
Faltam 80 dias para o começo da COP30 em Belém do Pará. Nesta sexta-feira (22), durante encontro com representantes das delegações e a organização do evento, o Brasil divulgou que dos 196 países previstos, apenas 47 confirmaram presença no evento.
De um lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) sofre pressão internacional devido aos altos preços de hospedagem cobrados para o evento e querem que o subsídio ofertado seja maior e pediu que o próprio governo brasileiro ajudasse pagando parte das hospedagens para os países em desenvolvimento. Do outro, o Brasil, que recusou a proposta, cogita buscar apoio sem precisar utilizar recursos públicos.
O governo disse que vai fazer uma força-tarefa para acelerar o número de confirmações. Segundo a organização, um grupo técnico vai buscar as delegações para entender as principais dificuldades e buscar alternativas.
“Acreditamos que muitos países estavam esperando a reunião de hoje do bureau para ver o que traríamos como respostas. É uma inferência nossa. A ideia é termos um grupo de pessoas para ligar para os pontos focais dessas delegações para saber o que está acontecendo e como podemos ajudar”, explicou o secretário extraordinário, Valter Correia, que ainda disse que há 33 mil quartos individuais disponíveis e a ONU tinha solicitado 24 mil: “Seria o suficiente. O nosso problema é trazer isso a valores compatíveis com o poder aquisitivo”.
O governo informou que a maioria das hospedagens na cidade é particular, ou seja, não faz parte da rede hoteleira, e que, sobre os preços, tem tomado medidas como pedir a investigação de abuso, mas que “vivemos em uma democracia”.
“Somos uma democracia, temos limites de intervenção no setor privado. (…) Estamos negociando no limite para que os preços possam baixar em Belém”, explicou Miriam Belchior.
Países confirmados
Segundo a organização, 39 países, sendo a maioria em desenvolvimento, conseguiram hospedagens pela plataforma fornecida pelo governo federal.
Outros oito países fecharam acordo diretamente com hotéis: Egito, Espanha, Portugal, República Democrática do Congo, Singapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega.
Subsídios
Atualmente o orçamento diário, para alimentação e hospedagem, das delegações subsidiadas pela ONU é de US$ 140, cerca de R$ 756. Valor que está abaixo da metade do que está sendo cobrado apenas para hospedagem: US$ 350.
Segundo a organização da COP, em carta ao Brasil, a ONU pediu que o anfitrião subsidiasse as hospedagens para os países pobres. O pedido era de que, aos países pobres, fossem oferecidos US$ 100.
“O governo brasileiro se posicionou dizendo que já está arcando com custos significativos para a realização da COP. Por isso, não há como arcar com subsídio para delegações de outros países”, disse a secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e explicou que delegações que não conseguem arcar com os custos teriam pedido à ONU o aumento do subsídio, mas que teriam tido a resposta de que esse era um processo burocrático.
O governo ainda ponderou que a ONU deveria reconsiderar o desembolso, já que, se houvesse uma mudança de local, o subsídio pago teria que ser maior: em São Paulo ou Rio de Janeiro, por exemplo, o custo seria de mais de US$ 200.
“(…) Nós falamos claramente que o país não tem condição, mas que a ONU poderia subir um pouco a contribuição. Em qualquer cidade do mundo eles pagariam, não estamos pedindo o que pagariam em Bonn, mas o que pagariam em São Paulo e no Rio de Janeiro”, explicou Belchior.







