
PORTO DE GALINHAS – A interiorização do turismo em Porto de Galinhas será lançada em 2026 com ao menos três rotas já mapeadas pela Secretaria de Turismo de Ipojuca. A iniciativa pretende ampliar a oferta de experiências para além do litoral, integrar comunidades locais e envolver o trade na definição dos novos produtos. O secretário Deomaci Ramos detalhou o plano durante entrevista exclusiva ao M&E, nesta terça-feira (2).
Segundo Ramos, o desenho inicial das rotas já existe dentro da secretaria e vem sendo aprimorado com apoio do Sebrae e de outras pastas municipais. “O turismo é multidisciplinar. Temos o Desenvolvimento Econômico, o Desenvolvimento Social e o Sebrae trabalhando conosco na construção desse projeto”, afirmou.
O secretário explicou que a proposta não será enquadrada como turismo rural, mas como um conjunto de rotas temáticas estruturadas a partir das vocações econômicas e culturais presentes fora do eixo litorâneo. Ele afirmou que a equipe trabalha no mapeamento dessas áreas para identificar potencial turístico, organizar serviços e orientar investimentos futuros sem caracterizar destinos específicos antes da conclusão dos estudos.
Ramos destacou que a interiorização exigirá participação direta das comunidades envolvidas. “Antes de lançar qualquer rota, precisamos saber se as famílias querem receber visitantes e de que forma querem participar. Isso é turismo de base comunitária”, disse. O Sebrae conduz, junto com a Casa do Empreendedor, as primeiras capacitações, incluindo uma trilha desenvolvida com marisqueiras.
A expectativa da secretaria é lançar uma versão inicial das rotas em julho de 2026, período de férias. Ramos pondera que o produto será ajustado conforme a execução. “Planejamento é vivo. O que der certo avança. O que não der, reorganizamos. Temos potencial para muito mais do que três rotas”, afirmou.
Para o secretário, o impacto econômico deve ser significativo, mas ainda está em cálculo pelas equipes de Turismo e Desenvolvimento Econômico. Ele citou taxas de crescimento nacionais para ilustrar a tendência. “O turismo rural cresceu 30% em 2023 e 50% em 2024. O ecoturismo cresce 20% ao ano. Precisamos traduzir isso para Ipojuca e mostrar quanto cada família pode faturar”, afirmou.
A interiorização será desenvolvida sem necessidade de expansão hoteleira para o interior. Ramos avalia que a rede instalada na orla seguirá atendendo os visitantes. Os roteiros estão sendo planejados para meio dia ou dia inteiro, conectando os turistas aos atrativos culturais e ambientais pouco explorados. “Recebemos mais de um milhão de turistas por ano no litoral, e muitos nunca ouviram falar do Engenho Sibiró ou do baobá de 450 anos. Vamos estruturar e promover para que a informação chegue”, disse.
Por fim, o secretário defendeu que a estratégia amplia a sustentabilidade do destino. “Queremos um modelo inovador, acessível e bom para quem vive aqui. Um destino que é bom para moradores sempre será bom para turistas”, afirmou.
*O M&E viaja com proteção da GTA e apoio da Shift Mobilidade.







