COP30: Impasse sobre preço de hospedagens em Belém continua; diplomata classifica cenário como “insanidade”
Governos brasileiro não se comprometeu com medidas para uma redução das tarifas (Divulgação/Agência Brasil/Fabiola Sinimbú)

Na última sexta-feira (22) o Secretariado da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) realizou mais uma reunião sobre os impasses que cercam a COP30 em Belém do Pará e o preço das hospedagens, considerado abusivo.

Enquanto o governo federal reafirma que todas as condições logísticas, inclusive de estadia e segurança, estão asseguradas para a capital paraense, os representantes de países pobres enxergam como indisposição das autoridades brasileiras para reduzir os preços de hospedagem na cidade-sede.

Hospedagem

Sobre tema mais crítico da reunião, o secretário extraordinário para a COP30, Valter Correia, reiterou que Belém possui uma oferta de 53 mil leitos, acima dos 50 mil estimados como necessários para a COP.

Já o representante da Casa Civil afirmou que novas hospedagens estão sendo incluídas na plataforma oficial, com mais de 2,6 mil quartos com diárias de até US$ 600.

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Para ajudar a destravar novas reservas para os negociadores, o governo criou uma força-tarefa que entrará em contato com cada delegação, mas não se comprometeu com medidas para uma redução forçada dos preços de hospedagem.

“O governo brasileiro já está arcando com custos significativos para a realização da COP, por isso não há como subsidiar delegações de países, inclusive de países que são mais ricos que o Brasil”, afirmou Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil.

Críticas

O vice-presidente do Bureau da COP Juan Carlos Monterrey Gómez criticou a organização brasileira para a COP30 em seu perfil no LinkedIn depois da reunião. O representante panamenho também defendeu a mudança de sede da COP. Veja texto na íntegra:

“Estou completamente perplexo e, francamente, confuso, que pela 3ª vez neste Bureau, todas as regiões do mundo tenham falado com uma só voz à presidência brasileira que está assumindo, e ainda assim nossas palavras parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro. Parece que estamos vivendo em uma realidade alternativa toda vez que participamos dessas reuniões. Não só isso, nosso tempo está sendo desperdiçado, e estamos sendo feitos de tolos.

Mais de 70% das delegações não reservaram acomodação. Esse único número diz tudo: os arranjos atuais são impossíveis. As opções estão entre 200% e 400% acima da diária de subsistência da ONU, e simplesmente não são viáveis. Não se trata apenas de quartos de hotel. Trata-se de levarmos a sério este processo internacional. De respeitarmos uns aos outros. De nos respeitarmos. No momento, não estamos fazendo nenhuma dessas coisas.

As delegações, de todas as regiões, estão sendo solicitadas a pagar tarifas exorbitantes e não reembolsáveis dentro de pacotes rígidos que não podem ser modificados. As faturas devem ser pagas em 3 dias, independentemente dos processos de aprovação nacionais. As informações chegam de forma fragmentada, as delegações estão dispersas, a coordenação se torna impossível. Isso não é um simples contratempo logístico. Isso é insanidade e insulto.

Uma pesquisa conduzida pelo Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU confirmou o que já sabíamos: o desconforto e a frustração são esmagadores. Como vice-presidente do bureau, peço ao secretariado que forneça aconselhamento formal e por escrito sobre alternativas e sobre o processo pelo qual este bureau pode solicitar formalmente à presidência da COP uma mudança da cidade-sede. Porque não podemos sediar uma COP em condições que excluam a participação e violem os princípios centrais do multilateralismo.

Viemos aqui para construir confiança e soluções. Em vez disso, nos oferecem desculpas e absurdos”.