Com 34 novos hotéis, Atlantica projeta mais de 5 mil quartos até 2031
Guilherme Martini, vice-presidente sênior de Operações, Vendas e Marketing da Atlantica (Felipe Abílio/M&E)

SÃO PAULO – A Atlantica Hospitality International prepara uma nova etapa de expansão no mercado brasileiro, com projetos em capitais, cidades do interior e destinos ligados ao agronegócio. A estratégia prevê a abertura de 34 novos empreendimentos até 2031, que devem acrescentar mais de 5 mil quartos ao portfólio da companhia.

O plano foi apresentado por Guilherme Martini, vice-presidente sênior de Operações, Vendas e Marketing da Atlantica, durante a Abav Expo. Segundo o executivo, a expansão será feita de forma orgânica, sem a aquisição de novas empresas.

“Até o final do ano que vem, a gente deve abrir mais 10 prédios espalhados pelo Brasil, em mercados primários e secundários. E, quando a gente olha um pouco mais longe, até 2031, a Atlantica vai abrir, além desses 10, mais 24 empreendimentos”, afirmou Martini.

Aparecida terá projeto de 700 quartos

Entre os empreendimentos previstos está um Transamerica Collection em Aparecida, no interior de São Paulo. O projeto será desenvolvido em parceria com a Igreja e terá modelo de multipropriedade. Com previsão de 700 quartos, o que o colocará entre os maiores empreendimentos do portfólio da companhia.

“Tem alguns hotéis muito emblemáticos. Posso citar um hotel Transamerica Collection que a gente vai abrir em Aparecida, em parceria com o pessoal da Igreja. Vai ser um enorme complexo, no modelo de multipropriedade, previsto para abrir mais para 2029, 2030”, disse.

A estratégia também contempla novas unidades das marcas Radisson e Hilton Garden Inn.

“Tem três novos Radisson que nós vamos abrir, sendo um em João Pessoa, um em Salvador e um em Florianópolis. E também a expansão junto à bandeira Hilton. A gente tem dois Hilton Garden Inn previstos, um em Itapema, perto de Balneário Camboriú, e outro em Campo Grande”, afirmou.

Florianópolis representa uma nova frente para a Atlantica. Segundo Martini, a companhia ainda não possui presença na cidade e pretende utilizar o projeto para entrar em um mercado considerado relevante dentro da estratégia nacional.

Expansão chega a cidades secundárias

Além das capitais e dos destinos turísticos, a Atlantica pretende ampliar sua presença em cidades secundárias. O foco inclui municípios do interior e regiões com atividade ligada ao agronegócio.

“A gente tem algumas outras cidades primárias, algumas outras capitais em projetos que ainda não foram totalmente divulgados e um plano também agressivo de expansão em cidades secundárias, na região do agro, no interior do país e em cidades que merecem uma presença de hotel de rede”, afirmou Martini.

A estratégia de avançar para mercados secundários já vinha sendo apresentada pela companhia ao longo de 2026. Em março, a Atlantica informou que pretendia ampliar sua presença fora dos grandes centros, com novas unidades e diferentes marcas.

A companhia também vem utilizando diferentes formatos para ampliar o portfólio, incluindo hotéis administrados, franquias, multipropriedades e residenciais com serviços.

Crescimento supera média, diz executivo

Martini também avaliou o desempenho da companhia no primeiro semestre. Segundo ele, a Atlantica continua apresentando crescimento acima da média registrada pelo mercado hoteleiro, embora em ritmo inferior ao observado em anos anteriores.

“A Atlantica continua performando acima da performance média de mercado, e isso comparando com os números do FOHB, que congrega as principais redes hoteleiras”, afirmou.

O executivo destacou que o cenário atual reúne diferentes fatores que afetam o desempenho do setor, mas afirmou que a empresa mantém o planejamento para os próximos anos.

“Em ritmo de crescimento, é talvez menor do que em anos anteriores, mas ainda assim um crescimento muito constante. A gente não está num ano fácil, passamos por Copa do Mundo, muitos feriados e agora as eleições.”

Martini também citou mudanças regulatórias e econômicas que deverão impactar a hotelaria nos próximos anos.

“Independentemente do cenário político que venha a acontecer, a gente está preparado para o momento futuro, que também é um momento de muita transformação, com reforma tributária, com fim da escala 6 por 1, que são coisas que impactam muito o nosso negócio”, disse.

Mais de 5 mil quartos no pipeline

Somados, os 34 empreendimentos previstos pela Atlantica representam mais de 5 mil novos quartos. O volume amplia o pipeline da companhia em um momento de expansão do portfólio.

“Esses 34 hotéis representam mais de 5 mil quartos adicionais. É um número bem expressivo, maior do que muitas redes que a gente tem no mercado”, afirmou Martini.

A expansão ocorre após um período de crescimento do inventário da companhia. Em 2025, a Atlantica registrou 18 novos empreendimentos e assinou 18 contratos, que somaram 3.055 quartos ao pipeline. Para 2026, a empresa havia projetado crescimento de 12% na receita e a abertura de 13 hotéis e nove residências.

Para Martini, o volume de novos projetos também está relacionado à demanda dos investidores por diferentes formatos de hotelaria e à estratégia da companhia de ampliar sua presença nacional.

“Eu acho que isso mostra muito do apetite e do reconhecimento do mercado em cima do trabalho que a gente tem feito”, afirmou.

Com os novos projetos, a Atlantica pretende ampliar sua atuação tanto em destinos já consolidados quanto em cidades onde ainda não possui presença. O movimento inclui capitais como Salvador, João Pessoa e Florianópolis, além de municípios do interior e mercados relacionados ao agronegócio.

“A Atlantica continua se expandindo. Esse é um crescimento mais acelerado do que a gente vem fazendo nos últimos anos”, concluiu Martini.