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Fenômeno atravessará destinos históricos e movimenta Luxor (Reprodução/Redes Sociais)

O eclipse solar total de 2 de agosto de 2027 já movimenta o interesse de observadores e viajantes que planejam acompanhar o fenômeno em destinos localizados na faixa de totalidade. O evento atravessará partes da Europa, do Norte da África e do Oriente Médio e terá duração máxima de 6 minutos e 23 segundos. No Egito, a cidade de Luxor e seus arredores estarão entre os pontos de maior duração, com mais de seis minutos de totalidade e a possibilidade de acompanhar o fenômeno próximo a templos, sítios arqueológicos e paisagens do deserto. O cenário faz do evento um potencial impulsionador do turismo astronômico na região.

Embora seja chamado de “eclipse do século”, o fenômeno de 2027 não será o mais longo do século 21. O eclipse de 22 de julho de 2009 teve duração máxima de 6 minutos e 39 segundos, superando o evento de 2027 em 16 segundos. A diferença, porém, está na localização da faixa de totalidade. Enquanto boa parte da maior duração de 2009 ocorreu sobre o Oceano Pacífico, em 2027 os períodos mais longos estarão sobre áreas terrestres, incluindo regiões do Egito.

Eclipse solar de 2027 coloca Luxor no mapa do turismo astronômico

Luxor aparece como um dos principais destinos para quem pretende acompanhar o eclipse. A cidade está localizada próxima ao ponto em que a totalidade alcançará mais de seis minutos. O entorno reúne alguns dos principais sítios arqueológicos do Egito, incluindo os templos de Karnak e Luxor e a região da antiga Tebas. O Vale dos Reis também está dentro da área de interesse do fenômeno, criando uma combinação entre observação astronômica e patrimônio histórico.

Segundo o material publicado pela Space.com, outro fator que contribui para a atenção sobre Luxor é a condição climática. A publicação cita dados do Time and Date segundo os quais a cidade registra média de 0% de cobertura de nuvens em 2 de agosto. A combinação entre a duração da totalidade, a possibilidade de observação em terra e as condições do céu coloca o destino entre os pontos de maior interesse para os chamados “caçadores de eclipses”.

O fenômeno também terá uma característica importante para o turismo: a faixa de totalidade passará por áreas que já possuem infraestrutura turística e são conhecidas internacionalmente. Para o viajante, isso permite combinar a observação do eclipse com uma programação relacionada ao patrimônio egípcio.

Evento deve ser mais acessível do que o eclipse de 2009

A comparação com 2009 ajuda a explicar por que o evento de 2027 desperta atenção no setor de viagens. Naquele ano, a duração máxima ocorreu sobre o Oceano Pacífico. Três navios de cruzeiro — Costa Classica, Fuji Maru e Asuka II — se posicionaram próximos à ilha de Iwo Jima, no arquipélago das Ilhas Vulcânicas do Japão, a cerca de 1.200 quilômetros ao sul de Tóquio. O Costa Classica chegou ao ponto central da faixa de totalidade.

Quem optou por acompanhar o eclipse em terra precisou buscar localidades no leste da China. A região próxima a Xangai oferecia quase seis minutos de totalidade, mas as condições meteorológicas prejudicaram parte das observações. A reportagem destaca que poucas pessoas conseguiram acompanhar os momentos de maior duração próximos ao ponto máximo do eclipse.

Em 2027, o cenário será diferente. A maior duração ocorrerá sobre terra e em uma região com destinos turísticos consolidados. Para o turismo astronômico, essa característica amplia as possibilidades de organização de roteiros, já que o visitante não dependerá necessariamente de um cruzeiro ou de uma operação específica em alto-mar para alcançar uma das áreas de maior duração.

Egito concentra atrações na faixa de totalidade

A passagem do eclipse pelo Egito também cria uma oportunidade de combinar diferentes produtos turísticos em uma mesma viagem. Luxor concentra templos e sítios arqueológicos que podem integrar a programação antes ou depois do fenômeno.

