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Destinos / Fotos / Redação ME

Jordânia para todos: muito além do turismo religioso

Templo de Hércules na cidadela de Amã

Templo de Hércules na Cidadela de Amã

Bom dia, Jordânia, boa noite e boa madrugada, Brasil! Com cinco horas à frente do fuso do tupiniquim e cerca de 10.629 quilômetros de distância, o Reino Hachemita da Jordânia é um paraíso para os amantes de boa gastronomia, cultura, história e belezas naturais.

Embora fisicamente e culturalmente distantes, a receptividade do jordaniano é o primeiro aspecto que salta aos olhos do turista e de início, já promove uma conexão. O país é lar de 10,2 milhões de pessoas, segundo o governo local, e possui 88.794 quilômetros quadrados de extensão.

Agentes e operadores brasileiros convidados dela Hajjat Tours & Travel em visitação à Jerash, na Jordânia

Agentes e operadores brasileiros convidados pela Hajjat Tours & Travel em visitação à Jerash, na Jordânia

A convite da Hajjat Tours & Travel, DMC jordaniana representada no Brasil por Patrícia Bastos, da Bastour Representative , o MERCADO & EVENTOS embarcou no mês de dezembro em uma jornada de dez dias país adentro para desvendar os atrativos, aprender com os nativos e apresentar o melhor em termos de estrutura turística e hotelaria, variando entre quatro e cinco estrelas.

A viagem foi planejada para desmistificar os conceitos do mercado brasileiro em relação ao destino. A famtour contou com Paula Barreto, da Factour Viagens; Gisele Cavalsan, da FRT; Diego Portela, da Kangaroo Tours; Guilherme Trinca e Isadora Spinhardi, da Moov Travels; Caio Serigati, da Personal Brasil Tour Operator; Sarquis Fermanain e Sarah Fermanian, da Rafastour; Silvia Utrini e Nalu Sunhiga, da Silvia Utrini Intercâmbios e Turismo; e Carlos Vieira, da Stella Barros.

Como chegar?

Saindo de São Paulo em direção ao Aeroporto Internacional Rainha Alia em Amã, capital jordaniana, são mais de 18 horas no ar, literalmente. Tanto a Qatar Airways quanto a Emirates Airlines operam a rota com uma conexão que dura cerca de três horas no Aeroporto Internacional de Doha, capital do Catar.

Para embarcar no avião e sair do Brasil é preciso apresentar um teste PCR negativo realizado em até 72 horas prévias ao voo, além de ter em mãos o formulário de entrada no país alvo, que está disponível no site do governo (https://www.visitjordan.gov.jo/form/), incluindo a declaração sobre a vacinação contra a covid-19.

Aqui fazemos um adendo, pois a Jordânia não reconhece o certificado brasileiro de imunização contra covid-19, isso quer dizer que ao completar o documento com a data, lote e fabricante do imunizante o certificado emitido não será válido.

O preenchimento correto para ingresso no destino requer uma declaração de não imunização, para que seja liberado um boleto de 28 dinares jordanianos, moeda local, permitindo a execução de um novo teste PCR no aeroporto do país.
No terminal aéreo de destino há o redirecionamento para o local de execução do PCR e é neste momento que o certificado emitido após o pagamento deverá ser apresentado. O resultado do teste sai em até quatro horas e chega via Whatsapp, mas não é preciso esperar no recinto.

Na prática, o turista entra no país sem o laudo jordaniano, no entanto, se houver diagnóstico positivo ele será notificado e terá que cumprir quarentena, conforme as orientações biossanitárias. Além deste processo burocrático, o visto é requerido. Nesta etapa ressaltamos o trabalho da Hajjat Tours & Travel que faz todos os intermédios junto à alfândega, desde a orientação sobre a documentação até a recepção do turista e liberação do mesmo após o carimbo no passaporte. É simples e ágil, deixando o viajante pronto para explorar.

Viagem aos primórdios civilizatório

Fim de tarde em abal al-Qal’a, a colina que abriga o sítio arqueológico da Cidadela de Amã

Para entender Amã é preciso fazer uma volta no tempo e isso inclui o dado de que no século XIII A.C. a cidade, que fica a noroeste do país, era chamada de Rabate Amom, a qual foi conquistada por assírios, persas, gregos e egípcios, civilização que a denominou Filadélfia.

Amã foi rebatizada com este nome no século III A.C durante a era gassânida, um grupo de tribos cristãs do Sul da Arábia. Em 106 D.C a cidade tornou-se uma Decápole sob o controle do Império Romano. E foi durante o reinado de Antonio Pio, por volta do século II, que o Teatro Romano foi criado.

