Unesco
Monte Olimpo, praias do Dia D e seis áreas em risco marcam a reunião na Coreia do Sul (Freepik)

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) ampliou sua lista de Patrimônios Mundiais durante a reunião do Comitê do Patrimônio Mundial realizada em Busan, na Coreia do Sul. Entre as decisões anunciadas estão a inclusão de novos locais considerados de valor excepcional para a humanidade e a entrada de seis sítios na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, mecanismo criado para mobilizar ações de preservação diante de ameaças imediatas.

Entre os novos patrimônios reconhecidos estão o Monte Olimpo, na Grécia, conhecido por sua importância ambiental, histórica e mitológica, e as cinco praias da Normandia, na França, cenário do desembarque das tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, em 6 de junho de 1944. O reconhecimento amplia a proteção internacional desses locais e reforça sua relevância histórica e cultural.

Além das novas inscrições, o Comitê decidiu incluir seis sítios na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. Três deles receberam a classificação em caráter emergencial devido à gravidade da situação enfrentada atualmente.

Monte Olimpo e praias do Dia D passam a integrar a lista de Patrimônio Mundial

O Monte Olimpo, ponto mais alto da Grécia, tornou-se oficialmente Patrimônio Mundial da Unesco. Além da importância ecológica, a montanha ocupa um lugar central na mitologia grega, sendo tradicionalmente considerada a morada dos deuses da Antiguidade. O reconhecimento leva em conta tanto seus atributos naturais quanto seu valor histórico e cultural.

Outro destaque da reunião foi a inscrição das cinco praias do desembarque aliado na Normandia: Omaha, Utah, Sword, Juno e Gold. Os locais ficaram conhecidos mundialmente por serem palco da maior operação anfíbia da história militar durante a Segunda Guerra Mundial.

O desembarque das forças aliadas marcou o início da libertação da Europa Ocidental da ocupação nazista. Hoje, as praias recebem milhões de visitantes interessados em conhecer memoriais, museus e cemitérios militares dedicados aos soldados que participaram da operação.

Seis patrimônios entram na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo

A Unesco também anunciou a inclusão de seis sítios considerados ameaçados. Segundo o Comitê, conflitos armados, construções inadequadas e intervenções sem critérios de conservação colocam em risco a integridade desses locais.

Paisagem Migratória de Boma-Badingilo, Sudão do Sul

Inserida em caráter emergencial, a Paisagem Migratória de Boma-Badingilo abriga a maior migração terrestre conhecida de mamíferos do planeta. Localizada na savana da África Oriental, a região possui enorme biodiversidade e também abriga diferentes grupos étnicos responsáveis pela preservação desse território ao longo de séculos.

A decisão busca ampliar os esforços internacionais para garantir a conservação do ecossistema diante das ameaças ambientais e das dificuldades enfrentadas pelo país.

Castelos do Monte Amel, Líbano

Também incluídos em caráter emergencial, os cinco castelos que compõem o sítio do Monte Amel representam diferentes fases da arquitetura militar entre o período das Cruzadas, as dinastias islâmicas e o século XIX.

Segundo a Unesco, o patrimônio sofre atualmente danos significativos em consequência dos conflitos que atingem a região.

Sebastia, Estado da Palestina

O sítio arqueológico de Sebastia entrou na lista em caráter emergencial por preservar vestígios de diversas civilizações que ocuparam a área desde pelo menos o século IX antes de Cristo.

O local reúne estruturas construídas ao longo de diferentes períodos históricos, incluindo as épocas das Cruzadas, dos aiúbidas, dos mamelucos e do Império Otomano.

Cidade Antiga de Quersoneso Táurico, Ucrânia

Na Ucrânia, a Cidade Antiga de Quersoneso Táurico e sua área agrícola histórica também passaram a integrar a lista de patrimônio em perigo.

De acordo com a Unesco, imagens de satélite utilizadas no monitoramento da região apontaram deterioração significativa da autenticidade e da integridade do sítio, consequência de novas construções e de escavações arqueológicas realizadas em larga escala.

Centro Histórico de Paramaribo, Suriname

O Centro Histórico de Paramaribo, capital do Suriname, foi incluído na lista após o Comitê avaliar que recentes projetos urbanos comprometeram o conjunto arquitetônico histórico.

Entre as intervenções citadas estão a construção da nova sede da Assembleia Nacional e de uma garagem conhecida como Yogh Parking Garage. Segundo a Unesco, essas obras alteram a paisagem urbana histórica e reduzem a autenticidade do patrimônio.

Cidade histórica de Tiro, Líbano

A cidade histórica de Tiro, um dos mais importantes centros da antiga civilização fenícia, também passou a integrar a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

O Comitê manifestou “profunda preocupação” com a continuidade das hostilidades no Líbano e concluiu que as condições necessárias para garantir a conservação do valor universal excepcional do sítio deixaram de existir.

Lista em perigo busca mobilizar ações internacionais

A inclusão de um bem na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo não representa a perda do título de Patrimônio Mundial. O objetivo é chamar a atenção da comunidade internacional para situações consideradas críticas e facilitar a mobilização de recursos técnicos e financeiros destinados à preservação.

Os critérios utilizados pela Unesco levam em consideração fatores como conflitos armados, desastres naturais, degradação ambiental, crescimento urbano desordenado e intervenções que possam comprometer a autenticidade e a integridade dos bens protegidos.

As decisões tomadas durante a reunião do Comitê em Busan reforçam o papel da Unesco na proteção de patrimônios culturais e naturais considerados de importância universal. Ao reconhecer novos sítios e alertar para aqueles que enfrentam riscos imediatos, a organização busca fortalecer os esforços internacionais para garantir a preservação desses locais para as futuras gerações.

A atualização da lista também evidencia que a conservação do patrimônio mundial depende não apenas do reconhecimento internacional, mas da adoção contínua de políticas de proteção, monitoramento e cooperação entre governos, especialistas e organismos multilaterais. Entre novos patrimônios e áreas sob ameaça, a reunião deste ano reafirma a importância da preservação da memória histórica, da diversidade cultural e dos ecossistemas que compõem parte da herança comum da humanidade.