
Pela primeira vez, a competição será disputada em três países simultaneamente — Estados Unidos, Canadá e México — e contará com o maior número de seleções da história. Mas o impacto do Mundial vai muito além das quatro linhas e o M&E separou tudo sobre a maior competição do planeta.
Nos últimos meses, o mercado de turismo, a aviação, a hotelaria e diversos setores da economia passaram a se movimentar em ritmo acelerado para atender a demanda gerada pelo evento. A seguir, reunimos os principais temas que marcaram a preparação para a Copa e ajudam a entender por que esta edição já é considerada uma das mais importantes da história.
Desde a confirmação dos grupos e do calendário de jogos, empresas do setor turístico registraram crescimento expressivo na procura por viagens aos países-sede. Operadoras e plataformas de reservas apontaram aumento superior a 100% em determinadas rotas, especialmente entre viajantes brasileiros interessados em acompanhar a Seleção Brasileira. O movimento transformou a Copa em um dos principais motores do turismo internacional em 2026.
Saiba como se proteger para desfrutar da competição com segurança
A Copa do Mundo de 2026 promete ser a maior da história e também uma das mais complexas para quem pretende acompanhar os jogos presencialmente. Com partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, especialistas do setor alertam para a necessidade de planejamento redobrado para evitar problemas durante a viagem.
Uma das principais preocupações envolve a comercialização de pacotes não oficiais. Operadoras credenciadas pela Fifa recomendam que os torcedores verifiquem a procedência dos produtos antes da compra, já que ofertas sem autorização podem resultar em dificuldades na entrega de ingressos e serviços contratados.
O modelo atual da competição também mudou. Em vez da venda isolada de ingressos por intermediários, os produtos oficiais são comercializados dentro de pacotes de hospitalidade que incluem benefícios e serviços adicionais. Por isso, especialistas recomendam cautela com ofertas que prometem facilidades fora dos canais autorizados.
Outro ponto de atenção é o seguro viagem. Como a Copa será disputada em três países, os deslocamentos serão maiores e aumentam as chances de imprevistos como atrasos, cancelamentos de voos, extravio de bagagens e perda de documentos. O mercado já registra crescimento na procura por coberturas específicas para o torneio.
A contratação desse serviço ganha ainda mais relevância devido aos altos custos da saúde nos Estados Unidos. Dependendo da situação, uma consulta ou atendimento hospitalar pode representar um gasto significativo para o viajante sem proteção adequada.
Os torcedores também devem ficar atentos às exigências migratórias dos países-sede. Vistos, autorizações eletrônicas e documentação em ordem serão fundamentais para evitar transtornos. Organizações internacionais ainda recomendam atenção às regras de entrada e fiscalização durante o período do evento.
Com a expectativa de milhares de brasileiros viajando para a América do Norte, a orientação do setor é clara: comprar apenas produtos oficiais, organizar a viagem com antecedência e investir em proteção adequada. Em uma Copa espalhada por três países, informação e planejamento serão tão importantes quanto o ingresso para os jogos.
Hospedagem virou desafio em algumas cidades

Com milhões de visitantes esperados, hotéis, imóveis de temporada e plataformas de aluguel por curta duração passaram a registrar forte demanda. Destinos como Nova York, Miami, Los Angeles e Vancouver apareceram entre os mais procurados. O cenário também impulsionou novas opções de acomodação e fez com que muitos viajantes passassem a reservar hospedagem com vários meses de antecedência.
Dados do Airbnb mostram que a Geração Z, famílias e grupos de amigos lideram as reservas relacionadas ao evento. A plataforma aponta ainda que cerca de 70% das viagens associadas à Copa são realizadas por turistas internacionais, que aproveitam o torneio para visitar diferentes cidades durante a mesma viagem. O comportamento amplia o tempo médio de permanência e aumenta a pressão sobre a oferta de hospedagem em destinos estratégicos.
O movimento também aparece em outros indicadores do setor. Segundo levantamento do Expedia Group, as buscas por viagens para Estados Unidos, México e Canadá cresceram 35% no quarto trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre as cidades-sede, Boston registrou crescimento de 1.000% nas buscas por hospedagem, enquanto Nova York e Miami também apresentaram altas expressivas.
