Como líderes da Hilton e MSC estão preparando suas empresas para o próximo ciclo de crescimento

LA VALETA, MALTA – Como crescer em um setor cada vez mais global, tecnológico e competitivo? Essa foi a pergunta que colocou frente a frente Christopher J. Nassetta, CEO da Hilton, e Pierfrancesco Vago, executive chairman da MSC Cruises e chairman do MSC Group, durante o painel “De onde virá o crescimento futuro?”, realizado nesta quinta-feira (08) na 26ª Cúpula Mundial do WTTC, em Malta. A conversa, mediada por Manfredi Lefebvre d’Ovidio, chairman do WTTC, passou por modelos de negócio, expansão internacional, novas marcas, inteligência artificial, sustentabilidade e pela aproximação entre hotelaria e cruzeiros.

Apesar de atuarem em segmentos diferentes, Hilton e MSC compartilham desafios semelhantes: operar globalmente, antecipar mudanças no comportamento do consumidor e investir hoje em produtos que continuarão relevantes nos próximos anos.

Para Nassetta, um dos elementos centrais da estratégia da Hilton foi deixar de depender de um modelo intensivo em ativos e construir uma rede global em parceria com investidores e operadores locais. “Seria impossível para nós fazer isso apenas com nosso balanço. Esse caminho nos permitiu oferecer grandes hotéis e grandes destinos com parceiros que têm conhecimento e capital local”, explicou.

Hilton aposta em escala e rede global

O CEO destacou a transformação do modelo de negócios da Hilton, que passou de uma operação mais intensiva em ativos para uma estrutura mais leve em capital, apoiada em parceiros locais. Segundo ele, o modelo permite à companhia ampliar sua presença mundial sem precisar financiar diretamente toda a expansão.

A estratégia também cria um efeito de rede, conectando diferentes categorias de hospedagem e mercados e ampliando a relação com o consumidor ao longo de sua jornada.

Hilton
Christopher J. Nassetta, CEO da Hilton

A parceria com a MSC aparece justamente nesse contexto. As duas companhias anunciaram uma estratégia conjunta para explorar o segmento de cruzeiros de luxo, combinando a expertise da MSC na operação marítima com a plataforma global da Hilton e seu relacionamento com clientes.

Vago destacou que a Hilton possui uma base de aproximadamente 115 milhões de clientes, o que cria uma oportunidade natural para conectar os dois negócios.

MSC precisa pensar hoje no consumidor de amanhã

Do lado da MSC, o desafio é diferente. A construção de um navio contemporâneo pode chegar a € 2 bilhões, segundo Vago, e envolve uma cadeia industrial complexa, com tecnologia, engenharia, energia e materiais. O executivo ressaltou que o ciclo de desenvolvimento de um navio exige pensar com muitos anos de antecedência.

Como a concepção e construção podem levar cerca de cinco anos, a companhia precisa antecipar como será o comportamento do passageiro, o que ele buscará a bordo e até como serão os espaços daqui a 15 anos.

“É muito desafiador projetar hoje o que as pessoas vão querer comer, como vão estar as mesas e como será um quarto daqui a 15 anos”, explicou.

Como líderes da Hilton e MSC estão preparando suas empresas para o próximo ciclo de crescimento
Pierfrancesco Vago, executive chairman da MSC Cruises e chairman do MSC Group

Para o Chairman, o crescimento da MSC depende também da capacidade de ampliar sua presença em diferentes regiões do mundo, oferecendo aos passageiros a possibilidade de viajar por mercados como Mediterrâneo, Europa, América, Caribe e Pacífico.

Hotelaria e cruzeiros se aproximam

A conversa também abordou uma tendência cada vez mais evidente no Turismo: a aproximação entre hotelaria e cruzeiros. Segundo Manfredi, diferentes grupos vêm criando marcas próprias ou realizando investimentos cruzados entre os dois segmentos.

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No caso de Hilton e MSC, a estratégia escolhida foi uma parceria, e não a construção de uma operação conjunta tradicional. Para Pierfrancesco Vago, a união permite combinar competências complementares: a MSC domina a experiência marítima e a operação de navios, enquanto a Hilton possui escala, distribuição e relacionamento com consumidores.

IA deve transformar a experiência

A tecnologia foi outro eixo central do debate. Vago afirmou que a digitalização já está modificando a operação dos navios, desde a comunicação com passageiros até o atendimento em diferentes idiomas. Segundo ele, a inteligência artificial pode reduzir processos que historicamente exigiam grandes estruturas físicas e equipes dedicadas. Um exemplo citado foi a necessidade de grandes recepções nos navios para atender passageiros de dezenas de nacionalidades.

O executivo também aposta na evolução dos humanoides. Em uma operação na qual um navio pode desembarcar até 7 mil passageiros em seis horas, movimentando cerca de 14 mil peças de bagagem considerando duas por passageiro, robôs poderiam assumir tarefas operacionais e liberar funcionários para atividades de maior valor na experiência do hóspede.

Nassetta, por sua vez, ressaltou que a tecnologia deve ampliar a personalização sem substituir o elemento humano da hospitalidade. Para ele, o viajante já está conectado digitalmente durante praticamente toda a jornada, da inspiração e planejamento à reserva e ao pós-viagem, e a inteligência artificial permitirá oferecer experiências cada vez mais personalizadas.

“O nosso negócio é de pessoas servindo pessoas, e sempre será”, afirmou.

Sustentabilidade entra no desenho dos novos navios

O Chairman da MSC também destacou que a crescente complexidade e o custo dos navios vêm acompanhados de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e sustentabilidade. Entre as tecnologias citadas estão sistemas avançados de tratamento de água, redução de ruído da propulsão, produção e engarrafamento de água a bordo, pesquisas com células de combustível e hidrogênio e a possibilidade de operar com conexão elétrica em terra.

Em Malta, segundo o executivo, a MSC já utiliza o sistema de cold ironing, permitindo que os navios conectem-se à rede elétrica do porto durante a permanência no destino. Para Vago, manter uma indústria naval forte na Europa é estratégico não apenas para a MSC, mas para toda a cadeia econômica envolvida na construção e desenvolvimento de novos navios.

O debate mostrou, assim, que o próximo ciclo de crescimento do Turismo não dependerá de uma única fórmula. Para Hilton e MSC, escala, parcerias, expansão internacional, tecnologia e capacidade de antecipar o comportamento do viajante serão elementos fundamentais para conquistar espaço em um mercado em transformação.

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