HSMAI
A relação entre empresas e fornecedores também foi discutida (Divulgação/HSMAI)

A HSMAI Brasil realizou a 9ª edição do Converge 2026, antigo TMMs Summit (Travel & M.I.C.E. Managers Summit), no Club Med Lake Paradise, no interior de São Paulo. O encontro reuniu cerca de 200 gestores de viagens e eventos e parceiros para discutir tecnologia, comportamento, procurement, hotelaria e os novos desafios do mercado corporativo.

Gabriela Otto, presidente da HSMAI Brasil e Latam, destacou a importância da integração entre os diferentes segmentos. “Nós acreditamos que o mercado de viagens e eventos corporativos avança quando todos entram na mesma conversa”, afirmou.

A Inteligência Artificial foi um dos principais temas do encontro da HSMAI. Douglas Petrocino, Chief Product & Technology Officer da Omnibees, apontou que boa parte dos problemas está no processo anterior à viagem. Segundo ele, 57% das reservas online são feitas sem um perfil associado, o que aumenta o retrabalho e dificulta a personalização. “A IA não aprova viagens por você. Ela analisa padrões para que você defina a política certa”, explicou.

Em outro painel, profissionais da Pearson, Farmarcas e Inteegra apresentaram aplicações práticas da tecnologia em eventos, desde a organização da escala de cerca de 350 colaboradores até a revisão de processos e gestão de dados. Para Bruna Morsoleto, da Pearson, a tecnologia deve apoiar, e não substituir, as pessoas. “É para pensar melhor, não pensar menos. Nunca vou perder meu capital humano”, afirmou.

Compradores buscam parceiros estratégicos

A relação entre empresas e fornecedores também foi discutida. Luanácyara Motta, da Bayer, defendeu uma mudança na abordagem comercial, com fornecedores mais envolvidos na identificação de problemas e na geração de valor. “Procurement não procura fornecedores. Procura parceiros”, afirmou.

A especialista também destacou a importância de reuniões focadas em oportunidades, abordagens personalizadas e Business Reviews para acompanhar resultados e identificar novos negócios.

Brasil ganha espaço nas viagens corporativas

Daniel Duarte, da GBTA, apresentou dados sobre o mercado brasileiro de viagens corporativas. O Brasil ocupa a décima posição entre os maiores mercados mundiais, com crescimento de 13,5% e movimentação estimada em US$ 35,8 bilhões.

O desafio, segundo o executivo, é ampliar a análise sobre o retorno das viagens. “A grande mudança é parar de olhar para o quanto custou, mas ver o valor de uma decisão. Vai crescer no mercado quem parar de gerenciar viagens e começar a gerenciar decisões”, afirmou.

Hotelaria e Reforma Tributária viram pauta do encontro da HSMAI

A formação de tarifas hoteleiras também entrou na agenda. Representantes de hotéis e empresas discutiram custos, distribuição, tarifas fixas e modelos dinâmicos baseados em ocupação e demanda.

Weslley Brito, da Natura, destacou a importância de conhecer o perfil dos viajantes para orientar as decisões de compra.

A Reforma Tributária foi outro ponto de atenção. Priscila Pereira, da Atlântica Hotels, alertou para os impactos que as mudanças podem trazer para a gestão de viagens. “Se aprofundem na Reforma Tributária, todos seremos impactados por ela. Acho que 2027 vai ser um ano muito desafiador”, afirmou.

Agronegócio amplia demanda por eventos

O mercado de eventos ligados ao agronegócio também ganhou destaque. Segundo dados apresentados no encontro, cinco grandes feiras do setor movimentaram aproximadamente R$ 41,2 bilhões em negócios reportados e receberam mais de 1,94 milhão de visitantes em cinco destinos brasileiros.

Os participantes ressaltaram que hotéis e destinos precisam adaptar seus serviços às características desse público. Um exemplo é o café da manhã, já que muitos profissionais do agro iniciam as atividades antes do horário convencional. “O público do agro toma café mais cedo que o costume, por volta das 5h ou 6h”, explicou Thalita Aquino, da Bayer.

A programação também abordou comportamento e neurociência. Camila Santos, da TEDex – CamiX Customer, mostrou como o excesso de decisões influencia o comportamento e defendeu uma comunicação mais clara e objetiva nas relações com clientes e viajantes.