O projeto arquitetônico chama a atenção pela acústica, que conta ainda, com as marcações de palco no chão usadas para que os artistas conseguissem se comunicar com clareza com aqueles que estavam nos assentos mais altos, “deuses”, como é chamada a fileira.

A construção, que está alocada de frente para a cidadela de Amã, possui capacidade para acomodar seis mil espectadores. As arquibancadas estão divididas em três zonas e no solo as entradas que antes levavam ao palco e a orquestra, hoje direcionam aos museus de Tradição Popular da Jordânia do Folclore da Jordânia.

Na face oposta, no alto do morro Jabal al-Qala’a estão as ruínas o templo de Hércules, ou Grande Templo de Amã, que faz parte do Museu Arqueológico da Jordânia. O monumento foi erguido no reinado de Marco Aurélio (161-180 A.C).

No Museu, que funciona das 8h30 às 17h00 diariamente, é possível apreciar quatro sarcófagos da Idade do Ferro, além de manuscritos do Mar Morto e antiguidades pré-históricas.No perímetro da cidadela há ruínas de uma basílica bizantina do século VI A.C, o Palácio Omíada, uma Cisterna de água Omíada, além de uma torre de vigia, residências e um espaço que teria servido de mercado.

O tour não será completo sem uma passada nos souks (mercados) de frutas, roupas e ouro, trajeto que poderá ser feito a pé ao deixar o teatro ou em poucos minutos de carro a partir da Cidadela de Amã. O centro comercial da região é a pedida certa para quem deseja fazer compras, principalmente de joias, já o ouro é barato no país.

Para desvendar a cidade é preciso dormir mais que uma noite. Devido a pluralidade de opções hoteleiras o destino é uma aposta certeira para todos os perfis de exigência. Há hotéis de redes mundiais como o Grand Hyatt Amman e Fairmont Amman, que entregam excelência em todos os aspectos. Quem tem intenção de aproveitar o centro social da cidade pode escolher entre o W Amman da Marriott Internationals e o The Boulevard Arjaan by Rotana.

A primeira opção se destaca pela decoração interna ousada e a vista de tirar o fôlego, ademais a proximidade com a Jordan River The Wine Experience, uma adega de vinhos que oferta degustação com petiscos. Já o The Boulevard Arjaan by Rotana une a personalização do serviço com uma decoração sofisticada e uma ótima localização.

Ambos estão na região do The Boulevard, no entanto, o Rotana está mais próximo do shopping Abdali, da Mesquita do Rei Abdullah I e da Galeria Nacional de Belas Artes da Jordânia. O hotel gerencia 390 apartamentos de luxo equipados com uma cozinha compacta, televisão de tela plana e ar-condicionado.

O diferencial está nos dois restaurantes exclusivos, além da conectividade com a internet inclusa, serviço de locação de limusine e câmbio de moeda. Há ainda quatro salas de reunião equipadas com acessórios de última geração para atender aos interesses dos hóspedes, bem como academia e piscinas no rooftop.

Outras opções são o Downtown Hotel Apartments e o Mövenpick Hotel Amman, localizado a 35 minutos do Aeroporto Internacional Queen Alia. Sua estrutura conta com 218 quartos e suítes, wi-fi grátis, centro fitness, área de eventos para até 1.200 pessoas e salas para reuniões. Há um health club, spa e piscina no exterior.

“Eu fiquei surpreso com a hospitalidade das pessoas, com a estrutura e a beleza local. Acredito que todos que vierem vão gostar muito”. –  Guilherme Trinca, diretor Geral da Moov Travel.

A 4 KM dali está o Landmark Amman Hotel & Conference Center, hotel com 285 acomodações, das quais as suítes merecem ser destacadas, tanto pelo conforto físico quanto visual. Há também o Skyline Sushi, restaurante que inclusive instiga aos visitantes a praticarem a arte de fazer origami e o Ghoroub, o maior bar ao ar livre da cidade.

Um dos hotéis mais conhecidos da cidade, Regency Palace Amman, baseado na área comercial de Shmeisani, centro de Amã proporciona ao hóspede uma experiência no velho mundo em termos de decoração. Apesar da decoração clássica, o empreendimento contém aparelhos eletrônicos modernos e wifi gratuito. A estada inclui acesso a piscina, biblioteca, academia, além de atendimento em inglês, italiano, francês e árabe, língua mãe do país. A estrutura conta com espaço para eventos, restaurantes e bares, com destaque para o U Rooftop.

