
Um vídeo de um panda-gigante comemorando aniversário com um “bolo” feito de bambu voltou a colocar a espécie no centro das atenções e também chama atenção para um fenômeno que se espalha por diferentes continentes: a presença dos animais chineses em zoológicos fora do país. Hoje (13) são 42 pandas-gigantes distribuídos por 18 zoológicos de 16 países, segundo o levantamento atualizado do site especializado Panda.fr. A lista inclui Estados Unidos, México, França, Alemanha, Espanha, Áustria, Bélgica, Países Baixos, Dinamarca, Rússia, Qatar, Singapura, Coreia do Sul, Indonésia, Malásia e Austrália.
A distribuição, porém, muda com frequência. Filhotes nascidos fora da China costumam retornar ao país quando atingem determinada idade, enquanto novos acordos podem levar outros animais para zoológicos estrangeiros. Foi o que ocorreu recentemente em Atlanta, nos Estados Unidos, que recebeu dois novos pandas em setembro, depois de ficar sem exemplares da espécie desde 2024.
Pandas fora da China: onde estão os 42 animais
Estados Unidos — 6 pandas

Os Estados Unidos concentram o maior número de pandas-gigantes fora da China após a retomada do programa em Atlanta. No San Diego Zoo, na Califórnia, estão Yun Chuan, macho nascido em 2019, e Xin Bao, fêmea nascida em 2020. Os dois chegaram ao país em junho de 2024, depois que o zoológico assinou um novo acordo de cooperação com a China.
Em Washington, no Smithsonian’s National Zoo, vivem Bao Li e Qing Bao, que chegaram da China em outubro de 2024. O acordo entre a instituição norte-americana e a China Wildlife Conservation Association tem duração de dez anos. Já o Zoo Atlanta voltou a receber pandas em setembro de 2026. Ping Ping e Fu Shuang, ambos nascidos na China, chegaram ao zoológico em 27 de setembro. Eles substituem os quatro pandas que retornaram à China em outubro de 2024, encerrando temporariamente a presença dos animais na instituição.
México — 1 panda

Nascida em 1º de julho de 1990, ela é considerada mexicana porque nasceu no país e é descendente de pandas que foram enviados à época em que a China ainda utilizava a prática de presentear outros países com os animais. A história faz do México um caso diferente dentro da atual diplomacia dos pandas. Xin Xin é apontada pelo governo da Cidade do México como a única panda-gigante da América Latina e, em 2026, completou 36 anos.
França — 2 pandas

Na França, o ZooParc de Beauval, em Saint-Aignan, abriga as irmãs gêmeas Huan Li Li e Yuan Du Du, nascidas no próprio zoológico em 2 de agosto de 2021. As duas, no entanto, têm data de saída prevista. Beauval informa que elas devem retornar à China até o fim de 2026, e as férias de outubro são as últimas férias escolares em que os visitantes poderão vê-las antes da viagem. O zoológico já mantém negociações para continuar o programa de cooperação com a China e prevê a chegada de um novo casal em 2027.
Bélgica — 1 panda

No Pairi Daiza, em Brugelette, está Xing Hui, macho nascido em 2009. A fêmea Hao Hao, que viveu na Bélgica ao lado dele desde 2014, retornou à China em dezembro de 2025. Os três filhotes nascidos no zoológico, Tian Bao, Bao Di e Bao Mei, também já voltaram ao país asiático.
Países Baixos — 3 pandas
O Ouwehands Dierenpark, em Rhenen, abriga atualmente Wu Wen, Xing Ya e a filha Lang Yue. Lang Yue nasceu no zoológico em 12 de julho de 2024, mas tem retorno à China previsto para o fim de outubro de 2026. Wu Wen e Xing Ya permanecem nos Países Baixos. O acordo de conservação estabelece que pandas nascidos fora da China retornem antes de completar quatro anos.
Alemanha — 4 pandas

O Zoo de Berlim reúne quatro pandas: o casal adulto Meng Meng e Jiao Qing, além das gêmeas Meng Hao e Meng Tian, nascidas em 22 de agosto de 2024. Os dois filhotes anteriores do casal, Meng Xiang e Meng Yuan, retornaram à China em dezembro de 2023.
Espanha — 2 pandas

O Zoo de Madrid é atualmente o único zoológico da Espanha com pandas-gigantes. A instituição abriga Jin Xi e Zhu Yu, ambos nascidos em 2020 e enviados da base de criação de Chengdu em abril de 2024. Em setembro de 2026, o zoológico realizou uma programação para comemorar o sexto aniversário dos dois animais.
Áustria — 2 pandas

No Tiergarten Schönbrunn, em Viena, estão Lan Yun e He Feng. O casal chegou da China em abril de 2025, substituindo os pandas Yang Yang e Yuan Yuan, que retornaram ao país asiático em setembro de 2024. A cooperação entre o zoológico austríaco e a China Wildlife Conservation Association foi ampliada por mais dez anos.
Dinamarca — 2 pandas

Os dois chegaram ao país em abril de 2019. Em 2026, Mao Sun passou por inseminação artificial depois de seis temporadas sem reprodução natural. Em setembro, o zoológico confirmou que ela não estava grávida. O programa faz parte de um acordo de 15 anos com a China Wildlife Conservation Association.
Rússia — 3 pandas

