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Matthew Upchurch, CEO da Virtuoso; Andrea Grisdale, CEO e fundadora da IC Bellagio; e Julian Kassum, deputy secretary general da International Chamber of Commerce (ICC) falaram sobre a importância das PMEs no setor

LA VALETA, MALTA – Pequenas e médias empresas (PMEs) estão no centro da cadeia do Turismo e podem ser decisivas para o próximo ciclo de crescimento do setor. Durante o painel “Unlocking the Power of Travel & Tourism SMEs”, neste primeiro dia de WTTC Global Summit 2026, em Malta, executivos destacaram que 85% dos empregos do Turismo estão ligados às PMEs e defenderam mais acesso a ferramentas, dados, capacitação e políticas públicas para impulsionar esses negócios.

Participaram da discussão Matthew Upchurch, CEO da Virtuoso; Andrea Grisdale, CEO e fundadora da IC Bellagio; e Julian Kassum, deputy secretary general da International Chamber of Commerce (ICC).

Um dos dados apresentados durante o painel mostra o tamanho do potencial. Uma pesquisa realizada pelo WTTC em oito mercados apontou que um estímulo de 10% às PMEs poderia desbloquear US$ 63 bilhões em contribuição para a economia de Viagens e Turismo.

“As PMEs são os que fazem de um destino uma experiência”, afirmou Andrea. Segundo ela, são as pequenas empresas, hotéis familiares, artesãos e guias locais que colocam pessoas e histórias no centro da experiência turística.

Plataforma quer chegar a 1 milhão de PMEs

O debate também marcou a apresentação de uma nova frente do WTTC voltada às pequenas e médias empresas. A iniciativa pretende funcionar como uma plataforma de engajamento, reunindo ferramentas, informações e recursos práticos para negócios do setor.

A ambição apresentada por Matthew Upchurch é alcançar 1 milhão de PMEs. Segundo o executivo, a proposta não é criar mais uma associação ou fonte de informação, mas facilitar o acesso das empresas a soluções que possam ser aplicadas diretamente no dia a dia. Para Matthew, a participação das PMEs é fundamental para que o WTTC consiga representar de fato a cadeia turística. “Para ser a voz do setor privado, precisávamos envolver as PMEs, que constituem a maioria do setor”, afirmou.

“Não precisamos de mais barulho. Estamos fazendo tantas coisas em nossos negócios e ouvimos que precisamos adotar IA, fazer isso ou aquilo. Temos paixão, mas não temos tempo”, afirmou Andrea. Para ela, a plataforma precisa oferecer soluções específicas para diferentes perfis de empresas, em vez de tratar todas as PMEs da mesma maneira.

A experiência da ICC reforça essa necessidade. Julian Kassum destacou que pequenas empresas buscam respostas para problemas concretos e imediatos, e que diferentes estágios de maturidade exigem diferentes soluções.

“Eles querem uma solução para algo específico”, afirmou. Para o executivo, uma jornada personalizada também permite coletar dados sobre as necessidades das empresas, que podem posteriormente orientar novas ferramentas e políticas.

Turismo precisa ganhar espaço na agenda global

A parceria com a ICC também foi apresentada como uma forma de ampliar a presença das PMEs do Turismo na agenda econômica internacional. A entidade reúne 45 milhões de empresas, segundo Kassum, e possui 95 comitês nacionais, dois terços deles em mercados emergentes.

Para o executivo, a aproximação com o WTTC une a capacidade do conselho de reunir conhecimento e dados sobre Turismo à rede global da ICC, que pode ajudar a levar essas informações e ferramentas até as empresas. As Câmaras de Comércio também foram apontadas como um elo importante entre políticas e a realidade dos pequenos negócios, por sua presença local e capacidade de oferecer treinamento e apoio empresarial.

A proposta, segundo os participantes, é fazer com que o Turismo deixe de ser tratado apenas como uma indústria formada por grandes empresas e tenha suas pequenas e médias empresas reconhecidas como parte central de seu crescimento.

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