
O Cristo Redentor, no alto do Corcovado, no Rio de Janeiro, foi inaugurado em 12 de outubro de 1931 e, ao longo das décadas, tornou-se um dos principais símbolos da cidade e do Brasil. A construção do monumento começou em 1926 e foi concluída cinco anos depois, envolvendo arquitetos, engenheiros, escultores e centenas de trabalhadores. A estrutura também entrou para a lista das Novas Sete Maravilhas do Mundo em 2007, após uma votação popular internacional que reuniu mais de 100 milhões de votos.
Localizado no alto do Corcovado, dentro do Parque Nacional da Tijuca, o monumento tem 30 metros de altura, sem considerar o pedestal de 8 metros. A estrutura é formada por concreto armado e revestida por milhares de fragmentos de pedra-sabão. Segundo a New7Wonders, os braços da estátua se estendem por 28 metros.
O reconhecimento internacional veio em 7 de julho de 2007, quando o Cristo Redentor foi anunciado oficialmente como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. A lista também inclui a Grande Muralha da China, Petra, Chichén Itzá, Coliseu, Machu Picchu e Taj Mahal. De acordo com a organização responsável pela eleição, não existe uma classificação entre os sete monumentos.
Para o turismo brasileiro, o reconhecimento reforçou a posição do monumento como um dos principais pontos de interesse do Rio de Janeiro. A própria campanha das Novas Sete Maravilhas passou pelo Brasil antes da votação. Em 2007, a equipe do projeto visitou o Corcovado e realizou uma cerimônia relacionada à candidatura do monumento, com participação de representantes do setor turístico e de autoridades.
Cristo Redentor exigiu engenharia para ser construído no Corcovado

Antes de assumir a forma pela qual é conhecido atualmente, o projeto passou por mudanças. O engenheiro e arquiteto Heitor da Silva Costa venceu um concurso nacional em 1921, mas sua primeira proposta era diferente da atual. Conhecida posteriormente como “Cristo da Bola”, a ideia recebeu críticas e acabou sendo substituída.
A concepção do Cristo com os braços abertos surgiu a partir de um conceito visual desenvolvido pelo pintor Carlos Oswald. A parte escultórica ficou sob responsabilidade do escultor franco-polonês Maximilien Paul Landowski, que trabalhou a partir de uma miniatura de gesso. Landowski, porém, não chegou a visitar o Brasil para acompanhar pessoalmente a obra depois de sua conclusão.
A miniatura tinha quatro metros de altura e serviu como referência para chegar às proporções definitivas da estátua. Para ampliar o modelo sem perder suas características, foi utilizado um método baseado em quadrículas. Arames acompanhavam o contorno da escultura e seus formatos eram transferidos para folhas de papel quadriculado, permitindo registrar diferentes seções e reproduzi-las em escala maior.
Como não poderiam ser transportadas inteiras, as estruturas do Cristo foram divididas em partes e enviadas ao Rio de Janeiro em aproximadamente 50 caixas, acompanhadas das orientações necessárias para a montagem. No Brasil, a execução contou com profissionais como o mestre de obras Heitor Levy e o engenheiro fiscal Pedro Fernandes Viana. O engenheiro francês Albert Caquot também participou dos cálculos estruturais.
A estrutura foi construída com concreto armado, solução que combinava uma armação metálica com concreto para garantir resistência. Apesar da aparência externa de um grande bloco maciço, o monumento é oco e possui uma organização interna semelhante à de um edifício.
São 13 níveis formados por lajes vazadas e elementos diagonais responsáveis por reforçar a estrutura. No nono nível existe um coração, incluído no projeto a pedido do cardeal-arcebispo Dom Sebastião Leme e associado ao Sagrado Coração de Jesus. Os braços foram projetados em balanço, sem uma sustentação externa visível. Os cálculos de Albert Caquot foram fundamentais para definir como eles poderiam permanecer projetados para os lados sem comprometer a estabilidade.
Transporte de materiais também fez parte da obra

A localização do monumento criou outro desafio: levar materiais e trabalhadores até o alto do Corcovado. Grande parte dos materiais utilizados na construção foi transportada por trem, aproveitando a estrutura ferroviária que chegava ao topo do morro. Para obter a água necessária à produção do concreto, foram utilizados recursos bombeados de uma nascente local.
A fundação foi construída diretamente sobre a rocha do Corcovado. Quatro grandes vigas foram cravadas para formar a base do pedestal, depois de uma parte da rocha ter sido dinamitada. A construção avançou progressivamente, seguindo uma lógica semelhante à de um edifício, mas em uma área sujeita a ventos, chuvas e descargas elétricas.
Depois da montagem da estrutura, foram instaladas as mantas metálicas que acompanhavam os desenhos produzidos a partir do modelo. Sobre essa armação, o concreto foi aplicado até que o monumento assumisse a forma final.
O revestimento também exigiu um processo específico. A superfície recebeu pedra-sabão, material escolhido por características como resistência à erosão e baixa absorção de água. Segundo informações do Santuário Cristo Redentor, a pedra foi cortada em milhares de pequenos triângulos e aplicada sobre a estrutura.
O material também aparece na história do trabalho de mulheres envolvidas na preparação dos revestimentos. Elas cortavam as pedras e colavam os fragmentos em cartolinas, formando pequenos mosaicos que posteriormente eram levados ao Corcovado. A estimativa apresentada no material de origem é de pelo menos um milhão de pedaços de pedra-sabão no revestimento do monumento.
Manutenção acompanha a história do monumento

A exposição permanente ao clima do Corcovado faz com que o Cristo Redentor também dependa de trabalhos de conservação. Chuva, vento e descargas elétricas podem provocar danos à estrutura e exigir reparos.
Em determinadas áreas, profissionais utilizam andaimes. Em outras, técnicas de rapel são necessárias para alcançar partes da estátua. O trabalho de manutenção mantém uma relação direta com as mesmas características que fizeram da construção original um desafio de engenharia: altura, exposição ao clima e dimensões da estrutura.
Quase um século depois da inauguração, o Cristo Redentor permanece integrado à paisagem turística do Rio de Janeiro. A escolha do monumento como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo, em 2007, acrescentou ao ponto turístico uma projeção internacional. A lista oficial da New7Wonders registra o Cristo como uma das sete maravilhas escolhidas por votação global, ao lado de monumentos históricos localizados em outros seis países.
*Com informações de Aventuras na História.