A antecipação das reservas é vista como uma necessidade diante da dimensão do evento. Com 48 seleções, mais de 100 partidas e jogos distribuídos por três países, especialistas apontam que a disponibilidade de quartos deve ficar mais restrita à medida que o torneio se aproxima, especialmente nas cidades que receberão partidas da Seleção Brasileira e fases decisivas.
Além da pressão sobre tarifas e ocupação, o setor enfrenta o desafio de atender um perfil de viajante que busca experiências cada vez mais completas. A tendência é que a Copa funcione como ponto de partida para roteiros mais amplos, combinando futebol, turismo, gastronomia, compras e entretenimento.
O mercado também observa o crescimento da demanda por produtos premium. A Golden Goal, responsável pela comercialização oficial de hospitalidade da Copa no Brasil, registra volume de vendas 150% superior ao da edição de 2022. Segundo a empresa, os jogos do Brasil e a final estão entre os produtos mais procurados, com estoques cada vez mais limitados.
Enquanto isso, plataformas como o Airbnb ampliam sua atuação para além da hospedagem, incorporando serviços, experiências e até acesso a atrações ligadas ao torneio. A estratégia busca responder a um consumidor que valoriza conveniência e experiências integradas durante a viagem.
Para o setor de hospedagem, o principal desafio passa a ser equilibrar oferta, preços e capacidade operacional diante de uma demanda que cresce mais de um ano antes do apito inicial. A expectativa é que a Copa de 2026 gere uma das maiores movimentações turísticas já registradas na América do Norte, exigindo planejamento antecipado tanto dos viajantes quanto das empresas envolvidas na cadeia do turismo.
Vistos e documentação geraram preocupação entre os torcedores
A burocracia para entrada nos Estados Unidos foi um dos temas mais debatidos durante a preparação para o torneio. Especialistas e autoridades alertaram repetidamente para a necessidade de solicitar vistos com antecedência. Mudanças em regras migratórias, exigências documentais e dúvidas sobre novos sistemas de entrada fizeram com que o planejamento da viagem se tornasse tão importante quanto a compra dos ingressos.
A Copa do Mundo de 2026 deve colocar milhões de turistas em circulação entre Estados Unidos, Canadá e México, mas acompanhar o torneio presencialmente exigirá mais do que garantir ingressos e hospedagem. Especialistas apontam que vistos, autorizações de entrada e documentação adequada serão alguns dos principais desafios para os torcedores que pretendem viajar para a América do Norte.
Os Estados Unidos, que receberão a maior parte dos jogos, vivem um momento de maior rigor nos controles migratórios. Nas últimas semanas, relatos de filas mais longas em aeroportos e aumento da fiscalização geraram dúvidas entre viajantes internacionais, especialmente aqueles que planejam acompanhar a Copa.
Apesar disso, especialistas destacam que não existe uma restrição ao turismo regular. O foco das autoridades continua sendo o combate à imigração irregular. O que mudou, segundo advogados especializados em imigração, foi o nível de análise realizado pelos agentes de fronteira, que passaram a avaliar com mais atenção a coerência entre o visto emitido e o objetivo da viagem.
Na prática, isso significa que os viajantes devem estar preparados para apresentar documentação organizada, reservas de hospedagem, passagens de retorno e comprovações que demonstrem vínculo com o país de origem. A preparação adequada reduz riscos e facilita o processo de entrada.
O cenário também tem provocado preocupação entre famílias que pretendem enviar jovens desacompanhados para acompanhar os jogos. Ao mesmo tempo, agentes e operadores de turismo relatam aumento na procura por orientações relacionadas a vistos, conexões internacionais e exigências migratórias.
O próprio governo norte-americano tem buscado equilibrar controle migratório e impacto econômico. Recentemente, a administração dos Estados Unidos suspendeu a exigência de cauções de até US$ 15 mil para torcedores de alguns países classificados para a Copa que já possuíam ingressos oficiais, sinalizando preocupação com os efeitos das barreiras sobre o fluxo turístico.
A alta demanda esperada para o torneio também deve pressionar consulados, aeroportos e companhias aéreas. Por isso, especialistas recomendam iniciar o processo de obtenção de vistos e demais autorizações com a maior antecedência possível, evitando imprevistos próximos ao evento.
