
A partir de julho de 2026, visitantes que se hospedarem em hotéis de Edimburgo pagarão uma taxa extra de 5% sobre o valor da diária. A medida, pioneira no Reino Unido, acendeu um efeito dominó: metade dos conselhos locais da Escócia já estuda adotar tributos semelhantes, e a tendência começa a se espalhar por Gales, Irlanda do Norte e partes da Inglaterra, segundo o Skift.
O objetivo? Lidar com o overtourism — excesso de turistas que pressionam infraestruturas locais, encarecem a moradia e, muitas vezes, prejudicam a experiência tanto dos visitantes quanto dos moradores.
Durante a temporada de festivais em Edimburgo, uma cidade com cerca de 500 mil habitantes, mais de 4 milhões de visitantes circulam pelas ruas históricas. Essa avalanche de turistas exige gastos com limpeza, segurança, manutenção e transporte — tudo isso bancado, majoritariamente, pelos próprios residentes.
Com o governo escocês impedido de criar impostos nacionais sem aval do Tesouro britânico, a solução foi descentralizar: permitir que cada município crie seu próprio modelo de taxa turística.
“As comunidades precisam ter um retorno financeiro do turismo, além de um mecanismo para reduzir o impacto ambiental, como as emissões dos navios”, afirmou Ross Greer, parlamentar do Partido Verde escocês.
Cruzeiristas também na mira
A taxação vai além dos hotéis e acomodações. Portos escoceses estudam cobrar taxas de passageiros de cruzeiros, proposta que já conta com apoio até do turístico conselho das Ilhas Orkney.
Em 2023, a Escócia recebeu 1,2 milhão de cruzeiristas, quase metade de todos os que desembarcaram no Reino Unido. A indústria de cruzeiros, no entanto, teme que a medida espante operadores para destinos concorrentes com menos encargos.
“Existem outras opções. O que não queremos é que a Escócia seja vista como um destino hostil para cruzeiros”, disse Andy Harmer, diretor da Cruise Line Industry Association UK & Ireland.
E a Inglaterra?
Embora sem os mesmos poderes regionais da Escócia, algumas áreas inglesas acompanham com atenção. O Distrito dos Lagos, por exemplo, que recebe cerca de 20 milhões de turistas por ano, já publicou um estudo sobre os potenciais impactos e benefícios de um tributo local.
A cidade de Manchester já cobra uma taxa semelhante via seu Business Improvement District — mas, por enquanto, é um caso isolado.
Tendência global
Cidades como Veneza, Amsterdã e Barcelona já aplicam taxas semelhantes. Algumas conseguiram reduzir o impacto do turismo de massa e aumentar a receita local. Outras enfrentaram reações negativas, desafios legais ou viram turistas migrarem para cidades vizinhas livres de cobrança.
O que parece certo, porém, é que a era do turismo 100% “free ride” está chegando ao fim — pelo menos no Reino Unido.







