HoteisRio orienta turistas e defende ocupação permanente no Rio após operação com repercussão mundial
HoteisRio reconhece repercussão negativa, mas apoia ação de retomada de territórios (Acervo M&E)

A megaoperação deflagrada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou 64 mortos, 81 presos e quatro policiais entre as vítimas. A ação, que mobilizou cerca de 2.500 agentes civis e militares, é considerada a mais letal da história do estado.

Em meio ao cenário de tensão, o presidente do Sindicato dos Meios de Hospedagem do Rio de Janeiro (HoteisRio), Alfredo Lopes, afirmou que os turistas devem agir com cautela e seguir as mesmas recomendações dos moradores.

“Os turistas que estão na cidade devem fazer as mesmas coisas que os moradores estão fazendo, ou seja, tentando ir para suas residências, ou ficar nos hotéis nesse primeiro momento. É lógico que essa situação tende a se normalizar a partir de amanhã, e aí sim curtir a cidade com mais tranquilidade”, disse.

Para Lopes, a operação é necessária e deve marcar o início de uma retomada mais firme dos territórios.
“É uma operação que eu acho que era necessária. Espero que tenha continuidade nessa retomada de territórios, porque a gente precisa poder transitar livremente pela cidade.”

Destaque fora do país

A operação repercutiu na imprensa internacional. O The Guardian afirmou que o Rio vive “o pior dia de violência da história”, enquanto o Público destacou o uso de drones por criminosos e a Reuters lembrou que a ação ocorre às vésperas da COP30. Já o El País, o Clarín e o La Nación descreveram “cenas de guerra” com uso de blindados, helicópteros e drones pelas forças policiais. Lopes reconheceu que a escalada da violência traz impacto imediato à imagem da cidade e preocupa o setor turístico.

“Essa imagem não é confortante. Você imagina: até agora já morreram 64 pessoas, policiais e tal. Isso tem uma repercussão muito negativa. Mas, infelizmente, essa operação de retomada já vinha sendo anunciada e é necessária. Talvez pudesse ter sido tomada com mais antecedência, mas precisa ser feita, sinceramente.”

O presidente do HoteisRio afirmou que o domínio de facções nas comunidades impacta diretamente o cotidiano e a mobilidade da cidade, reforçando que o Estado precisa manter presença constante nas áreas retomadas.

“Hoje essas facções querem dominar territórios, é a forma que têm de lucrar com isso. Eles vendem gás, vendem água, cobram propina dos comerciantes. Então, o Estado precisa se fazer presente. O nosso posicionamento sempre foi no sentido de que a polícia precisava ocupar as áreas. A gente, inclusive, teve uma reunião há alguns meses com o governador, e esse era o nosso pleito: evitar essas operações de ‘vai e vem’. A gente acreditava que tinha que ocupar e permanecer, porque é a única forma de garantir segurança e o trânsito livre das pessoas.”