A cidade greco-romana

A fim de continuar o passeio pela civilização mundial, a dica é partir da capital para Jerash, que fica a menos de 60 KM de distância. Este tour, no entanto, pode ser feito tanto no início da viagem quanto ao final, quando o turista regressar para Amã, para descansar e pegar o voo de volta.

O sítio arqueológico alocado no Norte da Jordânia é o ambiente com construções greco-romanas mais bem preservadas do Oriente Médio. Com a ajuda do guia, o qual é de suma importância em toda a viagem, o turista conseguirá avistar as ruínas de lojas, incluindo o açougue e suas marcas de facas na pedra.

A cidade de mil colunas, nomeada assim pela formação que desenha tanto a praça principal quanto os caminhos adjacentes, foi fundada em 331 A.C por Alexandre o Grande e mais tarde em 63 A.C ficou sob o domínio do Império Romano. O atrativo é o segundo local com maior visitação no país, ficando atrás de Petra, Wadi Musa.

Nela há dois teatros, um ao Norte e outro ao Sul e dois templos, um dedicado a Zeus e outro à Artemis, além de um hipódromo, fontes e marcas bem visíveis de charretes no solo, veículo usado na época. É definitivamente um ponto que causa admiração, seja pela história, arquitetura ou pelo contraste com a cidade moderna que se desenvolveu no entorno.

Mais de 300 dias de sol!

Embora a Jordânia esteja apta ao turismo o ano todo – que é a terceira maior fonte de renda do país – a escolha do mês para a viagem é um item delicado, já que o verão pode apresentar temperaturas acima do 36°Celcius, com chances de tempestades de areia e o inverno pode ter números negativos, com chance de neve em Amã e Petra.

Por isso, ao dar dicas ao passageiro peça para incluir roupas confortáveis, acrescentar trajes quentes e de banho, mas evitar decotes e roupas muito coladas. Indique também que verifique a previsão do tempo, inclua repelente para os mosquitos, protetor labial e solar para uso em toda a viagem e um kit antigripal, pois a umidade relativa do ar gira entorno de 30%.

As melhores estações para a visita são a Primavera e Outono, quando o clima está mais ameno. De maio a outubro há muito sol! O que torna a Jordânia o local ideal para o brasileiro que deseja se refrescar nas águas mornas e cristalinas do Mar Vermelho, no Sudoeste. Neste ponto a dica é hospedar seu passageiro no Hyatt Regency Aqaba Ayla.

A estrutura do resort dispõe de 285 quartos e 43 suítes de distintas categorias, todas com banheira e vista privilegiada, seja para a marina ou para a praia. O estabelecimento conta com cafés, bares e restaurantes. Em termos de entretenimento há o spa, campo de golfe com 18 buracos, piscina, academia, área para Yoga e um acampamento infantil com monitoria. A praia é privativa e contém um beach club.

O empreendimento é uma opção tanto para quem deseja esticar a viagem e relaxar quanto para quem quer explorar os pontos de mergulhos no golfo de Aqaba. Na marina, que pode ser visitada a pé, a contemplação da paisagem é uma das atrações, seja em passeios de barco locados ou ao andar de bicicleta no Marina Village, um boulevard com lojas e restaurantes, além de bares e atrativos noturnos.

Outra opção de acomodação é o Kempinski Hotel Aqaba Red Sea, que fica a 4,2 quilômetros do Hyatt. Com um clima mais jovial, o empreendimento pé na areia tem vista para os navios atracados no porto e acomodações com metragens que iniciam com 37 metros quadrados, chegando até 240 metros quadrados. No espaço há spa com tratamentos estéticos, venda de produtos nativos e academia, além da piscina de borda infinita.

Há ainda, o Mövenpick Aqaba, localizado a dez quilômetros do Aeroporto Internacional Hussein. Ao todo são 297 quartos, dos quais 87 estão divididas entre suítes e apartamentos. O resort tem oito bares e restaurantes com culinária mundial, incluindo frutos do mar frescos.

Para recreação as crianças podem se divertir no “Little Birds Club”. Comum a todos, a praia privativa e as quatro piscinas complementam a oferta. É possível ainda se aventurar por esportes aquáticos como mergulho com snokerl e jet ski.

Não deixe de incluir no roteiro um dia no Mar Morto, que teve seu nome conferido devido ao alto grau de salinidade, 35% a mais que nos oceanos, aproximadamente 300 gramas de sal por litro de água. Apesar de ser chamado de mar ele não é.