O material aponta que os templos de Karnak e Luxor, o Vale dos Reis e o cenário desértico estarão dentro da área atingida pela sombra da Lua. O resultado é um roteiro no qual o visitante pode associar uma experiência astronômica a locais ligados à história do antigo Egito.

A duração é outro elemento que diferencia o evento. O eclipse de 2027 será o mais longo eclipse solar total do século 21 observado sobre terra. A duração máxima chegará a 6 minutos e 23 segundos, apenas 4% abaixo do máximo registrado em 2009. Depois de 2027, uma duração semelhante só voltará a ocorrer em 2114, quando um eclipse alcançará 6 minutos e 32 segundos na Arábia Saudita.

Fenômeno faz parte de uma sequência de eclipses

O eclipse de 2027 também integra uma sequência astronômica conhecida como Saros 136. Segundo a reportagem, um ciclo de Saros dura aproximadamente 18 anos, 11 dias e oito horas. Depois desse intervalo, Sol, Lua e Terra retornam a uma geometria semelhante, fazendo com que outro eclipse relacionado aconteça em uma região diferente do planeta.

A série começou com um eclipse solar parcial em 1360 e continuará por mais de 1.200 anos. O primeiro eclipse total dessa família ocorreu em 1721. A sequência atingiu seu maior período de totalidade em 1955, com 7 minutos e 7 segundos, e atualmente está em uma fase de redução gradual da duração.

O eclipse de 11 de julho de 1991 também pertence ao Saros 136. O fenômeno passou pelo Havaí, México, América Central e norte da América do Sul, alcançando 6 minutos e 53 segundos de totalidade. Dezoito anos e 11 dias depois, a sequência chegou ao eclipse de 2009. Em 2027, o ciclo volta a colocar a faixa de totalidade sobre o Norte da África e o Oriente Médio.

Próximos eclipses também podem movimentar viagens

O interesse turístico provocado por eclipses não termina em 2027. A mesma família de eclipses voltará a produzir eventos de longa duração nas próximas décadas.

Em 12 de agosto de 2045, o Saros 136 levará um eclipse total aos Estados Unidos, ao Caribe e ao norte da América do Sul. A duração máxima será de aproximadamente 6 minutos e 6 segundos. A faixa de totalidade passará por cidades como Reno, Salt Lake City, Colorado Springs, Oklahoma City, Tulsa, Tampa, Fort Lauderdale e Miami.

Depois, a sequência retornará à Ásia e ao Pacífico em 2063, passará pela Europa e pelo Oriente Médio em 2081 e chegará novamente à América do Norte em 2099. Cada um desses eventos terá duração menor que o anterior, acompanhando a evolução do ciclo.

Para além do Saros 136, outro evento chamará atenção em 2114. O Saros 139 produzirá um eclipse de 6 minutos e 32 segundos na Arábia Saudita. Mais distante, em 2186, a mesma família deverá produzir um eclipse com 7 minutos e 29 segundos de totalidade próximo à costa atlântica da América do Sul, considerado o mais longo entre 4000 a.C. e 6000 d.C.

Turismo astronômico ganha um novo roteiro em 2027

O eclipse de 2 de agosto de 2027 reúne características que podem favorecer a criação de viagens específicas para o turismo astronômico: longa duração, observação sobre terra, destinos turísticos conhecidos e uma faixa de totalidade que atravessa regiões com patrimônio histórico.

Luxor concentra parte importante desse cenário. A possibilidade de acompanhar mais de seis minutos de totalidade próxima a templos, sítios arqueológicos e paisagens desérticas diferencia o destino de outros pontos da faixa do eclipse. O evento também ocorre em uma região que já integra roteiros internacionais, o que permite associar a observação astronômica a outros produtos turísticos.

*Com informações de Space.