Com partidas espalhadas por três países e deslocamentos frequentes entre cidades-sede, a Copa de 2026 será uma das mais complexas da história para os visitantes internacionais. Nesse cenário, a organização documental deixa de ser apenas uma etapa burocrática e passa a ser parte fundamental do planejamento da viagem.
As companhias aéreas reforçaram suas operações

A expectativa de uma movimentação recorde levou diversas empresas a ampliarem sua oferta de voos. Novas frequências foram adicionadas para cidades estratégicas do torneio, enquanto algumas companhias anunciaram centenas de milhares de assentos extras ao longo do período da competição. A conectividade aérea passou a ser vista como um dos pilares para o sucesso logístico do Mundial.
Um dos principais reflexos dessa demanda aparece nos números da Decolar. Segundo levantamento da empresa, a procura por viagens aos países-sede cresceu mais de 100% em comparação ao mesmo período do ano passado. Estados Unidos, México e Canadá registraram aumentos expressivos nas buscas, evidenciando que muitos viajantes começaram a planejar suas viagens com bastante antecedência.
Para atender esse movimento, as companhias aéreas passaram a reforçar suas malhas internacionais. A Gol anunciou uma das maiores operações especiais de sua história para os Estados Unidos, com 345 voos extras para Miami e Orlando entre junho e agosto. A empresa também inaugurará a rota direta entre Rio de Janeiro e Nova York durante o período do torneio e ampliará a oferta de voos saindo de Brasília, Belém, Fortaleza e Manaus.
A Avianca também reforçou sua presença na América do Norte. A companhia programou mais de 3 mil voos e cerca de 600 mil assentos para conectar passageiros às cidades-sede da Copa, além de adicionar frequências extras para destinos estratégicos como Miami, Dallas, Cidade do México e Nova York. Atualmente, a empresa atende diretamente 10 das 16 cidades que receberão partidas do Mundial.
Já a Copa Airlines aposta na conectividade de seu Hub das Américas, localizado na Cidade do Panamá, para facilitar o deslocamento dos torcedores. A companhia conecta cidades brasileiras a diversos destinos nos Estados Unidos, Canadá e México por meio de conexões rápidas, além de oferecer o programa Panamá Stopover, que permite incluir uma parada turística no país sem custo adicional na passagem aérea.
A experiência dos passageiros também ganhou destaque. A Emirates anunciou que transmitirá todos os jogos da Copa do Mundo ao vivo em seus voos por meio dos canais Sport 24 e Sport 24 Extra. As partidas também poderão ser exibidas nos lounges da companhia em Dubai, permitindo que passageiros acompanhem o torneio mesmo durante conexões internacionais.
O movimento mostra como a Copa do Mundo deixou de ser apenas um evento esportivo para se tornar um dos maiores impulsionadores do turismo global. Enquanto as operadoras ampliam ofertas e criam produtos temáticos, as companhias aéreas reforçam suas estruturas para atender uma demanda que promete bater recordes ao longo das próximas semanas.
Mais do que transportar torcedores, o setor busca transformar a viagem em parte da experiência da Copa, conectando diferentes cidades, culturas e destinos em um torneio que já movimenta a indústria do turismo muito antes da disputa da final.
Copa movimenta muito mais do que o futebol
As cidades-sede apostaram em experiências além dos estádios

A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar muito mais do que os estádios. Nos Estados Unidos, cidades e destinos turísticos aproveitaram a proximidade do torneio para criar experiências voltadas aos visitantes, transformando o evento em uma oportunidade para impulsionar o turismo, a hotelaria e o entretenimento.
Entre os destaques está Nova York, que sediará a final do Mundial em 19 de julho e prepara uma programação especial espalhada pelos cinco distritos da cidade. Além das partidas, moradores e turistas poderão participar de festivais, exposições, eventos culturais e transmissões públicas. Fan zones serão instaladas em locais emblemáticos como Rockefeller Center, Brooklyn Bridge Park e o USTA Billie Jean King National Tennis Center, oferecendo atividades gratuitas, atrações interativas e exibições ao vivo dos jogos.