Trata-se de um lago com 1020 km², com 82 km de extensão, 18 km de largura e uma profundidade máxima de 377 metros, alimentado principalmente pelo rio Jordão e que abrange Israel, Palestina, além da Jordânia, claro! Outra característica diferente é sua localização no ponto mais baixo do planeta, a 434 metros abaixo do nível do mar.

O ponto mais interessante da visita no Mar Morto é o banho de lama, que no Hilton Dead Sea Resort & Spa inclui uma experiência ímpar. A instrução é simples, molhe-se, recorra à estrutura de praia do hotel, que é pé na areia (bem branquinha), e relaxe enquanto os massagistas passam a lama e fazem a esfoliação.

Em seguida, prepare-se para deitar-se sob um plástico estendido na areia e ser envolvido no mesmo, o qual será coberto por areia. Isso mesmo, parte do tratamento é ser enterrado por 15 minutos enquanto as propriedades benéficas da lama agem na restauração da pele. A finalização é feita com a retirada da lama na água do Mar Morto – do pescoço para baixo – e com água do chuveiro ou mangueira na estrutura do hotel, que novamente inclui uma massagem.

Por mais divertido que seja, já que devido a densidade da água é humanamente impossível afundar, a recomendação é que o banhista fique no máximo 20 minutos imerso. Aliás, não mergulhe! A salinidade alta faz com que os olhos ardam “muito” e o gosto da água na boca remeta ao ferro.

Também pé na areia – mas com uma tonalidade escura – o Kempinski Hotel Ishtar Dead Sea é mais uma opção de alta qualidade para quem quer aproveitar a região. Equipado com 345 quartos, suítes e vilas, alguns dos destaques da estrutura são o centro de eventos, que recebe de eventos corporativos a casamentos.

No quesito gastronomia, os restaurantes Ashur, cujo carro chefe é a comida italiana, Akkad Pool & Grill Restaurant, que serve os hóspedes na piscina e o Obelisco, com uma proposta de ingredientes frescos se sobressaem. Ao todo são oito bares e restaurantes.

Além dos tratamentos no spa, o hotel possui uma loja para a venda dos cosméticos utilizados, com ênfase naqueles à base da lama do Mar Morto e um programa de fidelidade, que oferece vantagens para os assinantes, como descontos e brindes exclusivos.

A oferta hoteleira fica completa com o Movenpick Resort And Spa Dead Sea, que apesar de estar relativamente distante da praia, chama atenção pela beleza da arquitetura e decoração, a qual é inspirada nos castelos jordanianos alocados no deserto. São 6 mil metros quadrados dedicados ao Zara Spa, além de oito hectares de jardins e noves bares e restaurantes ao ar livre.

Os 365 quartos levam uma decoração rústica, para atender a proposta arquitetônica de transportar o hóspede no tempo, mas com conforto.As opções de acomodação variam entre as categorias clássica, superior, deluxe, família, premium, suíte, suíte presidencial e vila Real.

Elas podem ainda terem ou não vista para o mar, jardim ou varanda. O centro de convenções tem uma sala de conferência que abriga mais de 1.500 pessoas, além de dois salões, cinco salas de descanso, beach lounge, um teatro romano para mais de 500 indivíduos e um auditório com capacidade acima de 198 espectadores.

Para quem deseja aproveitar o espaço fora da estrutura hoteleira, o estabelecimento oferece um tour nas águas termais de Hammamat Ma’in, localizadas no sudeste de Madaba, província onde fica o Mar Morto.

Tesouro da Jordânia

São necessários três dias para a exploração que permitirá conhecer os 15 monumentos que compõe o Parque Arqueológico de Petra (PAP), em Wadi Musa. A maior e mais distante obra é o monastério (Ad Deir), que com seus 47 metros de largura e 48,3 de altura fica a 2,5 quilômetros da entrada, onde está o Centro de Visitantes local.

O sítio arqueológico abriga ainda um teatro para 4 mil espectadores, que merece atenção especial por ser o único no mundo esculpido na rocha. Há uma igreja com mosaicos de pedra no chão, datado do século V A.C, um platô no alto da montanha onde eram feitas cerimônias religiosas e o qual é chamado de Local do Sacrifício.

Vale a pena incluir o Grande Templo e as tumbas reais, que são divididas pelas categorias: túmulo da urna, túmulo de seda, túmulo Coríntios e túmulo do palácio. E apesar da riqueza de atrativos, é o Al Khazna, uma escultura de 43 metros de altura e 30 de largura, a principal.

