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Adriana H de Carvalho, do Sesc Rio, e Otávio Leite, da Fecomércio – Fecomércio-RJ detalha parceria com a Abav e planos para ampliar negócios e buyers no Rio (Beatriz Waehneldt/M&E)

SÃO PAULO – A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) terá seis edições consecutivas no Rio de Janeiro entre 2027 e 2032, segundo informações apresentadas pela Fecomércio-RJ durante coquetel nesta quarta-feira (30). A parceria, que já levou a Abav ao estado em 2023 e 2025, prevê a ampliação da participação de buyers, além de ações voltadas à geração de negócios e ao fortalecimento do turismo de eventos. A edição de 2028, inicialmente prevista para São Paulo, também será realizada no Rio, no Riocentro, em outubro.

A presença da Abav no Rio de Janeiro será ampliada nos próximos anos. Durante a feira, representantes da Fecomércio-RJ detalharam os planos para a parceria com a entidade e confirmaram que o estado receberá seis edições consecutivas do evento, de 2027 a 2032. A programação inclui a edição de 2028, que, segundo a organização, teve sua realização transferida de São Paulo para o Rio de Janeiro.

A relação entre a Fecomércio-RJ e a Abav começou a ganhar força para levar a feira novamente ao estado em 2023, após um intervalo de dez anos. Segundo Adriana H de Carvalho, representante do Sesc Rio, a participação surgiu a partir de uma solicitação do presidente da entidade, Antonio Florencio de Queiroz Junior.

“Ele falou assim: ‘Eu quero que vocês participem da Abav desse ano’, que foi em Pernambuco, e depois disse: ‘Eu quero que vocês tragam a Abav para o Rio. E eu só aceito sim como resposta’. Então fomos com essa missão e trouxemos para 2023”, relata.

A primeira edição no Rio após uma década também trouxe uma preocupação em relação à adesão dos expositores. “A gente tinha um pouco de preocupação porque havia dez anos não acontecia no Rio. Ficamos pensando como seria, porque não adianta fazer uma feira que os expositores não queiram ir. A feira não é nossa, a feira é da Abav, nós somos parceiros. E foi um sucesso no Rio”, afirma.

Após a edição de 2023, a candidatura do Rio voltou a ser apresentada. A programação, no entanto, já previa Brasília para 2024. Com isso, o Rio recebeu novamente a feira em 2025. Naquele momento, as edições de 2026 e 2028 estavam previstas para São Paulo.

Segundo Adriana, a definição dos próximos anos foi ampliada posteriormente. “O presidente Antonio Florencio falou: ‘2027, 2029, 2030, 2031 e 2032 serão no Rio’. E, duas semanas atrás, aconteceu o que é o grande anúncio que não foi falado hoje: 2028 mudou. Não vai ser em São Paulo, vai ser no Rio. Então, 2027, 2028, 2029, 2030, 2031 e 2032 serão no Rio de Janeiro”, declara.

Abav no Rio terá foco na ampliação de buyers

A parceria também prevê a ampliação do número de buyers participantes da feira. De acordo com Otávio, representante da Fecomércio-RJ ouvido durante a entrevista, a estratégia é levar ao Rio uma estrutura semelhante à que já vem sendo desenvolvida na Abav São Paulo. “Um ponto que nós vamos ampliar é a presença dos buyers. A ideia é expandir o número de buyers para o Rio de Janeiro”, afirma.

Adriana detalha que a participação deve crescer de forma significativa. “A ideia é que a gente tenha o maior número de buyers para que aumentemos o número de negócios feitos na feira. Claro que os expositores fazem muitos negócios e os visitantes também, mas queremos ampliar essa parte dos buyers”, explica.

A executiva ressalta que as decisões sobre a feira cabem à Abav, enquanto a Fecomércio-RJ atua como parceira. “A feira é da Abav, mas temos uma excelente relação. Quando trazemos sugestões, elas são muito bem aceitas e acatadas”, diz.

Para marcar a sequência de edições no estado, a Fecomércio-RJ também prepara uma ação de recepção. A ideia, segundo Adriana, é apresentar o período como um convite para que o mercado acompanhe a feira no Rio ao longo dos próximos seis anos.