A cidade também reforçou sua promoção em mercados internacionais, incluindo o Brasil, apostando na combinação entre futebol e os tradicionais atrativos turísticos nova-iorquinos para ampliar o fluxo de visitantes durante o torneio.
Na Flórida, a estratégia segue a mesma linha. O estado se posiciona como uma das principais bases para os torcedores durante a competição, especialmente por concentrar jogos em Miami e contar com forte estrutura turística. A programação inclui festivais de fãs, transmissões públicas, atrações culturais e eventos temáticos em diferentes cidades.
O Bayfront Park, em Miami, receberá um dos principais espaços de celebração do torneio, enquanto Orlando prepara festivais oficiais para acompanhar as partidas ao longo de toda a competição. Bares, restaurantes e centros de entretenimento também organizaram programações especiais para receber visitantes de diversas nacionalidades.
Além dos eventos, a Flórida aposta em sua ampla oferta de hospedagem e lazer. Destinos como Kissimmee registraram forte aumento na procura por casas de temporada após a divulgação do calendário da Copa. O estado também destaca sua gastronomia, centros de compras, praias, parques temáticos e eventos esportivos como atrativos complementares para quem pretende estender a viagem além dos dias de jogo.
Enquanto cidades investem em experiências acessíveis para grandes públicos, o turismo de luxo também encontrou espaço na Copa. Na região de Miami, o resort The Boca Raton lançou um pacote exclusivo avaliado em US$ 1 milhão para até quatro pessoas. A experiência inclui hospedagem em cobertura à beira-mar, mordomo exclusivo, chef particular, deslocamento de helicóptero para os jogos, acesso privilegiado ao estádio, passeios de iate, experiências gastronômicas e encontros ligados ao universo do futebol.
A iniciativa reflete uma tendência observada em diversos destinos norte-americanos: utilizar a Copa do Mundo como uma vitrine para promover não apenas o futebol, mas também experiências turísticas capazes de atrair visitantes de diferentes perfis e faixas de renda. Com expectativa de receber milhões de viajantes ao longo das próximas semanas, os Estados Unidos apostam que o legado do torneio será percebido muito além do apito final.
Cruzeiros surgiram como alternativa para torcedores

Uma tendência que ganhou força nesta edição foi a utilização de navios como opção de hospedagem e deslocamento. Companhias marítimas anunciaram transmissões ao vivo das partidas, programação temática e roteiros voltados para os fãs do futebol. Em algumas regiões, os cruzeiros passaram a ser vistos como solução para reduzir a pressão sobre a rede hoteleira tradicional.
O interesse pelo modelo aumentou desde a divulgação dos grupos da Copa. Segundo especialistas do setor, muitos viajantes passaram a considerar os navios como uma espécie de base móvel, capaz de reunir hospedagem, alimentação e transporte em uma única reserva, reduzindo a necessidade de múltiplos voos, deslocamentos terrestres e trocas de hotel ao longo da competição.
A movimentação ocorre ao mesmo tempo em que as principais companhias do segmento anunciam uma ampla cobertura do Mundial. A MSC Cruzeiros confirmou a transmissão ao vivo de todos os jogos em toda a sua frota entre 11 de junho e 19 de julho. As partidas poderão ser acompanhadas em bares esportivos, lounges, teatros e telões instalados nas áreas externas dos navios. A empresa também preparou atividades temáticas inspiradas no torneio, incluindo jogos interativos e ações de entretenimento para os hóspedes.
A Norwegian Cruise Line seguiu o mesmo caminho e informou que exibirá todas as partidas da Copa em seus navios. A companhia disponibilizará canais exclusivos para os jogos, permitindo acompanhar confrontos simultâneos, além de oferecer replays das partidas por até 24 horas. A estratégia busca atender tanto os apaixonados por futebol quanto os passageiros que desejam aproveitar a viagem sem necessariamente acompanhar o torneio.
