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A Amazônia pode não estar em chamas, mas o turismo brasileiro não deve correr risco!

As fotos assustadoras de queimadas (antigas ou recentes) na Amazônia brasileira podem ser uma distorção da realidade – os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o número de focos de fogo está muito longe dos picos atingidos entre 2002 e 2007 –, mas são também, infelizmente, uma fonte de grande preocupação. Em primeiro lugar é a angústia dos moradores da região, sejam índios, caboclos ou habitantes das grandes cidades, que estão vendo o seu meio ambiente e a sua qualidade de vida ameaçados. É a tristeza de todos os brasileiros que ficam solidários e preocupados com o futuro desse patrimônio nacional cuja soberania traz a responsabilidade de proteger e desenvolver. É, no mundo inteiro, a incompreensão dos amigos do Brasil e dos defensores do meio ambiente que só recebem notícias distorcidas e ausências de soluções.

Além de compartilhar essa tristeza e essa solidariedade, os profissionais do turismo são também colocados à frente das consequências dessa emoção mundial sobre o setor, tanto emissivo quanto receptivo. As trocas de mensagens e de vexames entre os responsáveis políticos deixam apreensivos os viajantes brasileiros sobre o atendimento em vários países da linha de frente da luta ecológica, e muitos parceiros estrangeiros ficam preocupados em vir fazer promoção no Brasil para não associar a sua imagem a um assim chamado desastre ecológico. Para o turismo receptivo, as consequências dos artigos negativos das revistas do trade internacional podem ser maiores ainda, não somente na Amazônia mas também nas outras regiões do País.

Mesmo se as soluções estão muito além do turismo, os profissionais brasileiros devem também contribuir nesta batalha de comunicação. Não devem desprezar as críticas nem as suas fontes. Mesmo ilustradas com imagens antigas, mesmo baseadas em estatísticas distorcidas, mesmo motivadas pelo forte antagonismo político contra o atual governo, as emoções são sinceras e devem ser respondidas com atenção e pedagogia. A primeira reação deve ser, sem dúvida, de não negar o problema. Há, sim, incêndios na Amazônia, milhares de queimadas causadas pelo preparo das roças de índios ou caboclos até grandes ações de desmatamento ilegal. Estas últimas são reais no sul do Pará, no Acre ou em Rondônia e nas beiras das grandes estradas como a Cuiabá – Santarém, onde o cultivo da soja está se aproximando do Parque do Tapajós.

Mas é importante, ao mesmo tempo, informar as operadoras e agências de viagens da Europa ou América do Norte do tamanho exato do problema e, especialmente, do fato que 85% dos 4 milhões de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica são ainda hoje completamente preservados, e que os 25 milhões de habitantes da região (dos quais 250 mil índios) estão comprometidos com o desenvolvimento sustentável. Devemos lembrar a todos que não houve incêndios incontroláveis na ilha de Marajó, nas margens dos riosTapajós ou Negro e que Manaus e Belém não tiveram nenhuma destruição do seu fascinante patrimônio. A todos aqueles que querem ajudar a Amazônia devem dizer que o turismo é um dos setores mais envolvidos na valorização do meio ambiente, bem como na ajuda às comunidades ribeirinhas ou ao moradores das cidades da região. No Marajó, em Belém, no Tapajós, em Manaus, no Rio Negro, em Novo Airão, Barcelos ou no Acre, o turismo continua sendo uma formidável oportunidade de desenvolvimento que deve tirar as lições da crise atual, mas não merece ser afetada por ela.

Jean Philippe Pérol

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