Voo da Emirates declara emergência por baixo combustível após duas arremetidas em Miami
Voo da Emirates pousa em Miami com mínimo nível de combustível (Divulgação/Emirates)

Um voo da Emirates declarou emergência após enfrentar dificuldades para pousar no Aeroporto Internacional de Miami, nos Estados Unidos. O voo EK213, operado por um Boeing 777-300ER com 328 passageiros a bordo, precisou realizar duas arremetidas antes de aterrissar em segurança, depois de mais de 17 horas de viagem entre Dubai e Miami.

A aeronave, de matrícula A6-EQE, fazia aproximação para a pista 09 quando os pilotos abortaram a primeira tentativa de pouso devido a ventos cruzados, baixa visibilidade e turbulência provocados por tempestades que atingiam a região da Flórida na manhã de domingo.

Emergência foi declarada após segunda tentativa frustrada

Depois da primeira arremetida, a tripulação alertou o Controle de Tráfego Aéreo sobre o baixo nível de combustível. Na sequência, os pilotos chegaram a sugerir alternar o pouso para o aeroporto de Fort Lauderdale, próximo a Miami.

Os controladores, porém, recomendaram uma nova aproximação pela pista 12 do aeroporto de Miami, considerada mais adequada diante das condições meteorológicas.

A segunda tentativa também acabou frustrada. Quando o Boeing da Emirates se aproximava para pouso, um Boeing 767 que havia acabado de aterrissar demorou para liberar a pista, obrigando a torre a ordenar nova arremetida.

A partir desse momento, toda a prioridade operacional foi direcionada ao voo EK213, que conseguiu pousar em segurança pouco depois.

Investigação vai apurar nível crítico de combustível

O episódio abriu questionamentos sobre a quantidade de combustível remanescente na aeronave no momento da emergência. Em operações de longo curso, aviões costumam decolar com combustível suficiente para seguir ao destino e ainda alternar para aeroportos reservas em caso de necessidade.

Especialistas apontam que duas arremetidas em um Boeing 777 podem consumir cerca de seis toneladas de combustível, mas avaliam que isso, isoladamente, não deveria levar uma aeronave a uma condição crítica.

Segundo o comandante e instrutor de voo Fernando Pamplona, será importante determinar se a tripulação declarou condição de “minimum fuel” ou “mayday fuel”.

“Na condição de ‘minimum fuel’, a tripulação informa que não possui combustível para espera prolongada. Já o ‘mayday fuel’ significa que o avião não tem mais autonomia para seguir para outro aeroporto e precisa pousar imediatamente”, explicou.

De acordo com Pamplona, o voo pode ter entrado inicialmente em condição de “minimum fuel” após a primeira arremetida e evoluído para “mayday fuel” depois da segunda tentativa frustrada.

Ventos fortes no Atlântico podem ter aumentado consumo

Uma das hipóteses analisadas é que a aeronave tenha enfrentado fortes ventos contrários durante a travessia do Oceano Atlântico, aumentando o tempo de voo e o consumo de combustível.

Dados do serviço Flightradar24 indicam que o voo durou 17 horas e 16 minutos — acima do tempo habitual da rota Dubai-Miami, normalmente concluída entre 15h30 e 16h30.

Pamplona também destacou que voos de longa distância utilizam um procedimento chamado “reclearance”, no qual a quantidade de combustível é reavaliada em pontos específicos da rota.

“Se a aeronave chega a determinado ponto com combustível abaixo do previsto, pode ser necessário pousar para reabastecimento. Isso pode ocorrer por ventos fortes inesperados, desvios meteorológicos ou restrições de tráfego aéreo”, afirmou.

As autoridades aeronáuticas devem investigar as circunstâncias da operação e avaliar se todos os protocolos de planejamento e gerenciamento de combustível foram seguidos pela companhia aérea.