A escolha pelos cruzeiros também está diretamente ligada à localização de algumas cidades-sede. Miami, uma das principais sedes da Copa, já concentra o maior porto de cruzeiros do mundo e aparece como ponto estratégico para embarques rumo ao Caribe. Vancouver, no Canadá, também surge como alternativa para viajantes interessados em combinar os jogos com roteiros pela costa oeste norte-americana e pelo Alasca. Já a região de Nova York e Nova Jersey, que receberá a final do Mundial, se consolida como porta de entrada para itinerários que incluem destinos da Nova Inglaterra e do Canadá.
Especialistas recomendam que os interessados façam reservas com antecedência, já que algumas viagens ligadas às cidades-sede registram níveis elevados de ocupação. Em determinados casos, pacotes combinando cruzeiro, hospedagem, transporte terrestre e ingressos para partidas específicas já são oferecidos ao mercado.
A aposta das companhias reflete uma tendência crescente de integração entre turismo e grandes eventos esportivos. Se antes os cruzeiros eram vistos apenas como uma opção de lazer, a Copa do Mundo de 2026 mostra que eles também podem funcionar como uma alternativa logística para torcedores que desejam transformar o torneio em uma experiência de viagem mais ampla, combinando futebol, conforto e múltiplos destinos em um único roteiro.
O impacto econômico já é sentido em vários setores
A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar a economia muito além dos estádios. Antes mesmo do início do torneio, estudos do setor apontam crescimento na intenção de viagens, aumento da demanda por hospedagem e projeções bilionárias de gastos turísticos nos Estados Unidos, Canadá e México.
Maior edição da história e a primeira realizada simultaneamente em três países, a competição colocará 16 cidades-sede diante de uma audiência global de bilhões de espectadores. Para especialistas, o principal legado econômico pode surgir justamente após o encerramento dos jogos, quando a exposição internacional tende a influenciar futuras decisões de viagem.
Segundo Gabriel Cordeiro, diretor-geral da BWT Operadora, a Copa funciona como uma das maiores vitrines turísticas do mundo. “O efeito mais duradouro não acontece necessariamente durante o torneio, mas nos meses seguintes, quando o consumidor começa a planejar sua próxima viagem”, afirma.
Levantamento da The Data Appeal Company e da Mabrian projeta cerca de US$ 4,3 bilhões em gastos turísticos relacionados ao torneio, sendo mais de 80% concentrados em hospedagem e alimentação. Apenas nos Estados Unidos, outra análise estima movimentação de aproximadamente US$ 556 milhões em gastos diretos de visitantes.
Entre os destinos mais beneficiados estão East Rutherford, na região de Nova York, Inglewood, Arlington, Atlanta e Seattle. Juntas, essas cidades devem concentrar mais da metade do impacto econômico projetado. O consumo em bares, restaurantes e serviços aparece como o principal motor da receita, superando inclusive os gastos com hospedagem.
Além do impacto imediato, o torneio deve fortalecer a imagem internacional dos países-sede. Os Estados Unidos tendem a ampliar a visibilidade de destinos já consolidados entre os brasileiros, enquanto Canadá e México ganham uma oportunidade de apresentar ao mercado internacional experiências que vão além dos roteiros tradicionalmente procurados.
O impacto econômico da Copa do Mundo também deve ser sentido longe das cidades-sede. Pesquisa “O Brasil em Modo Copa”, da Sympla, mostra que sete em cada dez brasileiros pretendem participar de experiências presenciais durante o torneio, como transmissões em bares, restaurantes e eventos temáticos. Mais da metade dos entrevistados afirma que pretende assistir aos jogos fora de casa, enquanto 75% planejam consumir alimentos e bebidas nessas ocasiões.
O levantamento ainda aponta que quase 97% dos torcedores devem acompanhar as partidas na própria cidade, reforçando o potencial de movimentação para estabelecimentos locais, produtores de eventos e setores ligados ao entretenimento. Para o mercado, o comportamento evidencia que a Copa tende a gerar oportunidades econômicas não apenas nos países-sede, mas também em destinos que conseguirem transformar o interesse pelo torneio em experiências de consumo e convivência coletiva.
O interesse dos viajantes já aparece nos indicadores do setor. Estudos mostram crescimento consistente nas buscas por viagens para os três países, com destaque para cidades como Boston, Cidade do México, Vancouver e Nova York. A conectividade aérea também será determinante para os resultados econômicos, especialmente nos Estados Unidos, que possuem voos diretos para a maioria dos mercados participantes da competição.
