
O Brasil começou 2026 com um sinal claro de recuperação e força no turismo internacional. Dados da nova edição da Revista Tendências do Turismo mostram que o país concentrou 40% de todas as passagens aéreas emitidas no exterior com destino à América do Sul no primeiro trimestre do ano.
O número não vem sozinho. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve um crescimento de 16% na emissão de bilhetes internacionais para o Brasil. O dado, baseado em informações da plataforma Amadeus, reforça o protagonismo do país no mapa global de viagens.
Na leitura do setor, o movimento indica mais do que volume. Existe uma retomada consistente da confiança do turista estrangeiro, que volta a olhar para o Brasil como destino prioritário na região.
Rio e São Paulo seguem líderes, mas cenário começa a mudar
Quando o assunto é porta de entrada, dois destinos continuam dominando. O Rio de Janeiro lidera com 38% do total de passagens internacionais e ainda registra crescimento de 14% em relação ao ano passado. São Paulo aparece na sequência, com 24% de participação e avanço de 7%.
Mas o dado mais interessante aparece fora desse eixo tradicional.
Estados como Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul tiveram os maiores crescimentos percentuais do país, com altas de 73% e 54%, respectivamente. Pernambuco também aparece bem posicionado, com 26% do volume total, consolidando o Nordeste como protagonista na expansão recente.
Esse movimento mostra uma descentralização gradual do fluxo internacional, com novos destinos ganhando espaço na escolha do turista.
O que explica esse avanço do Brasil no turismo internacional
1. Interesse global em experiências locais
Cada vez mais, o turista quer viver o destino. Não basta visitar pontos turísticos clássicos, existe uma busca por cultura, gastronomia e vivências reais.
2. Influência das redes sociais
O desejo de viajar passa diretamente pelo digital. Vídeos, fotos e relatos têm direcionado escolhas e colocado destinos brasileiros em evidência.
3. Grandes eventos e visibilidade internacional
Eventos culturais, esportivos e até festivais ajudam a manter o Brasil no radar global.
4. Produções audiovisuais
Filmes e séries seguem influenciando decisões de viagem e despertando curiosidade por cenários brasileiros.
5. Melhor percepção de custo-benefício
Mesmo com um turista mais exigente, o Brasil ainda aparece como um destino competitivo em relação a preço e experiência.
6. Crescimento do turismo de bem-estar
Roteiros ligados à natureza, saúde e reconexão ganham força e favorecem destinos nacionais.
7. Uso de inteligência artificial no planejamento
Ferramentas digitais já fazem parte da jornada do viajante, ajudando na organização e personalização das viagens.
Os destinos do Brasil mais buscados na internet

Outro ponto que chama atenção é o comportamento online dos viajantes. O levantamento mostra quais são os lugares mais pesquisados na internet quando o assunto é Brasil.
Entre os líderes estão:
- Cristo Redentor
- Pão de Açúcar
- Cataratas do Iguaçu
- Chapada Diamantina
- Lençóis Maranhenses
Além dos clássicos, alguns destinos urbanos ganharam destaque recente. A Catedral de Brasília e a Avenida Paulista registraram crescimento expressivo nas buscas, indicando um interesse maior por experiências urbanas e culturais.
Turista está mais estratégico e exigente
A edição também aponta uma mudança clara no comportamento do viajante. Hoje, o planejamento é mais cuidadoso, com comparação de preços, análise de experiências e uso intenso de tecnologia. A inteligência artificial aparece como aliada nesse processo, ajudando a montar roteiros personalizados, sugerir atividades e até prever custos.
Ao mesmo tempo, o turista não abre mão da qualidade. Existe uma combinação entre busca por economia e desejo de experiências mais completas.
O impacto direto no setor de turismo
Para quem trabalha com turismo, os dados funcionam como um termômetro importante. Eles mostram onde estão as oportunidades e como o mercado está se reorganizando. Segundo Fábio Montanheiro, gerente de Inteligência de Dados e Competitividade, a leitura desses números ajuda a antecipar movimentos e orientar estratégias.
“A ideia é transformar esse interesse em negócios concretos, alinhando o setor às novas demandas do viajante”, afirma.
Isso significa adaptar produtos, criar experiências mais conectadas com o perfil atual do turista e investir em promoção direcionada.
Brasil segue forte, mas disputa está mais acirrada
Mesmo com a liderança, o cenário não é de acomodação. Outros destinos da América do Sul também buscam espaço e investem em promoção internacional. O diferencial do Brasil, neste momento, está na diversidade. O país consegue reunir natureza, cultura, gastronomia e grandes cidades em uma mesma viagem, algo difícil de replicar.
Esse conjunto ajuda a explicar por que o Brasil mantém a posição de destaque e segue ampliando sua participação no fluxo internacional. Se o ritmo do primeiro trimestre continuar, 2026 pode consolidar um novo momento para o turismo internacional no Brasil. A tendência é de crescimento sustentado, com maior diversificação de destinos e um turista cada vez mais conectado, exigente e interessado em experiências reais.







