
SÃO PAULO – A estratégia de promoção do Canadá no mercado brasileiro ganhou uma nova estrutura em 2025, com a criação do Extraordinário Canadá, consórcio que reúne atualmente 14 marcas canadenses e trabalha em conjunto com empresas do trade brasileiro. A iniciativa busca recuperar a presença do destino no país após um período de menor atividade durante a pandemia.
À frente da VBRa, antiga Vertebratta, Sheila Nassar acompanha o mercado canadense há anos e explica que a mudança da marca também acompanha uma nova fase da empresa. “A gente está há 25 anos no mercado. Fizemos uma mudança na marca, inclusive por conta dos nossos 25 anos, e também para refletir o que a gente é hoje, que é uma consultoria de inteligência turística.”
Segundo Sheila, a relação com o Canadá começou antes da criação do consórcio. “Eu apresentei o Destination Canada há 10 anos no Brasil. Eles saíram em 2017 e nós continuamos a fazer vários trabalhos para parceiros canadenses.”
A experiência acumulada levou a empresa a reunir organizações interessadas em ampliar a presença do destino no Brasil. “Nós começamos como VBRa porque somos superespecializados no Canadá. Trouxemos a Global Turismo, que é um receptivo canadense no Québec, muito especializado em público de língua portuguesa e espanhola.”
A estrutura também passou a contar com empresas e destinos de diferentes regiões e segmentos do turismo canadense. Entre os integrantes estão a VIA Rail, a região de Laurentides, Mont-Tremblant, a Rocky Mountaineer, a CanaDream e o território de Yukon
“Nos juntamos, fomos ao Canadá e fizemos uma proposta para começar a divulgar esse destino em parceria, até pela expertise que nós tínhamos antes no mercado. Criamos o consórcio Extraordinário Canadá”, afirma Sheila.
O grupo começou com seis parceiros, em fevereiro de 2025, e chegou a 14 marcas. A proposta inicial previa três anos de investimento conjunto para recuperar o interesse do mercado brasileiro pelo destino.
“Nós projetamos três anos realmente de investimento de todos para que pudéssemos trazer o interesse do Canadá de volta ao Brasil. E isso já foi alcançado. Agora a gente vai fazer dois anos e esse interesse já foi alcançado”, diz.
O consórcio reúne empresas de diferentes regiões do Canadá. A maior concentração está no Québec, mas a estratégia inclui destinos como Jasper, na província de Alberta, além de operações ferroviárias, motorhomes e experiências ligadas à observação da aurora boreal.
“Hoje temos o Canadá de costa a costa, em regiões diferentes. A gente tem Jasper, que é um dos principais parques nacionais de Alberta; temos a Rocky Mountaineer, que é uma empresa de viagens de trem de luxo, além da VIA Rail. Temos a CanaDream, que trabalha com motorhomes, e o Yukon, que é um território do Canadá onde é possível observar a aurora boreal.”
No mercado brasileiro, o consórcio também estruturou uma rede de operadoras dividida em diferentes níveis de participação. A composição do pool considera critérios como investimento no destino, histórico de vendas, perfil do público e experiência das empresas com o Canadá.
“Quem mais investe em Canadá, quem já vendeu, quem tem um perfil de já ter gente que já viajou o Canadá ou já conhece o Canadá de antes, tem toda uma série de fatores do lado brasileiro para estar dentro do pool. E do lado canadense também”, explica Sheila.
Segundo ela, a estratégia reúne empresas privadas, destinos e organizações públicas. “Nós hoje trazemos o destino dessa forma para o Brasil.”
Québec, trens e aurora boreal
Para Sheila Nassar, a diversidade entre as províncias e regiões está entre os elementos que ajudam a apresentar o Canadá ao mercado brasileiro. Québec ocupa espaço central nessa estratégia, tanto pela herança francesa quanto pela oferta cultural e turística.
“Eu acho que a história da Nova França, que hoje se tornou o território do Québec, é muito importante. O Québec é maior que a França inteira e tem a segunda maior comunidade francófona do mundo, que é Montreal.”
A executiva destaca a influência francesa presente na arquitetura, na gastronomia e na cultura da província, mas ressalta as características próprias desenvolvidas no Canadá.
“É um território lindíssimo, com arquitetura francesa e comida com aquela delicadeza da culinária francesa, mas com a pitada canadense. Eles se intitulam os fran-latinos porque têm muito mais a ver com a gente do que com os franceses da Europa.”
