Latam
Aline Mafra, diretora de Marketing e Vendas da Latam Brasil

SÃO PAULO – A Latam mantém a estratégia de crescimento no Brasil mesmo diante de um cenário de custos pressionados e maior movimentação dos concorrentes no mercado doméstico e internacional. Durante a Abav Expo 2026, Aline Mafra, diretora de Marketing e Vendas da Latam Brasil, destacou ao M&E que a companhia trabalha com uma expansão considerada sustentável e vê a chegada dos novos Embraer E2 como uma ferramenta para ampliar a malha, criar novos destinos e aumentar frequências de forma mais racional.

Segundo a executiva, a Latam passou de 44 destinos no período pós-pandemia para 63 atualmente. Nos últimos dois anos, foram seis novos destinos, enquanto a primeira fase da expansão com os E2 prevê quatro novas cidades: Paraná, Rondonópolis, Macaé e Cabo Frio.

Além da abertura de mercados, a aeronave permitirá criar ligações diretas entre cidades já atendidas pela companhia. Entre os exemplos estão Campinas–Boa Vista, Curitiba–Cuiabá, Curitiba–Londrina e Brasília–Ribeirão Preto.

“O E2 chega para ser uma nova ferramenta para a gente ampliar todas as combinações de lógica de mercado”, afirmou Aline.

A executiva explica que a aeronave também poderá ser utilizada para aumentar a oferta em mercados nos quais a demanda não justificaria necessariamente a operação de aeronaves maiores. Em vez de substituir um A320 por outro voo de mesma capacidade, por exemplo, a companhia poderá utilizar dois E2, ampliando frequências e opções de horários.

Trade participa da construção da malha

A Latam também vem utilizando o relacionamento com o trade para apresentar a estratégia de expansão e, ao mesmo tempo, colher informações que podem ajudar na definição das próximas fases da malha. A companhia realizou três eventos com o mercado em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, para apresentar os novos movimentos e explicar a lógica por trás da construção da rede.

“Dividir com o trade a nossa lógica de construção de malha ajuda essa retroalimentação. Se a Latam está pensando em novas ligações, se a Latam quer cobrir o Centro-Oeste, isso é uma espiral muito positiva”, disse.

Para Aline, o mercado corporativo é uma fonte especialmente relevante de informações para identificar oportunidades que ainda não aparecem nos dados públicos. Além de indicadores como população, PIB e perfil de emissão e recebimento de turistas, a companhia busca entender os projetos futuros das empresas e seus planos de expansão.

“Tem uma variável que é a mais forte da gente ouvir, porque os números ou a gente não tem acesso ou eles ainda não existem: é das empresas”, explicou.

A executiva cita como exemplo uma companhia que esteja planejando um projeto em uma cidade onde ainda não há demanda aérea consolidada. Nesse caso, a informação antecipada do cliente corporativo pode ajudar a companhia aérea a identificar uma oportunidade antes que ela apareça nas estatísticas tradicionais.

Concorrência não muda estratégia

O aumento da atuação de outras companhias brasileiras em mercados internacionais e no segmento corporativo, áreas nas quais a Latam investiu fortemente nos últimos anos, não deve provocar mudanças na estratégia da empresa.

Para Aline, a entrada dos concorrentes em determinados mercados é um movimento natural diante do potencial do Brasil como emissor e receptor de turistas. A Latam, por sua vez, pretende manter o foco em investimentos considerados sustentáveis e em movimentos calculados de expansão.

“Ver os nossos concorrentes apostando em alguns mercados não muda o que a gente tem de estratégia. A gente tem muita certeza do que criou, do que acredita e de qual é a necessidade do nosso cliente”, afirmou.

A executiva cita como exemplo a expansão internacional dos últimos anos, com destinos como Bruxelas, Amsterdã, Cidade do Cabo e Punta Cana, além de operações sazonais. Segundo ela, os movimentos são avaliados de forma criteriosa, sem uma política de abertura de rotas baseada apenas na competição.

Premium Comfort e experiência

A estratégia também passa pela evolução do produto. A Latam destaca a Premium Comfort, apresentada como um produto inédito entre as companhias brasileiras, como uma alternativa para passageiros que buscam mais conforto sem necessariamente migrar para uma tarifa de Business.

Aline também relaciona o crescimento da companhia ao desempenho do programa de fidelidade e à necessidade de acompanhar a evolução do perfil dos passageiros frequentes. Com o aumento da base de clientes nos níveis superiores, a empresa afirma estar ampliando investimentos em salas VIP e atendimento especializado.

A executiva cita a expansão da área de lounges, que passa de menos de 2 mil metros quadrados para mais de 4 mil metros quadrados, além de investimentos em Special Service.

“Nosso crescimento está muito mais envolvido com a resposta que o passageiro está dando para a gente do que com o que os nossos concorrentes estão fazendo”, afirmou.

Primeiro E2 chega em dezembro

Como já vimos aqui, a primeira fase de expansão com os novos Embraer E2 já tem cronograma definido. A Latam participará, na próxima semana, dia 07 de outubro, de uma cerimônia na Embraer para marcar a entrega do primeiro avião.

A previsão da primeira decolagem está programada para 03 de dezembro. A chegada da nova frota abre, assim, uma nova etapa do plano de expansão da companhia no mercado brasileiro.

Para Aline, a velocidade entre o anúncio da frota e sua entrada efetiva em operação mostra a dimensão do movimento. “Imagina a chegada de uma frota que costuma ser uma janela enorme. Em menos de um ano e meio, a gente já vai assistir a uma grande mudança. It’s happening”, afirmou.