
SÃO PAULO – Ilhabela quer virar a chave — e está fazendo isso pela natureza. Embora o arquipélago seja sinônimo de praia e verão, a nova campanha de promoção turística da cidade aposta no ecoturismo e nas experiências de aventura para atrair visitantes em todas as estações. O objetivo é claro: movimentar a economia local o ano inteiro, de forma sustentável, valorizando as riquezas naturais da ilha.
Entre os atrativos em destaque estão as trilhas preservadas, cachoeiras escondidas no meio da mata, provas de corrida e ciclismo, roteiros de mergulho e, mais recentemente, a observação de baleias.
“Desde 2013 a gente vem trabalhando com foco no turismo de natureza. O sol e praia já são uma imagem consolidada, agora é hora de mostrar que Ilhabela tem muito mais para oferecer, inclusive fora da alta temporada”, explica o secretário de Turismo, Harry Finger.
A ideia é usar o ecoturismo como vetor de desenvolvimento. Para isso, a cidade vem estruturando trilhas, mapeando pontos de observação, promovendo capacitações com guias locais e incentivando o turismo responsável. Hoje, mais de 80% da ilha está dentro de área de preservação ambiental — o que a torna um laboratório a céu aberto para a prática de um turismo mais consciente e conectado à natureza.
Além da beleza cênica, Ilhabela também aposta no calendário esportivo para manter o fluxo turístico em meses alternativos. Corridas de montanha, campeonatos de ciclismo, natação e a tradicional Semana Internacional de Vela — que deu à cidade o título de Capital Nacional da Vela — ajudam a preencher os hotéis e movimentar bares, restaurantes e comércio local.
A cereja do bolo tem sido a observação de baleias, um fenômeno cada vez mais frequente na região. Em 2023, foram registrados 702 avistamentos de cetáceos no canal de Ilhabela, entre baleias-jubarte, baleias-de-bryde e golfinhos. Um número que impressiona e já movimenta agências especializadas em passeios náuticos.
“A gente está cuidando disso com muita responsabilidade. Criamos protocolos de segurança, credenciamento de embarcações, orientações aos visitantes e incentivo à pesquisa científica. As baleias são um presente da natureza e merecem nosso respeito”, reforça Finger.
Hoje, Ilhabela recebe cerca de 1,2 milhão de turistas por ano, sendo 230 mil deles vindos dos cruzeiros marítimos. “A gente costuma dizer que o cruzeirista é um turista de degustação. Ele vem, conhece um pouco e volta depois para explorar de verdade. Por isso, é tão importante ampliar nosso portfólio de experiências”, explica o secretário.
A cidade também integra a Rota Verde e Azul, uma iniciativa conjunta com outras cidades do Litoral Norte para fortalecer o turismo ligado à Mata Atlântica. A proposta é criar um corredor sustentável entre Rio de Janeiro e São Paulo, com destaque para destinos como Ubatuba, Caraguá, São Sebastião e Ilhabela.
Outro ponto forte da gestão tem sido a inclusão das crianças nesse processo de transformação. Por meio de projetos de educação ambiental nas escolas, o município tem formado pequenas lideranças locais para cuidar do território. “O turismo precisa estar ligado à comunidade, à cultura e à conservação. E tudo começa com a educação”, diz Finger.
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