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Vive la différence: o Brexit favorecendo o turismo?

Se os políticos e os economistas do mundo inteiro foram muito negativos sobre as consequências do Brexit, os turistas internacionais parecem ter aprovado a decisão dos ingleses. Aproveitando uma queda da libra de quase 10% – a moeda atingiu seu nível mais baixo dos últimos 30 anos-, as entradas de turistas subiram 4,3% em julho. Se as chegadas da Europa ainda são fracas (em recuo de 1,8%, mas caiam  6,8% antes do plebiscito), a alta é puxada pelos os chineses, os americanos, os canadenses e a maior parte dos não-europeus que crescem 8,6%. E se ainda é cedo para desenhar tendências a longo prazo, a alta deve se prolongar nos próximos meses: as reservas da International Netbookings, que estavam em queda de 2,8% em maio, estão agora também em alta de 4,3%.

Os americanos são, há muito tempo, os mais numerosos turistas internacionais na Inglaterra. Foram 3,3 milhões em 2015, um crescimento de 10% em relação a 2014 e, segundo Visit Britain – a agência nacional de promoção do turismo, vários indicadores mostram que a popularidade do país cresceu depois do Brexit. Os números são bastante impressionantes na Internet: 38% de visitantes a mais no próprio site da VisitBritain, mas também 138% a mais nas pesquisas no site da British Airways nos Estados Unidos e 30% a mais no site e nas vendas da Expedia. Os hoteleiros ingleses confirmam um crescimento das reservas, especialmente os “last minut bookings”.

A  fraqueza da libra depois do Brexit é dada pelos profissionais como a primeira razão desse crescimento surpreendente. Num destino visto há anos como muito caro, ela não somente impulsionou as reservas internacionais, mas impactou também as viagens dos próprios britânicos. Com um poder aquisitivo diminuído e já impactando os destinos ligados ao dólar,  eles estão  aumentando sua procura de viagens domésticas, e a  Airbnb já anunciou que a  procura de apartamentos no mercado inglês subiu 122% desde o plebiscito. Essa tendência favorecendo as “staycations” está sendo observada também pela Expedia.

O maior impacto do Brexit sobre o turismo na Grã Bretanha deverá, porém, se medir em termos de imagem. Em primeiro lugar pelo reposicionamento de preços que os hoteleiros já perceberam e ampliaram com uma série de iniciativas para dar aos visitantes “more value for money”, oferecendo up-grades, diárias de cortesia ou serviços complementares. A libra barata reforça a atratividade da marca, e deve aumentar ainda mais sua força nas clientelas mais jovens e nos mercados emergentes.

Mas o maior impulso dado a imagem do país será 0 de mostrar a sua diferença. Enquanto os destinos turísticos devem cada vez mais mostrar uma identidade forte e um conteúdo que justifica a escolha de viajantes internacionais cada vez mais experientes, o novo posicionamento britânico vai ser uma extraordinária oportunidade. Frente a uma Europa onde a “harmonização” poderia levar a uma banalização, a Grã-Bretanha poderá atrair ainda mais pela sua peculiaridade. Para os destinos turísticos,  é importante lembrar que “Vive la différence”.

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