Entre os destinos citados está Québec City, capital da província e uma das cidades históricas do país.
“Você conhecer Québec City, que parece uma vila de bonecas de tão bonita que é essa cidade fortificada, toda às margens do Rio São Lourenço, é muita água.”
A viagem pelo leste canadense também permite conhecer as diferenças culturais entre Québec e Ontário.
“Você tem uma cultura que parece oposta, mas é uma cultura irmã, que são os ingleses na parte de Ontário. Quando você vai para Ontário e Québec, já tem esse choque cultural entre uma província e outra, que, apesar de estarem no mesmo país, têm características diferentes.”
No oeste do país, Sheila cita as Montanhas Rochosas e Jasper, em Alberta, como parte da oferta trabalhada pelo consórcio.
“A maior reserva de céu escuro do mundo é Jasper. Você vai para um lugar onde, à noite, consegue ver o céu como se fosse um planetário.”
As viagens de trem também fazem parte dos produtos apresentados ao mercado brasileiro. A oferta inclui desde trajetos de curta distância até viagens de longa duração em cabines.
“As viagens de trem podem ser de curta distância ou em cabines em longa distância. Então o Canadá traz essa possibilidade de viagem de trem.”
Outro produto destacado por Sheila é a observação da aurora boreal, especialmente no norte do país.
“A aurora boreal mais próxima, mais barata e mais perto do Brasil está no Canadá. A gente está bem no meio da aurora, então consegue ter a influência da aurora boreal durante o ano todo.”
Entre os destinos para esse tipo de experiência está o Yukon, território localizado no noroeste do Canadá. Whitehorse, capital do território, é citada pela executiva como uma das bases para quem busca a aurora boreal.
“A gente tem uma alta incidência geral de aurora boreal no território do Yukon, principalmente em Whitehorse, onde começa a Alaska Highway, a grande aventura do Ártico canadense. São apenas quatro horas de voo de Vancouver.”
Festivais ampliam oferta no Québec
A programação cultural também aparece entre os produtos que o consórcio pretende apresentar aos brasileiros. No Québec, Sheila destaca festivais que movimentam diferentes períodos do calendário.
“Uma coisa que eu acho que o brasileiro vai se encantar ainda, voltando à província do Québec, são os festivais. São festivais de jazz, de blues, de circo. O Cirque du Soleil nasceu no Canadá e ele é a essência do que é o Canadá: a gentileza, a arte, a beleza, a delicadeza e a criatividade.”
Regras para entrada no Canadá
A documentação exigida para brasileiros também foi abordada na entrevista. Segundo Sheila, brasileiros que possuem visto americano válido podem se enquadrar nos critérios para solicitar a autorização eletrônica de viagem, conhecida como eTA, para entrada no Canadá por via aérea.
“Ela custa sete dólares canadenses para quem já tem o visto americano válido. Você pode vincular à autorização eletrônica de viagem. Qualquer pessoa que vai entrar via aérea no país pode tirar essa autorização se tiver o visto americano válido. E também se tiver o visto canadense não válido estampado no passaporte, desde que ele tenha sido tirado nos últimos 10 anos, qualquer pessoa que tenha esse perfil pode entrar no Canadá pagando sete dólares canadenses.”
A eTA, segundo as regras canadenses, está vinculada ao passaporte utilizado no pedido e pode permanecer válida por até cinco anos ou até o vencimento do passaporte, o que ocorrer primeiro. Para quem pretende chegar ao Canadá por via terrestre ou marítima, a documentação é diferente.
“O visto canadense físico é para quem vai fazer viagens entre países de carro ou motorhome ou vai entrar via marítima no país. É só ter um planejamento. É um visto mais fácil de tirar também. Vai ter que ter documentação preenchida, mas, fora isso, é um visto bastante tranquilo de ser tirado.”
Com a expansão do Extraordinário Canadá e o aumento do número de parceiros brasileiros, a estratégia agora inclui capacitação dos profissionais de turismo e aproximação com o consumidor.
“A gente tem muito caminho pela frente ainda. Tem que treinar muita gente de viagem, tem que chegar no consumidor. A gente tem que reconstruir um caminho que foi meio que perdido na pandemia e o Canadá demorou um pouquinho mais para voltar.”







