Furacão Simon pode atingir categoria 4 e ameaça costa do Pacífico mexicano
Tempestade deve ganhar força rapidamente, com ventos de até 250 km/h e risco de enchentes e deslizamentos (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos via Associated Press)

O furacão Simon avançava em direção à costa do Pacífico mexicano nesta sexta-feira (9), com previsão de intensificação rápida e possibilidade de atingir a categoria 4 antes de chegar ao litoral. Autoridades meteorológicas dos Estados Unidos emitiram um alerta de furacão para trechos das regiões central e sudoeste da costa do México, onde ventos com força de furacão eram esperados nas 36 horas seguintes.

No início da manhã de sexta-feira, Simon registrava ventos máximos sustentados de 120 km/h e se deslocava para noroeste a cerca de 7 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC), com sede em Miami. Classificado inicialmente como um furacão de categoria 1, o sistema deveria mudar sua trajetória para norte até o início de sábado, aproximando-se do litoral mexicano.

A previsão indicava que o fenômeno poderia ganhar intensidade rapidamente e alcançar a categoria 4 antes de tocar a costa. Na escala Saffir-Simpson, utilizada para classificar furacões conforme a velocidade dos ventos sustentados, essa categoria corresponde a ventos entre 210 km/h e 250 km/h, com potencial para provocar danos graves.

Simon estava localizado a aproximadamente 355 quilômetros ao sul de Manzanillo e a 525 quilômetros ao sul-sudeste de Cabo Corrientes. Embora os ventos mais intensos ainda estivessem afastados do litoral, condições de tempestade tropical já poderiam começar a ser sentidas em áreas costeiras ao longo da sexta-feira.

Chuvas intensas elevam risco de enchentes

Além dos ventos fortes, a principal preocupação das autoridades é o volume de chuva previsto para o sudoeste do México. De acordo com os meteorologistas norte-americanos, a passagem do furacão poderia provocar acumulados entre 20 e 38 centímetros de precipitação, com pontos isolados registrando até 63 centímetros.

O volume elevado de chuva aumenta o risco de inundações e deslizamentos de terra, especialmente em áreas vulneráveis e regiões com relevo acidentado. A combinação entre precipitação intensa e a possível aproximação de um furacão de grande intensidade exige atenção das comunidades costeiras e das autoridades locais.

A evolução de Simon, incluindo a velocidade de deslocamento, a intensificação dos ventos e a trajetória em direção ao litoral, será determinante para dimensionar os impactos do sistema nos próximos dias.

Tempestade Rachel também ameaça o oeste da América do Norte

Enquanto Simon avançava pelo Pacífico mexicano, a tempestade tropical Rachel também era monitorada pelos meteorologistas. Mais ao norte, o sistema tinha ventos sustentados de 95 km/h e poderia alcançar a península da Baixa Califórnia, o noroeste do México e o sul da Califórnia durante o fim de semana.

A previsão inicial apontava para um enfraquecimento de Rachel, mas a tempestade ainda poderia provocar chuvas fortes nas áreas atingidas. O acompanhamento de sua trajetória e intensidade será importante para avaliar os riscos associados à precipitação na região.

El Niño influencia a temporada de tempestades

A atividade de tempestades tropicais no Pacífico tem ficado acima da média nesta temporada, cenário associado aos efeitos de um El Niño forte. O fenômeno climático altera os padrões de circulação atmosférica e as condições oceânicas, influenciando a formação e a intensidade de ciclones tropicais em diferentes bacias.

No Atlântico, o El Niño costuma favorecer condições menos propícias à formação de furacões, embora seus efeitos não determinem, isoladamente, o comportamento de toda uma temporada.

Nesse contexto, o furacão Isaias, que deveria atingir a costa do Golfo dos Estados Unidos entre a noite de sexta-feira e o sábado, formou-se mais de quatro meses após o início da temporada de furacões no Atlântico.

A evolução simultânea dos sistemas no Pacífico e no Atlântico reforça a importância do monitoramento meteorológico, sobretudo diante da possibilidade de chuvas extremas, ventos destrutivos e impactos sobre comunidades costeiras.