Angra dos Reis aprova taxa de turismo e valor pode chegar a R$ 95 na Ilha Grande
Medida visa financiar ações de preservação e segurança, mas enfrenta resistência de moradores (Daniel R Carneiro)

Agora é oficial: Angra dos Reis terá taxa de turismo a partir de janeiro de 2026. A nova Taxa de Turismo Sustentável (TTS), sancionada pelo prefeito Cláudio Ferreti (MDB) por meio da Lei 4507/2025, vai cobrar de visitantes valores que podem chegar a R$ 95 para acesso à Ilha Grande. O objetivo, segundo a Prefeitura, é financiar ações de preservação ambiental, infraestrutura turística e segurança pública.

O município, que recebe cerca de 1,8 milhão de turistas por ano, sendo 1,2 milhão apenas na Ilha Grande, terá agora uma cobrança unificada que substitui três tributos antigos: Preservação Ambiental, Turismo e Embarque/Desembarque. “A medida busca garantir que o impacto do turismo seja revertido em melhorias reais para a cidade e seus moradores”, afirmou o governo municipal em nota.

A implantação será gradual: em 2026, o valor cobrado terá desconto de 50%; em 2027, o desconto cai para 25%; e, a partir de 2028, o valor integral passa a valer. A taxa será calculada conforme o destino e o tempo de permanência. Para até sete dias, o visitante pagará R$ 23,75 no continente e R$ 47,50 para a Ilha Grande, com diárias adicionais de R$ 2,37. Quem já tiver pago no continente pagará apenas a diferença ao seguir para a ilha.

A Prefeitura afirma que os recursos serão destinados a projetos de saneamento básico, preservação ambiental e segurança pública. Entre as metas estão o “Esgoto Zero” e o “Lixo Zero” até 2028, a implantação do Observatório do Turismo, revitalização de cais estratégicos e reforço da segurança com câmeras inteligentes e agentes do Proeis.

Segundo o prefeito, a criação da TTS “é fruto de diálogo com moradores e o trade turístico”. O texto original da lei foi alterado após forte reação local. “O novo formato foi construído coletivamente, ouvindo todos os setores envolvidos”, destacou Ferreti.

Entre as isenções previstas, estão moradores do município, familiares de até segundo grau, prestadores de serviço, crianças até 12 anos e pessoas com mais de 60. Veículos cadastrados no Cadastur e pacotes turísticos adquiridos até dezembro de 2025, com embarques até julho de 2026, também ficarão isentos.

Protestos e tensão política

Mesmo com as mudanças, o clima é de tensão. Na quinta-feira (23), moradores da Ilha Grande protestaram na Câmara Municipal contra a cobrança, após o cancelamento de uma audiência pública sobre o tema. O deputado estadual Marcelo Dino (União) participou da manifestação e criticou a postura dos vereadores.

O protesto terminou em confusão quando uma apoiadora do vereador Dudu do Turismo (PP) teria tido comportamento ofensivo contra o deputado, que classificou o episódio como “desacato” e prometeu medidas legais.

Com a sanção da lei, Angra dos Reis se junta a outros destinos turísticos brasileiros que adotam taxas ambientais ou sustentáveis, uma tendência que cresce em regiões de alta pressão turística.

*Com informações de Folha do Aço