
Israel vai usar novamente o turismo doméstico como uma das ferramentas para movimentar a cadeia turística e sustentar empresas do setor durante o processo de recuperação da demanda internacional. Em novembro, o Ministério do Turismo do país realiza a segunda edição do “Mês do Turismo Israelense”, iniciativa que prevê cerca de 1.000 tours guiados, além de atividades culturais, esportivas, gastronômicas e de entretenimento com preços promocionais.
A programação será distribuída por quatro regiões do território israelense ao longo do mês. Parte das experiências terá preço simbólico de 18 shekels, enquanto outras atividades serão oferecidas gratuitamente ou com descontos. A estratégia segue uma iniciativa criada em 2025 para estimular os deslocamentos dos próprios israelenses e aumentar a movimentação de hotéis, restaurantes, atrações, guias e outros fornecedores turísticos.
O movimento acontece em um momento em que Israel tenta recuperar o fluxo de visitantes estrangeiros. Dados oficiais mostram que 110,9 mil visitantes entraram no país em julho de 2026, sendo 109,3 mil turistas. O número representa avanço em relação a julho de 2025, quando foram registradas 86,1 mil entradas de visitantes e 85 mil turistas.
O planejamento do Ministério do Turismo para 2026 trabalha com uma meta de aproximadamente 2,3 milhões de entradas de turistas ao longo do ano. O documento oficial também estabelece como objetivo ampliar a contribuição econômica do turismo doméstico e manter ações de marketing internacional.
Turismo doméstico vira ferramenta para manter a cadeia ativa
A aposta no público local tem uma explicação econômica. Enquanto a entrada de estrangeiros ainda não voltou aos níveis registrados antes da crise, o turismo doméstico ajuda a gerar demanda para empresas que dependem da circulação de visitantes.
A primeira edição do Mês do Turismo Israelense foi realizada em 2025 e contou com centenas de passeios, apresentações e experiências a 18 shekels ou gratuitamente. A iniciativa foi concebida como uma programação anual, justamente para estimular viagens internas em períodos de menor demanda.
Para a edição de 2026, o Ministério amplia a programação e mantém a lógica regional. A proposta não se limita aos grandes centros turísticos. O calendário envolve diferentes áreas do país e inclui experiências de natureza, cultura, gastronomia e atividades conduzidas por profissionais locais.
O valor de 18 shekels tem também um componente simbólico. Na tradição judaica, o número 18 está associado à palavra “chai”, relacionada à ideia de vida. Na primeira edição do programa, o preço foi utilizado pelo Ministério como tarifa simbólica para uma série de experiências.
Quatro regiões terão programação em novembro
O calendário de 2026 será dividido em quatro etapas. A primeira acontece entre 4 e 7 de novembro, com atividades em Jerusalém, Cisjordânia, colinas da Judeia e áreas próximas.
Entre 11 e 14 de novembro, a programação segue para o norte de Israel. De 18 a 21 de novembro, será a vez do sul, incluindo áreas do deserto do Negev. O último período ocorre de 25 a 28 de novembro, abrangendo a região central, de Carmel até Ashdod.
Entre as experiências previstas estão caminhadas guiadas pela Israel National Trail, atividades culturais, programação esportiva, gastronomia e eventos conduzidos por especialistas.
A programação também inclui apresentações artísticas e benefícios oferecidos por empresas participantes. Hotéis, atrações e outros negócios turísticos poderão apresentar descontos durante a semana dedicada a cada região.
A iniciativa envolve diretamente empresas da cadeia turística israelense, que podem participar da programação e ganhar exposição dentro da campanha coordenada pelo Ministério do Turismo.
Recuperação internacional ainda está em andamento
Apesar da ampliação das ações promocionais, os números mostram que a recuperação do turismo internacional ainda não foi concluída.
Em 2025, Israel recebeu aproximadamente 1,3 milhão de visitantes internacionais, segundo dados divulgados pelo Ministério do Turismo. O volume ficou muito abaixo do registrado antes da pandemia, quando o país chegou a receber mais de 4,5 milhões de turistas em 2019.
Em 2026, os indicadores mensais passaram a mostrar aumento em alguns períodos. Em fevereiro, por exemplo, foram registradas 121,5 mil entradas de visitantes, contra 89,3 mil no mesmo mês de 2025. Já em maio, o país registrou 65,7 mil entradas, abaixo das 126,8 mil contabilizadas um ano antes. Os números mostram que a recuperação não ocorre de forma linear.
O próprio planejamento oficial israelense trata o número de entradas de turistas como uma estimativa para 2026, com meta de 2,3 milhões. O documento também prevê investimentos para aumentar a presença do destino em mercados internacionais.
Brasil continua no radar do Ministério
O mercado brasileiro permanece dentro da estratégia internacional do turismo israelense. O Ministério mantém uma estrutura específica em São Paulo para relacionamento com o trade, marketing e promoção do destino.
A representação brasileira é liderada por Paulo C. Barbosa e conta com profissionais dedicados às áreas de relações públicas, marketing e atividades comerciais.
O planejamento internacional também inclui a campanha “I Am Israel”, criada para reposicionar o destino em mercados emissores e ampliar sua presença na comunicação turística. O plano de trabalho de 2026 prevê ações com empresas de distribuição, OTAs, meios de comunicação e outros parceiros internacionais.
O Ministério também tem buscado aproximação com operadores e empresas especializadas em diferentes mercados. Durante a Fitur 2026, por exemplo, a pasta informou ter realizado reuniões com grandes distribuidores de turismo, companhias aéreas e representantes do setor com o objetivo de ampliar a comercialização de Israel e fortalecer a conectividade aérea.
O que a movimentação representa para o trade brasileiro
Para operadores e agentes de viagens brasileiros, a principal informação está menos no preço promocional dos tours e mais no movimento de reconstrução da oferta turística israelense.
A existência de uma programação nacional envolvendo diferentes regiões indica que o turismo doméstico continua sendo utilizado para gerar demanda e manter negócios ativos. Ao mesmo tempo, os investimentos em marketing internacional mostram que o país trabalha para recuperar espaço nos mercados emissores.
Isso não significa, por si só, que a demanda internacional tenha retornado aos níveis anteriores. Os próprios dados oficiais mostram oscilações importantes ao longo de 2026. A leitura mais precisa é de um mercado em processo de recuperação, com ações simultâneas para sustentar o turismo interno e estimular novamente a chegada de estrangeiros.
Para o Brasil, esse movimento mantém aberta uma frente de relacionamento com o destino. A estrutura do Ministério em São Paulo e a presença do país nos planos de promoção internacional mostram que o mercado brasileiro continua incluído na estratégia de retomada.
A iniciativa de novembro também reforça uma mudança na comunicação turística de Israel. Além dos tradicionais roteiros históricos e religiosos, o país tenta apresentar uma oferta mais ampla, que envolve natureza, gastronomia, cultura, atividades ao ar livre e experiências regionais.
Para o consumidor brasileiro, essas categorias podem complementar os roteiros tradicionais de Jerusalém, Tel Aviv, Mar Morto e Galileia. Para o trade, representam possibilidades de diversificação de produtos quando a comercialização internacional avançar.
Por enquanto, o cenário é de reconstrução. Israel ainda está distante dos volumes históricos de visitantes, mas os dados de 2026 mostram que o fluxo internacional voltou a apresentar crescimento em determinados períodos. Ao mesmo tempo, o governo mantém investimentos em promoção e usa o turismo doméstico como uma das formas de sustentar a atividade enquanto trabalha pela recuperação do mercado externo.







