
Os funcionários da SPdH/Menzies (anteriormente Groundforce), em Lisboa, Portugal, iniciaram uma greve prolongada por cinco fins de semana, que começou em 25 de julho de 2025 e seguirá até o início de setembro. Eles reivindicam direitos trabalhistas.
A SPdH (Serviços Portugueses de Handling) era originalmente uma empresa portuguesa que prestava serviços de assistência em terra nos aeroportos, como: movimentação de bagagens, check-in e embarque de passageiros, limpeza e abastecimento das aeronaves no solo, carga e descarga. Agora, pertence à Menzies Aviation, uma empresa multinacional britânica especializada em serviços aeroportuários.
Os motivos da paralisação incluem:
- salários-base acima do mínimo nacional (cerca de €870, quase R$ 5.550 em 2025);
- pagamento das horas noturnas.Melhores condições salariais gerais;
- manutenção do acesso ao parque de estacionamento nas mesmas condições anteriores.
O sindicato alega que a empresa estaria violando direitos de greve, recorrendo a escalas abusivas, convocações em dias de folga, substituições por temporários e manipulação de turnos. Denúncias que estão sendo apresentadas formalmente às autoridades competentes.
IMPACTOS
A greve da SPdH/Menzies atinge nacionalmente os aeroportos onde a empresa opera (Lisboa, Porto, Faro, Madeira, Açores). Porém, o maior impacto real até agora tem ocorrido em Lisboa, onde há mais voos, mais passageiros e maior dependência dos serviços da Menzies.
Aeroporto de Lisboa (Humberto Delgado)
Segundo fonte sindical, até o fim de sábado, cerca de 40 voos foram cancelados, vários atrasos, e muitos voos partiram sem bagagens despachadas. Já no domingo, foram contabilizados 14 cancelamentos, 33 atrasos, e muitos passageiros chegaram aos voos sem suas malas.
Porém, em comunicado divulgado na tarde de sábado, a Menzies Aviation indicou que até aquele momento “a greve havia causado apenas perturbações mínimas em Lisboa, sem impacto em outras escalas”.
Ainda de acordo com o sindicato, os efeitos na logística das bagagens serão sentidos por cerca de uma semana, com acúmulo significativo e atrasos na entrega.
Lisboa opera cerca de 720 movimentos diários na alta temporada — entre decolagens e pousos. Com até 30 % dos voos afetados, estima-se que cerca de 65 mil passageiros tenham sofrido algum tipo de impacto (atrasos, cancelamentos ou bagagens perdidas) apenas no primeiro fim de semana. Esse número inclui conexões de brasileiros via Portugal.
Embora não haja ainda estimativas oficiais sobre perdas financeiras, paralisações no pico de verão tendem a gerar prejuízos por cancelamentos, reservas de hotéis, transporte terrestre e eventual realocação, além de prejuízo à reputação.
Serviços mínimos e segurança
O Tribunal Arbitral determinou serviços mínimos obrigatórios para voos de emergência, militares, da TAP em night-stop na Europa e ligações entre Lisboa/Açores e Porto/Madeira e Açores .
Ainda assim, trabalhadores denunciam falhas operacionais como cross-check de documentos não sendo realizado, não retirada da bagagem de mão, e procedimentos que colocam em risco a segurança nos voos
Orientações para passageiros
– se tiver voo marcado para esses finais de semana, entre em contato com a companhia aérea antes de ir ao aeroporto — podem reprogramar ou cancelar;
– prefira viajar com bagagem de mão somente, para minimizar problemas caso a bagagem despachada não acompanhe o voo;
– planeje chegar com bastante antecedência, já que o check‑in e carregamento de bagagens devem demorar muito mais do que o habitual.
Cronograma das próximas greves:
- 08 a 11 de agosto
- 15 a 18 de agosto
- 22 a 25 de agosto
- 29 de agosto a 1 de setembro
Reiterando seu “compromisso com a legalidade, condições de trabalho justas e diálogo aberto e respeitoso”, Menzies enfatizou que não retomará “nenhum tipo de diálogo enquanto a greve continuar”.