No Zoológico de Moscou, estão Ru Yi, Ding Ding e a filha Katyusha. Ru Yi e Ding Ding chegaram da China em abril de 2019. Em agosto de 2023, Ding Ding deu à luz Katyusha, a primeira panda-gigante nascida em território russo. A jovem completou três anos em agosto de 2026. A família também aparece em eventos culturais promovidos pelo zoológico, como as comemorações do Ano Novo Chinês, reforçando o papel dos pandas nas relações entre Rússia e China.
Qatar — 2 pandas

No Panda House de Al Khor, no Qatar, vivem Jing Jing, também chamado de Suhail, e Si Hai, conhecida como Soraya. Eles fazem parte de um acordo de empréstimo de 15 anos. A chegada marcou a primeira vez em que a China enviou pandas-gigantes para o Oriente Médio.
Singapura — 2 pandas

O casal chegou ao país em 2012 e teve um filhote, Le Le, nascido em 2021. O jovem retornou à China em janeiro de 2024. Em setembro de 2026, os dois participaram de uma programação especial de aniversário no River Wonders. Jia Jia completou 18 anos e Kai Kai, 19.
Coreia do Sul — 5 pandas

A Coreia do Sul concentra cinco pandas no Everland, em Yongin: Le Bao, Ai Bao, Rui Bao, Hui Bao e Shu Bao. Ai Bao e Le Bao chegaram ao país em 2016. A fêmea deu à luz Fu Bao em 2020, mas a filha retornou à China em abril de 2024. Em julho de 2023, nasceram as gêmeas Rui Bao e Hui Bao. Em junho de 2026, Ai Bao teve seu quarto filhote, uma fêmea chamada Shu Bao. Rui Bao e Hui Bao têm retorno à China previsto para dezembro de 2026, o que deve alterar novamente o número de pandas presentes no país até o fim do ano.
Indonésia — 3 pandas

No Taman Safari Indonesia, em Bogor, estão Cai Tao, Hu Chun e o filhote Satrio Wiratama, conhecido como Rio. Cai Tao e Hu Chun chegaram à Indonésia em 2017. Em novembro de 2025, Hu Chun deu à luz Satrio Wiratama, o primeiro panda-gigante nascido no país. O nascimento também colocou a Indonésia entre os países que já registraram reprodução da espécie fora da China.
Malásia — 2 pandas

No Zoo Negara, em Kuala Lumpur, estão Chen Xing e Xiao Yue. A nova dupla chegou à Malásia em novembro de 2025, depois do retorno à China de Xing Xing e Liang Liang, que permaneceram no país desde 2014.
Austrália — 2 pandas

Na Austrália, os dois exemplares estão no Adelaide Zoo: Xing Qiu e Yi Lan. A dupla chegou em dezembro de 2024 e passou a ser exibida ao público em janeiro de 2025. Os animais substituíram Wang Wang e Fu Ni, que retornaram à China após 15 anos no país. Em agosto de 2026, o zoológico realizou uma programação especial para os aniversários dos dois pandas e lançou uma experiência que permite aos visitantes acompanhar de perto a preparação do recinto e dos alimentos dos animais.
Por que a China envia pandas para outros países?
A presença desses animais no exterior está relacionada ao que ficou conhecido como diplomacia dos pandas. A prática ganhou força nas relações internacionais da China no século 20, quando os pandas eram enviados como presentes diplomáticos. Atualmente, o modelo é diferente: os animais são, em geral, enviados por meio de acordos de cooperação para conservação, pesquisa e reprodução.
O Smithsonian’s National Zoo, por exemplo, informa que seu acordo de dez anos com a China prevê o envio de um casal adulto, pesquisas conjuntas e o retorno dos filhotes nascidos em Washington à China até os quatro anos. O zoológico também informa que paga uma taxa anual de US$ 1 milhão para apoiar pesquisas e conservação.
A lógica ajuda a explicar por que os pandas que nascem em países como França, Bélgica, Coreia do Sul, Rússia e Singapura acabam retornando à China. Os animais fazem parte de um programa internacional de reprodução e conservação coordenado com instituições chinesas.
O próprio Copenhagen Zoo explica que eventuais filhotes pertencem à China e retornam ao país para integrar o programa de reprodução. A dinâmica também significa que a lista de pandas fora da China está em constante mudança. Em 2026, por exemplo, Atlanta voltou a receber dois animais, enquanto Beauval se prepara para devolver duas pandas e os Países Baixos se despedem de Lang Yue. Na Coreia do Sul, duas pandas jovens também têm retorno previsto para o fim do ano.
Para o turismo, essa movimentação cria uma espécie de mapa internacional dos pandas. Quem deseja conhecer a espécie sem viajar até a China pode encontrá-la hoje em 16 países, mas precisa considerar que os animais e os próprios acordos de cooperação mudam ao longo do tempo. A lista de outubro de 2026 reúne 42 pandas, mas esse número deve ser alterado pelas próximas transferências e repatriações.
*Com informações de CNN e Super Interessante.







