
A basílica da Sagrada Família, em Barcelona, deverá ter as obras estruturais concluídas em 2026. A nova previsão foi anunciada pela fundação responsável pelo projeto e coincide com o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926). A conclusão de elementos decorativos e da escadaria da entrada principal, no entanto, está prevista para 2034. A expectativa é de que essa etapa final complemente o caráter artístico e simbólico do templo, que se tornou uma das maiores expressões da arquitetura modernista no mundo.
Segundo o presidente da entidade encarregada da obra, Esteve Camps, até 2026 devem estar finalizadas as paredes e as torres, incluindo a Torre de Jesus Cristo, com 172,5 metros de altura, porém a escadaria da entrada principal e decorações escultóricas têm data de conclusão de 2034. Essas estruturas representam uma parte essencial da concepção original de Gaudí, que via a basílica como um conjunto integrado de arquitetura, escultura e espiritualidade.
“Temos os materiais, as licenças e o dinheiro para que as obras da capela da Assumpta, da parte da rua Provença e da gigantesca Torre de Jesus possam ser inauguradas em 2026”, declarou à revista espanhola AD. Segundo ele, o cronograma atual reflete uma fase de estabilidade no projeto, algo raro ao longo da história da construção.
A construção da catedral emblemática da Sagrada Família teve início em 19 de março de 1882, quando a área ainda era predominantemente agrícola. Desde então, o avanço das obras contribuiu para o crescimento urbano no entorno da basílica, que se tornou um dos principais pontos turísticos da cidade. Hoje, o monumento é um símbolo de Barcelona e um dos templos mais visitados da Europa, atraindo turistas, fiéis e estudiosos da arquitetura.
Novidades na Sagrada Família
A escadaria da entrada principal da Sagrada Família, prevista no projeto original de Gaudí, deverá ocupar dois quarteirões e envolve o reassentamento de cerca de mil famílias e empresas. O tema é alvo de debates e ainda depende de decisões da prefeitura de Barcelona. Segundo Camps, a planta apresentada ao município em 1915, assinada por Gaudí, já incluía a construção da escadaria. “Estamos a seguir à letra o plano de Gaudí. Somos os seus herdeiros e não podemos renunciar ao seu projeto”, salientou.
O financiamento da obra, que inicialmente dependia de doações de pecadores arrependidos, passou a contar principalmente com recursos provenientes do turismo. Atualmente, cerca de cinco milhões de visitantes passam anualmente pela basílica, com ingressos que variam entre 25 e 40 euros, o que tem permitido a continuidade dos trabalhos.
Ao longo de mais de um século, a construção enfrentou interrupções causadas por conflitos, dificuldades financeiras e pela destruição de parte dos modelos originais durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).O arquiteto Lluís Bonet i Garí recuperou os fragmentos e restaurou as maquetes de Gaudí e o arquiteto neozelandês Mark Burry, através de um programa de computador aeronáutico, conseguiu estabelecer os detalhes técnicos de como realizar o projeto da Sagrada Família.
Ao longo dos anos, a obra nunca reuniu uma opinião consensual. Enquanto Salvador Dalí descrevia que a basílica tinha uma “beleza aterrorizante e comestível” , George Orwell dizia que era “um dos edifícios mais hediondos do mundo”, comentando mesmo a falha dos anarquistas por não “o terem explodido quando tiveram oportunidade” durante a Guerra Civil.
Com a conclusão da torre central, a Sagrada Família deverá se tornar o edifício mais alto de Barcelona. “Na Wikipedia alguém terá que mudar aquela frase que revela que a Sagrada Família é a maior igreja católica inacabada do mundo”, acrescentou Camps, numa referência bem-humorada ao fim de um dos rótulos mais conhecidos do monumento.
*Com informações de RTP.