O monumento foi esculpido pelos nabateus no século II A.C para servir de túmulo a um rei da época e tem até hoje lendas sobre abrigar um tesouro egípcio, daí o apelido “Tesouro”. Além da visitação diurna há o Petra By Night. Da entrada do desfiladeiro até o Tesouro as únicas luzes disponíveis serão as das velas que ladeiam o caminho e das estrelas, se o céu estiver limpo.

Ao chegar em frente ao monumento todos os espectadores serão convidados a se sentarem na areia e assistirem a uma apresentação musical que conta a história local. A duração é de 45 minutos e o ingresso é vendido separadamente.

Não se sabe ao certo quando Petra começou a ser construída. Os registros arqueológicos apontam para mais antes de Cristo, durante a morada dos Nabateus, os quais perduraram até o século II D.C. Petra era conhecida por fazer parte da rota de especiarias e seda.

Anos mais tarde a cidade foi anexada aos domínios do Império Romano e se manteve próspera até o terremoto de 363 D.C. Como influência do desastre natural que danificou a estrutura e o surgimento de novos centros comerciais, a cidade ficou esquecida. Somente os beduínos, moradores do deserto sabiam seu paradeiro, aumentando os rumores de que havia um tesouro guardado nas terras.

Somente em 1812 Johan Ludwig Burckhardt, um explorador suíço a encontrou e em 1985 foi nomeada como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Para chegar no berço do povo nabateu é preciso se deslocar 234 quilômetros a partir da capital Amã, pouco mais de três horas de carro até Wadi Musa, distrito que abriga a cidade.

O caminho do Centro de Visitantes de Petra até Al Khazna, o Tesouro e símbolo local, tem paredões de 80 metros de altura e extensão de mais de um quilômetro de comprimento. Disponível mediante pagamento à parte, o viajante pode percorrer o trajeto a cavalo, camelo ou utilizando o um carrinho de golfe, que requer agendamento prévio.

A entrada do veículo motorizado se dá para oferecer suporte as pessoas com baixa mobilidade ou que simplesmente queiram conforto. O carrinho não passa do tesouro e internamente somente o camelo poderá acompanhar o turista. Os ingressos estão a vendo nos formatos de uma a quatro entradas, portanto se seu cliente quer fazer uma imersão, é aconselhado que compre o maior pacote, pois fica mais em conta.

Outra dica é passar pelo The Cave, um bar alocado em uma caverna e se hospedar no Mövenpick Resort Petra. O hotel fica em frente a entrada do parque, facilitando o acesso. Nele há 183 quartos e suítes, sete opções gastronômicas, academia, piscina ao ar livre e o Zara Spa. Ao seu redor estão os principais pontos turísticos.

Circuito da Fé

Embora haja muito mais do que atrativos religiosos no país, parte da história está atrelada à religião. Caso seu passageiro tenha interesse, o destino é uma opção que excederá as expectativas. A começar pela visitação à mesquita do Rei Abdullah I, em Amã, que é a única na cidade a permitir a entrada de não muçulmanos.

A visitação acontece com tempo limitado aos sábados e quintas-feiras, na parte da manhã e do almoço. O espaço tem capacidade para receber até 3 mil pessoas simultaneamente e é o único local de visitação turística que pede às mulheres que vistam uma túnica para cobrir seu corpo, bem como que cubram a cabeça.

Todos devem entram descalços no pátio de oração. A mesquita Azul, como é conhecida por conta de seu domo, contém uma área reservada para orações de mulheres, um museu com maquetes de diferentes mesquitas no país, documentos históricos e fotografias, além de uma loja de souvenir, com artesanato local, incensos, trajes e até quadros. Na hora de trabalhar o roteiro leve em consideração o calendário festivo local.

Para os jordanianos a sexta-feira é considerada dia de folga, por isso diga ao seu passageiro para não se assustar, caso se depare com os comércios e atrativos fechados. Lá a semana útil é iniciada no domingo. De Amã até o Monte Nebo, a próxima parada nesse circuito da fé, é preciso apenas uma hora e meia.

Local de peregrinação de cristãos, judeus e islâmicos, o sítio arqueológico abriga uma basílica que protege as ruínas de igrejas erguidas em celebração a morte de Moisés, as quais incluem mosaicos bizantinos originais. De acordo com os livros das três religiões, foi no Monte Nebo em que Moisés avistou a Terra Santa e onde ele morreu.

