Terremoto de 7,4 na Colômbia acende alerta para vulcão que voltou a expelir cinzas
Tremor de 7,4 foi seguido por emissão de cinzas e gases no vulcão Puracé, um dos ativos (Reprodução/X surajit_ghosh2)

A Colômbia entrou em estado de atenção após um terremoto de magnitude 7,4 atingir o país nesta segunda-feira (10). O forte abalo provocou danos em diferentes áreas e foi seguido por uma mudança na atividade do vulcão Puracé, que passou a expelir cinzas e gases. O cenário levou especialistas e autoridades a reforçarem o monitoramento tanto da atividade sísmica quanto vulcânica no território colombiano.

O episódio chamou atenção pela proximidade temporal entre o terremoto e a alteração observada no Puracé, um dos vulcões mais ativos da Colômbia. A relação entre os dois fenômenos é possível, segundo o analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, embora isso não signifique que todo terremoto de grande magnitude necessariamente provoque uma erupção ou reative um vulcão.

O país também permanece sob atenção devido à possibilidade de novas réplicas. Um segundo tremor de magnitude 5 foi registrado cerca de 45 minutos depois do terremoto principal, segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Abalos dessa natureza podem representar um risco adicional em regiões onde estruturas já foram comprometidas pelo primeiro terremoto.

Terremoto na Colômbia teve profundidade diferente de outros tremores recentes

O terremoto registrado na Colômbia apresenta características semelhantes ao tremor que atingiu a Venezuela recentemente, principalmente pela magnitude. A diferença mais importante está na profundidade dos eventos.

“O terremoto na Colômbia guarda semelhanças com o que ocorreu recentemente na Venezuela, embora envolva placas tectônicas distintas”, explicou o analista.

Enquanto o terremoto venezuelano ocorreu a aproximadamente 10 quilômetros de profundidade, o tremor colombiano teve origem a cerca de 110 quilômetros abaixo da superfície. A profundidade influencia a maneira como a energia sísmica se propaga e pode alterar os efeitos sentidos em diferentes regiões.

Ainda segundo Côrtes, os dois países estão inseridos em contextos tectônicos distintos. No caso da Venezuela, o terremoto está relacionado à interação entre a placa Sul-Americana e a placa do Caribe. Na Colômbia, a dinâmica tectônica está associada à subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana, em uma das áreas de maior atividade sísmica da América do Sul.

Essa movimentação de placas é responsável por boa parte dos terremotos registrados na região andina e também está relacionada à formação e à manutenção de diversos vulcões ativos.

Réplica de magnitude 5 aumenta preocupação após primeiro tremor

Além do terremoto principal, a Colômbia registrou uma réplica de magnitude 5 aproximadamente 45 minutos depois do primeiro abalo.

O fenômeno é considerado comum após terremotos de grande intensidade. Depois de um evento principal, a crosta terrestre passa por uma sequência de ajustes que pode provocar novos tremores. Essas réplicas podem ocorrer durante horas, dias ou até semanas, com intensidade variável.

O problema é que construções atingidas pelo primeiro terremoto podem ficar ainda mais vulneráveis diante de novos abalos.

“Muitos edifícios que tiveram sua estrutura danificada acabaram colapsando diante desse segundo tremor”, afirmou Pedro Côrtes ao comentar a situação observada em eventos semelhantes.

Por esse motivo, a ocorrência de novas réplicas é uma das principais preocupações após terremotos de grande magnitude. Mesmo quando apresentam intensidade inferior ao primeiro tremor, esses eventos podem provocar desabamentos, interrupções de serviços e novos danos em áreas já afetadas.

Por que o terremoto pode estar relacionado ao vulcão Puracé?

A emissão de cinzas e gases pelo Puracé após o terremoto levantou dúvidas sobre uma possível conexão entre os fenômenos.

De acordo com o especialista, terremotos e vulcanismo podem estar relacionados em regiões onde existe intensa movimentação tectônica. A subducção ocorre quando uma placa tectônica mergulha por baixo de outra. Esse processo modifica as condições de pressão e temperatura no interior da Terra e contribui para a formação de magma.

Esse material pode encontrar caminhos para subir em direção à superfície por meio de fraturas e estruturas geológicas. Em determinadas condições, a movimentação provocada por um terremoto pode alterar o sistema de pressão existente em uma região vulcânica e favorecer a liberação de gases, cinzas ou outros materiais.

“É uma associação que pode efetivamente ocorrer”, explicou Côrtes.

O especialista também destacou que a costa oeste da América do Sul integra uma extensa área de intensa atividade tectônica conhecida como Cinturão de Fogo do Pacífico. A região concentra grande quantidade de terremotos e vulcões por causa da movimentação das placas tectônicas ao redor do oceano Pacífico.

Isso ajuda a explicar por que países como Colômbia, Equador, Peru e Chile apresentam histórico de terremotos e atividade vulcânica.

Vulcões adormecidos podem voltar a apresentar atividade?

A possibilidade de um terremoto contribuir para a reativação de um vulcão que estava sem atividade também foi abordada pelo analista.

Segundo Côrtes, esse tipo de fenômeno pode ocorrer com determinada frequência. Vulcões não permanecem necessariamente em erupção contínua. Muitos passam por períodos de atividade alternados com fases de menor movimentação, que podem durar anos ou até décadas.

“Os vulcões não permanecem ativos de forma permanente, mas se reativam de tempos em tempos”, explicou.

A emissão de gases e cinzas, portanto, não significa automaticamente que uma grande erupção esteja prestes a acontecer. O comportamento do vulcão precisa ser acompanhado por meio de diferentes indicadores, como atividade sísmica, emissão de gases, deformação do terreno e alterações na temperatura.

No caso do Puracé, o monitoramento é especialmente importante por se tratar de um vulcão conhecido por sua atividade e localizado em uma área de intensa movimentação tectônica.

Colômbia monitora risco de novos tremores e atividade vulcânica

O cenário registrado após o terremoto de 7,4 coloca dois fenômenos sob acompanhamento simultâneo: a sequência de réplicas e o comportamento do vulcão Puracé.

Para a população das áreas atingidas, os próximos tremores são uma preocupação imediata. Estruturas que apresentaram rachaduras ou outros sinais de comprometimento podem não suportar novos abalos, mesmo que sejam menos intensos que o terremoto principal.

Ao mesmo tempo, a atividade vulcânica exige observação contínua para identificar se a emissão de cinzas e gases representa apenas uma alteração temporária ou se faz parte de um processo de intensificação da atividade do Puracé.

*Com informações de CNN