“A grande ideia é: o Rio convida vocês para um ‘bem-vindo ao Rio’ por seis anos, pelo menos”, afirma. A entidade também recebeu da presidência da Fecomércio-RJ a orientação para organizar uma festa relacionada à parceria. “O presidente falou: ‘Eu quero que vocês organizem uma festa, quero um lugar bacana, uma festa bacana, que seja a cara do Rio, uma coisa descontraída’. E montamos essa festa em uma semana”, conta.

A edição de 2028 já tem local e período definidos, segundo a informação antecipada durante a entrevista. O evento será realizado em outubro, no Riocentro, no Rio de Janeiro. A data exata ainda não havia sido divulgada.

Turismo de eventos é apontado como estratégia para o Rio

A permanência da Abav no Rio ao longo de seis anos também é relacionada pela Fecomércio-RJ ao potencial do turismo de eventos para movimentar a economia local. Adriana afirma que eventos podem gerar fluxo adicional de visitantes, já que parte do público aproveita a viagem para permanecer na cidade antes ou depois da programação.

“O Rio é o sonho de consumo de quem visita o Brasil e do brasileiro também. Quando você fala em qualquer lugar que mora no Rio, as pessoas respondem: ‘Caramba, que legal! Nossa, o Rio é o máximo’. Os estrangeiros também voltaram a ter o Rio como fonte de desejo”, afirma.

Na avaliação apresentada pela executiva, a característica turística da cidade pode contribuir para a permanência dos participantes de eventos. “As pessoas, quando vão a um evento, não ficam só no evento. Elas curtem a cidade. Sendo o Rio, elas chegam antes ou ficam depois para poder curtir um pouco a cidade”, explica.

Ela define esse movimento como uma entrada adicional de recursos na economia local. “Eu sempre digo: um evento em uma cidade é dinheiro novo. Se não fosse o evento, as pessoas não iriam. O brasileiro não estaria em São Paulo consumindo, comprando, se hospedando e comendo se não fosse o evento da Abav. É a mesma coisa no Rio”, afirma.

A Fecomércio-RJ também mantém parceria com o Rio Convention & Visitors Bureau para a captação de eventos. O objetivo, segundo Adriana, é ampliar o turismo de eventos no estado.

Entre os argumentos utilizados na candidatura do Rio para receber congressos está a presença de universidades, centros de pesquisa e hospitais universitários. A executiva afirma que esses equipamentos ajudam na captação de eventos porque determinados congressos dependem da existência de grupos de pesquisa e conhecimento especializado no destino.

“O Rio tem uma vocação muito grande para congressos pelo fato de ter sido capital da República e de ter quase todas as áreas de conhecimento com excelência no Rio de Janeiro. Os ministérios mudaram para Brasília, mas os centros de pesquisa e os hospitais universitários estão lá, produzindo conhecimento todos os dias”, afirma.

Segundo ela, essa estrutura é utilizada na disputa por eventos. “Você não vai fazer um evento de determinada área se naquela cidade, naquele destino, não existe um grupo de pesquisa consolidado. E o Rio, praticamente em todas as áreas do conhecimento, tem essa estrutura”, acrescenta.

Fecomércio-RJ cita impacto dos eventos no consumo

Questionada sobre uma possível estimativa econômica para a ampliação dos eventos no Rio, Adriana afirma que ainda não há um número consolidado. “A gente não tem dados, mas temos uma expectativa bastante grande”, declara. Ela cita a atuação da Fecomércio-RJ, Sesc e Senac no apoio a diferentes eventos realizados no estado. Entre os exemplos mencionados estão Carnaval, Réveillon, Web Summit, Rio Innovation Week e Rio Fashion Week.

Para a executiva, parte do impacto dos eventos não aparece necessariamente na cobertura da imprensa, embora envolva a circulação de visitantes e o consumo em diferentes setores. “Nem sempre os congressos vão para a mídia. Nem sempre a gente sabe o que está acontecendo na cidade, mas eles estão acontecendo, os turistas estão lá e estão consumindo”, afirma.

Adriana também destaca o comportamento do turista de eventos. Segundo ela, esse visitante tende a permanecer mais tempo no destino e possui maior capacidade de consumo. “O turista de eventos consome mais, fica mais tempo na cidade, tem poder aquisitivo mais alto e vai com vontade de voltar, porque quer voltar com a família, quer voltar a lazer e quer rever a cidade”, diz.