A tecnologia também passa a ocupar papel estratégico nesse cenário. Redes hoteleiras e empresas de turismo já investem em plataformas baseadas em inteligência artificial para auxiliar no planejamento de viagens, integrar hospedagem, transporte e experiências e atender a uma demanda cada vez mais complexa.
Para especialistas, o sucesso econômico da Copa dependerá não apenas do número de visitantes, mas da capacidade das cidades-sede de oferecer infraestrutura, mobilidade, serviços e experiências de qualidade. A avaliação é que os destinos que conseguirem transformar a visibilidade do torneio em uma experiência positiva terão mais chances de converter o interesse momentâneo em fluxo turístico permanente nos anos seguintes.
O Canadá e o México aproveitaram a vitrine mundial
Embora os Estados Unidos concentrem a maior parte dos jogos e da infraestrutura, Canadá e México também utilizaram o evento para fortalecer sua imagem internacional. Destinos turísticos, campanhas promocionais e investimentos em conectividade foram apresentados como parte de uma estratégia para atrair visitantes durante e depois da Copa.
No Canadá, a expectativa é receber mais de 70 mil brasileiros durante o Mundial. As cidades de Toronto e Vancouver, que sediarão partidas da competição, vêm sendo promovidas não apenas como destinos turísticos, mas também como vitrines para quem deseja estudar, trabalhar ou até construir uma nova vida no país.
Especialistas em imigração afirmam que grandes eventos costumam despertar o interesse de estrangeiros por oportunidades internacionais. O Canadá aposta justamente nesse movimento, destacando seus programas voltados para estudantes e profissionais qualificados. A estratégia é reforçada pelos investimentos em infraestrutura, transporte, segurança e serviços ao visitante realizados para a Copa.
O fluxo turístico também deve gerar impacto econômico significativo. Levantamentos apontam que uma viagem de uma semana ao Canadá durante o torneio pode custar entre R$ 12 mil e mais de R$ 40 mil por pessoa, dependendo do perfil do viajante. Entre os atrativos mais procurados aparecem pontos turísticos tradicionais, como a CN Tower e as Cataratas do Niágara, em Toronto, além das experiências ao ar livre que fizeram de Vancouver um dos destinos mais desejados da competição.
Enquanto isso, o México aposta na Copa como uma oportunidade para fortalecer ainda mais sua posição entre os principais destinos turísticos das Américas. O Caribe Mexicano, que inclui destinos como Cancún, Playa del Carmen, Isla Mujeres e Costa Mujeres, intensificou sua promoção no mercado brasileiro e projeta crescimento impulsionado pela realização do torneio.
A região pretende aproveitar sua localização estratégica e a forte conectividade aérea com as cidades-sede da Copa para atrair visitantes que desejam combinar os jogos com períodos de lazer. O objetivo é transformar Cancún em uma espécie de porta de entrada turística complementar ao evento, oferecendo estrutura hoteleira robusta, praias, gastronomia e opções de entretenimento.
A estratégia também inclui facilidades para os brasileiros, como a ampliação do uso do visto eletrônico e o fortalecimento das conexões aéreas entre os dois países. Com mais de 140 mil quartos disponíveis e planos de expansão para os próximos anos, o Caribe Mexicano busca consolidar sua posição como um dos principais polos turísticos do continente.
Mais do que uma competição esportiva, a Copa do Mundo de 2026 tem servido como plataforma de promoção internacional para Canadá e México. Em ambos os casos, o objetivo vai além do curto prazo: utilizar a visibilidade do torneio para atrair visitantes, investimentos e oportunidades que continuem gerando resultados muito depois do apito final.
O legado pode durar muito além da final

Especialistas do setor acreditam que os efeitos positivos da Copa não terminarão quando o campeão levantar a taça. O aumento da visibilidade internacional dos destinos, a ampliação das rotas aéreas, os investimentos em infraestrutura e a criação de novos produtos turísticos podem continuar influenciando o comportamento dos viajantes pelos próximos anos. Mais do que um evento esportivo, a Copa de 2026 já se consolida como um dos maiores impulsionadores do turismo global nesta década.







