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Grandes eventos de música e entretenimento vêm ganhando força como motores de viagens dentro do Brasil (Divulgação/Menos é Mais)

Shows, festivais e festas tradicionais no Brasil não apenas atraem milhares de pessoas, mas também estimulam hospedagem, alimentação, transporte e consumo nas cidades que recebem essas programações.

Um exemplo recente foi o show do Grupo Menos é Mais, realizado no último sábado, no gramado do Riocentro, no Rio de Janeiro. Mais de 20 mil pessoas acompanharam a apresentação, que reuniu um público diverso e contou, inclusive, com muitos estrangeiros — com o espanhol sendo um idioma frequente entre os presentes.

A atual turnê do grupo já ultrapassou a marca de 126 mil pessoas, considerando as apresentações realizadas em Ribeirão Preto, Fortaleza, Belém, Vila Velha, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Para as próximas cinco praças — Campinas, São Paulo, Recife, Porto Alegre e Salvador —, a expectativa é receber mais de 90 mil pessoas.

O movimento mostra como a música pode funcionar como um importante gatilho para deslocamentos e experiências turísticas, especialmente em um momento de maior interesse dos brasileiros por viagens domésticas.

Eventos no Brasil entram no roteiro das viagens

Essa tendência também aparece no comportamento dos viajantes. Segundo o relatório Unpack ’26: The Trends in Travel, da Hoteis.com, 84% dos brasileiros afirmam estar mais interessados em fazer viagens nacionais do que no ano anterior.

O levantamento aponta ainda para o crescimento do chamado event hopping, comportamento em que o viajante organiza a viagem em torno de eventos e aproveita a oportunidade para conhecer diferentes regiões, bairros e experiências do destino.

Na prática, um show ou festival deixa de ser apenas o motivo da viagem e passa a funcionar como ponto de partida para uma programação mais ampla, que pode incluir gastronomia, cultura, entretenimento e lazer.

“Os viajantes brasileiros estão procurando, cada vez mais, maneiras de transformar uma única viagem em múltiplas experiências”, afirmou Melanie Fish, vice-presidente de Relações Públicas Globais do Expedia Group.

Segundo ela, shows, eventos esportivos e a cultura pop têm influência crescente na escolha dos destinos, especialmente entre viajantes que buscam experiências mais imersivas.

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Grandes shows e festivais passam a atuar como indutores de viagens, ocupação hoteleira e geração de negócios (Divulgação/Menos é Mais)

Rock in Rio reforça impacto no Rio

No Rio de Janeiro, o Rock in Rio é outro exemplo da capacidade dos grandes eventos de movimentar o turismo. A edição de 2026 tem expectativa de receber 700 mil pessoas ao longo dos sete dias de festival e gerar R$ 3,36 bilhões de impacto econômico na cidade.

Além de impulsionar a ocupação hoteleira durante os dias de programação, eventos desse porte favorecem a permanência dos visitantes por mais tempo e estimulam a circulação por diferentes regiões da cidade.

Entre as opções de hospedagem destacadas pela Hoteis.com estão o Fairmont Rio de Janeiro Copacabana e o Janeiro Hotel, integrantes do programa VIP Access.

Lollapalooza Brasil movimenta São Paulo

Em São Paulo, o Lollapalooza Brasil 2026 também mostrou a dimensão desse mercado. Realizado entre 20 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, o festival reuniu quase 300 mil pessoas ao longo dos três dias.

Para além dos shows, a realização do evento movimenta uma extensa cadeia ligada ao turismo, incluindo hotéis, restaurantes, bares, transporte e serviços. A experiência de quem esteve no festival também evidenciou a importância da estrutura urbana e da mobilidade para receber grandes fluxos de visitantes.

Barretos: evento que movimenta o interior

No interior paulista, a Festa do Peão de Barretos mostra que o impacto dos grandes eventos não se restringe às capitais.Em 2025, o evento recebeu mais de 990 mil visitas ao longo de 11 dias e movimentou cerca de R$ 600 milhões, segundo levantamento da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP).

A festa, que chegou à sua 71ª edição em 2026, ocupou uma área de aproximadamente 2 milhões de metros quadrados e provocou um efeito que ultrapassa os limites de Barretos. A alta demanda contribui para acelerar a ocupação hoteleira, impulsionar os aluguéis por temporada e beneficiar municípios da região.

Com quase 1 milhão de visitas, o evento se consolida como um dos principais motores do turismo no interior paulista durante o mês de agosto.

Música como motivo para viajar

Do pagode ao rock, passando por festivais e eventos tradicionais, os números mostram que o entretenimento no Brasil vem ocupando um espaço cada vez maior na decisão de viajar.

Para o turismo, o fenômeno é especialmente relevante porque um evento tem capacidade de transformar uma visita pontual em uma viagem completa. O turista que se desloca para assistir a um show pode chegar antes, ficar mais dias, conhecer atrações locais e consumir produtos e serviços em toda a cadeia turística.

Assim, grandes shows e festivais deixam de ser apenas eventos de entretenimento e passam a atuar como indutores de viagens, ocupação hoteleira e geração de negócios, fortalecendo destinos e movimentando a economia em diferentes regiões do país.