
SÃO PAULO – A Braztoa avalia que a disputa por preços entre empresas faz parte da dinâmica de mercado, mas afirma que não interfere em decisões comerciais de suas associadas. Em entrevista ao Mercado & Eventos durante o segundo dia da Abav Expo (1) Marina Figueiredo, Presidente Executiva da Braztoa, também aborda o avanço da inteligência artificial nas operadoras, a 14ª edição do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, a agenda institucional até o fim de 2026 e as perspectivas de crescimento para o setor no segundo semestre.
A disputa por preços entre empresas do turismo tem sido um dos temas discutidos pelas operadoras ao longo de 2026. A atuação da Braztoa está voltada à representação e ao apoio às operadoras de turismo de lazer, com ações institucionais, iniciativas de desenvolvimento do setor e promoção e apoio à comercialização.
Questionada sobre a chamada guerra de preços e seus efeitos no setor, Marina afirma que a Braztoa não tem uma atuação formal sobre a disputa de preços, mas mantém como referência princípios como ética e transparência na relação entre empresas. “Sempre vamos priorizar trabalhar em um ambiente que seja sustentável”, acrescenta.
A definição de preços faz parte da dinâmica de qualquer mercado e não é uma característica exclusiva do turismo. A orientação, portanto, passa pela análise individual de cada empresa sobre seus limites e condições de operação. “Sabemos que a concorrência de preço sempre existiu e sempre vai existir, faz parte da guerra de mercado, mas é óbvio que já evoluímos para um processo em que o preço não é mais o ponto principal”, pontua.
Nesse cenário, a Marina também chama atenção para o papel do consumidor e das agências de viagens na avaliação de produtos e serviços. “É preciso olhar e entender muito além do preço: qualidade de serviço, segurança, garantia que a empresa oferece e credibilidade da empresa. O preço é um dos elementos e nem de longe pode ser o elemento principal de uma escolha.”
Braztoa amplia discussão sobre IA e tecnologia
Para a Braztoa, a tecnologia já passou a fazer parte da discussão sobre a operação das empresas, tanto na relação com o viajante quanto nos processos internos. A Inteligência Artificial (IA) pode contribuir para ampliar a competitividade, agilizar processos e liberar as equipes de atividades repetitivas, permitindo que os profissionais dediquem mais tempo a tarefas que exigem atuação humana. “Hoje não tem mais como falar de turismo sem falar de IA, enfatiza.
A associação lembra que inovação já faz parte de sua agenda há anos e que a inteligência artificial passou a ocupar espaço central dentro dessa discussão. Ao mesmo tempo, ressalta que o debate sobre inovação não deve ficar restrito à tecnologia. “Já realizamos várias ações, como o Café com Inovação, os hackathons e hoje estamos com a IA como foco principal”, relata.
As próprias operadoras já buscam soluções de inteligência artificial de forma independente, entretanto, para Marina, a velocidade de transformação tecnológica cria a necessidade de iniciativas de atualização e capacitação. Como parte desse movimento, a Braztoa promove encontros e workshops voltados à tecnologia, como um workshop recente com o Aeroporto de Guarulhos e revela que novos eventos sobre inteligência artificial já estão previstos no planejamento de 2027. A entidade também mantém levantamentos periódicos com suas associadas sobre vendas, embarques, destinos, comportamento de compra e desafios do mercado.
Sustentabilidade entra na reta final de premiação
O Prêmio Braztoa de Sustentabilidade foi criado para reconhecer iniciativas que relacionam turismo, inovação e responsabilidade, enquanto a entidade também desenvolve ações relacionadas à gestão sustentável e à neutralização de carbono. Entre os participantes estão grandes e pequenas empresas, hotéis, receptivos, guias de turismo, atrativos e eventos. A própria Braztoa mantém a sustentabilidade como uma das frentes de atuação da entidade.
A agenda da entidade também inclui a 14ª edição do prêmio. A cerimônia de entrega está prevista para 12 de novembro, em Gramado, antes da abertura do Festuris. “A cada edição comemoramos a evolução que temos visto de sustentabilidade no setor de turismo. Ficamos felizes com as iniciativas que chegam para a gente, que são cada vez mais complexas, olhando para todos os aspectos da sustentabilidade”, comenta Marina.
A edição de 2026 recebeu inscrições de iniciativas de diferentes estados e regiões brasileiras, além de empresas e profissionais com perfis variados. “Este ano tivemos muitas iniciativas que se inscreveram pela primeira vez no prêmio.” Marina também revela estar feliz de “saber que a cada ano conseguimos trazer empresas e negócios novos. Não estamos no mesmo ciclo há 14 anos, falando com os mesmos empresários do setor.”
Agenda da Braztoa inclui convenção e troca de gestão
Entre as próximas atividades da Braztoa está a convenção anual da entidade, marcada para outubro, em Portugal. O encontro será realizado no Alentejo e será a primeira vez que a convenção acontece na Europa. “A nossa convenção anual é um dos momentos mais especiais para a gente, quando conseguimos nos reunir e passar alguns dias com quase todos os associados ou uma boa parte deles convivendo”, destaca Marina. Além da programação formal, a entidade destaca os momentos de interação entre associados como parte importante do encontro.
Depois da convenção e do prêmio, a associação ainda terá a última assembleia do ano, que incluirá a troca de gestão do Conselho de Administração. Segundo Marina, Fabiano Camargo encerra um ciclo de duas gestões no conselho, após três anos e meio de trabalho, e a entidade começa a preparar a próxima composição para um período de dois anos.
Também está previsto um workshop sobre reforma tributária para os associados. Marina afirma que o tema tem sido recorrente nos últimos anos e que a atualização das empresas será necessária diante das mudanças previstas.
Projeção é de crescimento, mas com cautela
Questionada sobre a possibilidade de queda no faturamento das operadoras nos próximos meses ou anos, Marina evita estabelecer uma previsão definitiva e ressalta a sensibilidade do turismo a mudanças econômicas e conjunturais. Porém, a partir dos dados do Boletim Braztoa e das informações coletadas no primeiro semestre, a espera é de crescimento no segundo semestre. “Considerando o que veio de dado concreto, nossa expectativa é de que não tenha queda, de que tenha crescimento, com toda a cautela que sabemos que precisamos ter”, afirma.
O setor continua enfrentando desafios e Marina cita o cenário econômico e o período eleitoral como fatores que podem influenciar o ambiente de negócios. “É um ano bastante desafiador, como têm sido os últimos anos, e economia do país fica abalada. Há uma série de questões que impactaram, mas as projeções e os dados que tínhamos até o mês retrasado eram de crescimento”, declara.
Os dados consolidados sobre o desempenho anual só estarão disponíveis posteriormente, com o anuário previsto para os meses de abril ou maio. Até lá, a entidade acompanha vendas e embarques e mantém a expectativa de expansão. A associação encerra a avaliação destacando a necessidade de adaptação das empresas diante das mudanças do mercado. “Os operadores têm trabalhado muito essa capacidade de se adaptar. Então, estamos apostando ainda em crescimento”, conclui.







