Experiência
Renata Vescovi, gestora do Polo de Referência e Disseminação de Turismo de Experiência do Sebrae (Beatriz do Vale/M&E)

FORTALEZA – O turismo de experiência vem se consolidando como uma das principais tendências do setor e já influencia diretamente a decisão de compra dos viajantes brasileiros. O tema foi destaque durante o Agente Tá On na Estrada, evento promovido pela Azul Viagens no Ceará, em apresentação conduzida por Renata Vescovi, gestora do Polo de Referência e Disseminação de Turismo de Experiência do Sebrae.

Segundo a especialista, o perfil do turista mudou significativamente nos últimos anos. Mais do que visitar atrações ou cumprir roteiros tradicionais, os viajantes passaram a buscar conexões genuínas com os destinos, experiências transformadoras e atividades capazes de gerar memórias duradouras.

“O turista não quer apenas viajar. Ele quer se conectar com o lugar, vivenciar a comunidade local, participar das experiências e encontrar significado naquela viagem.”

A mudança ganhou força especialmente após a pandemia, período que acelerou tendências já observadas pelo mercado, como a busca por bem-estar, desaceleração, contato com a natureza e atividades ao ar livre.

Entre os exemplos citados estão viagens voltadas para corridas de rua, festivais de música, observação astronômica, turismo de base comunitária, experiências gastronômicas e atividades ligadas à sustentabilidade.

O que os turistas procuram

Dados apresentados pelo Sebrae mostram que 98% dos entrevistados consideram as experiências um fator importante na escolha de um destino turístico. Outros 79% afirmaram buscar vivências, oficinas e atividades participativas durante as viagens.

Além disso, quase metade dos viajantes demonstra preferência por grupos menores e experiências mais exclusivas, movimento que acompanha o crescimento do chamado slow travel, conceito baseado em viagens mais lentas, imersivas e conectadas ao território visitado.

“A busca deixou de ser apenas por lazer. Hoje as pessoas procuram tempo de qualidade, conexão, bem-estar e transformação pessoal”, destacou Renata.

Outro aspecto apontado pela especialista é o crescimento da demanda por atividades que permitam participação ativa dos visitantes, especialmente entre as gerações mais jovens.

Experiências ligadas à produção artesanal, gastronomia local, turismo rural, observação da natureza e projetos de conservação ambiental estão entre as iniciativas que mais despertam interesse.

Agente de viagens ganha papel consultivo

Para Renata, essa transformação também altera a forma de atuação dos agentes de viagens. Se antes o profissional era visto principalmente como responsável pela venda de passagens, hospedagem e logística, agora assume um papel cada vez mais consultivo: “O agente deixa de ser apenas um vendedor e passa a atuar como curador de experiências e assessor de viagens”.

A especialista destacou que compreender o perfil, os interesses e as motivações do cliente tornou-se fundamental para oferecer produtos mais alinhados às expectativas dos viajantes. Segundo ela, esse modelo também contribui para aumentar a fidelização, estimular a recompra e reduzir a competição baseada exclusivamente em preço.

Valor percebido supera preço

Outro ponto destacado durante a apresentação foi a importância do valor percebido pelo consumidor.
De acordo com Renata, experiências bem estruturadas permitem que os viajantes enxerguem diferenciais capazes de justificar investimentos maiores em comparação a produtos tradicionais.

“Quando o cliente percebe valor, ele deixa de comparar apenas preço. Ele passa a comprar a experiência, a história e a transformação que aquela viagem pode proporcionar.”

A executiva ressaltou ainda que o turismo de experiência abre oportunidades para destinos de diferentes portes, fortalece economias locais e cria novas possibilidades de comercialização para agentes, operadoras e fornecedores do setor.

*O M&E viaja com proteção GTA