
A Delta Air Lines reduziu sua projeção de lucro para 2026 diante da disparada dos preços dos combustíveis, que devem acrescentar US$ 6 bilhões às despesas da companhia ao longo do ano, em comparação com 2025. Mesmo com a demanda por viagens em alta e o avanço das tarifas aéreas, a empresa avalia que a pressão sobre os custos operacionais será maior do que sua capacidade de compensá-la com o crescimento das receitas.
A revisão foi anunciada nesta sexta-feira (9), junto à divulgação dos resultados do terceiro trimestre. A companhia norte-americana passou a projetar lucro ajustado por ação entre US$ 5,10 e US$ 5,60 neste ano, ante a estimativa anterior, divulgada em julho, de US$ 6,50 a US$ 7,50. Considerando o ponto médio das duas faixas, a redução é de aproximadamente 24%.
A empresa também prevê lucro ajustado antes dos impostos de cerca de US$ 4,5 bilhões em 2026. O resultado representa uma demonstração da capacidade de geração de caixa da companhia mesmo em um cenário de custos elevados, mas evidencia os efeitos da volatilidade do mercado de energia sobre o desempenho financeiro das empresas aéreas.
Segundo a Reuters, a escalada dos preços dos combustíveis para aviação está relacionada, entre outros fatores, à guerra envolvendo o Irã, que pressionou as cotações internacionais do petróleo e do querosene de aviação. O cenário amplia a incerteza para o setor, que precisa equilibrar o repasse de despesas às tarifas com a manutenção da demanda dos passageiros.
Combustível pressiona resultados do terceiro trimestre
Os números do terceiro trimestre ajudam a dimensionar o impacto da alta dos preços. Entre julho e setembro, as despesas ajustadas da Delta com combustível chegaram a US$ 4,1 bilhões, aumento de 62% em relação ao mesmo período de 2025. O valor também superou em mais de US$ 500 milhões a previsão que a empresa havia apresentado em julho.
No período, o preço ajustado do combustível ficou em US$ 3,61 por galão. Para o quarto trimestre, a companhia trabalha com uma estimativa de aproximadamente US$ 4,25 por galão, já considerando o benefício esperado de sua refinaria.
“Tudo isso é combustível”, afirmou Erik Snell, diretor financeiro da Delta, ao comentar os fatores que levaram à revisão das projeções. Segundo ele, tanto o petróleo bruto quanto os preços do combustível refinado subiram desde o verão do Hemisfério Norte.
Apesar da pressão, a empresa manteve a rentabilidade no terceiro trimestre. O lucro ajustado por ação foi de US$ 1,72, enquanto a receita ajustada alcançou US$ 17,6 bilhões, crescimento de 16% na comparação anual. O lucro ajustado antes dos impostos somou US$ 1,5 bilhão, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.
A margem operacional ajustada, por sua vez, recuou de 11,1% para 9,4%, refletindo a pressão sobre os custos. O lucro por ação ficou ligeiramente abaixo da média de US$ 1,76 esperada por analistas consultados pela Reuters.
Demanda segue forte, com destaque para o segmento premium
A alta das despesas ocorre em um momento de procura consistente por viagens aéreas. No terceiro trimestre, a receita da Delta com produtos premium avançou 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a contribuição de passageiros que optam por cabines e serviços de maior valor agregado. O desempenho comercial também foi positivo em diferentes mercados. A receita unitária cresceu 16% nos voos domésticos, 11% nas rotas transatlânticas, 22% na América Latina e 13% nas operações transpacíficas.
A companhia manteve a capacidade estável no terceiro trimestre, estratégia que contribuiu para sustentar os rendimentos por assento e a evolução das receitas. Para o período entre outubro e dezembro, a expectativa é de crescimento de aproximadamente 20% na receita em relação ao quarto trimestre de 2025.
A perspectiva considera que quase 60% do trimestre já estava reservado no momento da divulgação dos resultados, segundo informações apresentadas pelo diretor financeiro da empresa à Reuters.
O presidente-executivo da Delta, Ed Bastian, afirmou que a demanda permanece forte, impulsionada pelo interesse dos consumidores em experiências e viagens. A empresa espera encerrar o ano com lucro antes dos impostos próximo de US$ 4,5 bilhões, mesmo absorvendo o aumento de US$ 6 bilhões nas despesas com combustível.
O desafio, portanto, não está apenas em atrair passageiros, mas em transformar a procura por viagens em receitas suficientes para compensar a escalada dos custos.
Aumento das tarifas tem limites
A elevação dos preços das passagens tem sido uma das principais ferramentas utilizadas pelas companhias aéreas para enfrentar o encarecimento do combustível. Nos Estados Unidos, as tarifas aéreas subiram, em média, cerca de 25% na comparação anual durante os cinco meses encerrados em agosto, segundo dados do índice de preços ao consumidor citados pela Reuters.
O repasse, no entanto, não elimina integralmente a pressão sobre os resultados. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a recuperação integral das despesas adicionais por meio de receitas pode não ocorrer antes do início de 2027. A perspectiva também depende da evolução da oferta de assentos no mercado norte-americano, cuja expansão deve ganhar ritmo no quarto trimestre.
O cenário coloca a Delta diante de um equilíbrio delicado: preservar a rentabilidade sem comprometer a competitividade das tarifas e a demanda que sustenta o crescimento das receitas.
A companhia não está sozinha nesse desafio. Outras grandes empresas aéreas norte-americanas, como United Airlines, American Airlines e Southwest Airlines, também enfrentam a pressão dos combustíveis e devem divulgar seus resultados trimestrais ao longo do mês.
Refinaria oferece proteção parcial à Delta
Um diferencial da Delta em relação a outras grandes companhias aéreas dos Estados Unidos é a participação em uma refinaria localizada nas proximidades da Filadélfia. Adquirida em 2012, a unidade processa petróleo bruto e produz querosene de aviação, além de outros derivados.
A operação deve gerar aproximadamente US$ 700 milhões em lucro para a companhia em 2026, segundo estimativa apresentada pelo diretor financeiro à Reuters. O resultado funciona como uma compensação parcial para a alta dos preços dos combustíveis utilizados nas operações aéreas.
Isso não significa, porém, que a Delta esteja imune às oscilações do mercado. A companhia continua considerando os preços de mercado no abastecimento de suas aeronaves, enquanto o benefício financeiro da refinaria depende das margens obtidas no processamento do petróleo.
Mesmo com essa vantagem, a empresa prevê que o preço total do combustível chegue a US$ 4,25 por galão no quarto trimestre, ante US$ 3,61 no terceiro.
Erik Snell afirmou que os custos devem permanecer elevados por algum tempo, embora a companhia espere uma eventual redução das cotações. “Em última análise, o combustível vai cair. Quando isso acontecerá, não sabemos exatamente”, declarou.