Há um monumento celebrando os três livros, reforçando sua relevância histórica e religiosa. No alto do morro, de onde é possível ver Jericó e Jerusalém, que estão a 27KM e 46KM respectivamente, há a Cruz Serpentina, escultura em bronze criada pelo italiano Giovanni Fantoni, que representa a levada por Moisés ao deserto e qual Jesus foi crucificado.

Outro ponto turístico interessante que merece uma parada é a Igreja Bizantina de St. George (São Jorge) em Madaba, localizada na região central da Jordânia, no planalto de Moabe, a cerca de 40 minutos de carro de Amã. O atrativo abriga no chão da igreja o mapa de Madaba em formato de tapete feito com mosaico, ilustrando o caminho até a Terra Santa.

A obra, datada do século VI D.C, abrange o território do Líbano até o Mar Mediterrâneo e o Nilo. Nele havia 150 cidades e aldeias explicadas em grego. A arte possui partes em falta, devido a ataques sofridos, a ação do tempo e ao terremoto que acometeu a região. Segundo os arqueólogos, o mapa originalmente medida 21 x 7 metros, e era constituído por duas milhões peças. As dimensões atuais são de 16 x 5 metros.

“Há uma alta demanda pela Jordânia do ponto de vista religioso, que teremos que trabalhar em conjunto com o DMC local, o escritório de promoção do destino e a operadora, para capacitar com um novo olhar a ser divulgado na hora da venda”, destaca Gisele Cavalsan, gerente de Mercado da FRT.

Para fechar o ciclo religioso jordaniano, é preciso incluir o sítio arqueológico no qual Jesus foi batizado. Al-Maghtas, na Betânia, fica a cerca de uma hora e vinte de carro da capital, fazendo fronteira com Israel e por isso é território protegido por militares, com tempo de permanência contado e agendamento requerido.

No entorno há o Monastério de São João Batista e dentro do sítio há a Igreja Ortodoxa Grega de São João Batista. O local foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco após as escavações que encontraram as piscinas batismais, ruínas de três igrejas bizantinas dos séculos V e VI A.C. Às margens do Rio Jordão são realizados, ainda hoje, batismos entre fiéis.

“Essa viagem para mim foi muito importante, pois fecha um ciclo pelos locais históricos da terra santa. Embora não tivesse sido focada no religioso, teve uma energia espiritual que é intrínseca ao ambiente”. – Paula Barreto, da Factour Viagens.

O gigante vermelho

Cenário de filmes como Perdido em Marte (2015), Planeta Vermelho (2000), Aladdin (2019) dentre muitos outros, o deserto de Wadi Rum é um gigante vermelho de 60 KM de extensão em território jordaniano. A chegada no Vale da Lua, como é chamado, se dá por Petra em um trajeto de aproximadamente 115 KM (duas horas de carro) ou partindo de Amã, 323 KM (quatro horas de percurso).

O deserto se divide entre uma área não protegida e uma protegida e é nesta que há uma vila, um centro de visitação turística, onde ingressos podem ser comprados para a visitação, além de fazer a contratação de passeios de camelos. Bem próximo ficam os acampamentos e neste quesito, há estruturas para os perfis mais básicos e exigentes. Uma ótima referência é o Memories Aicha Luxury Camp.

Com acomodações divididas entre as categorias Panoramica, Executiva e Júnior, além das classificações luxo, a estrutura abriga 55 tendas e podem alocar até três pessoas, dependendo do formato. O glamping dispõe de um restaurante e um bar sob a montanha. É importante destacar que não há venda de bebidas alcoólicas, essas são ofertadas em Aqaba e Amã, dentro dos hotéis ou lojas especializadas.

A estada no glamping é o momento perfeito para avistar a via láctea e ter uma noção da força da natureza. De dia é muito quente e às noites são realmente frias. Para promover conforto ao hóspede, o acampamento faz fogueiras nas quais os grupos se reúnem enquanto conversam, degustam aperitivos e observam as constelações. Caminhadas, tours temáticos e performances musicais fazem parte do entretenimento.

E para quem deseja ir ao extremo no deserto, é possível percorrer o deserto de Wadi Rum em direção à Petra. São 12 noites de acampamento com um guia especializado, como o Luay Hawas, quem nos mostrou o país, e um beduíno. “O interessante dessa experiência é fazer cânionismo, rapel e viver como um beduíno, o qual cozinhará para o grupo”, compartilha.

Gastronomia

A Jordânia é um país completo. Além de todas as belezas naturais, história, cultura e arquitetura a gastronomia é um dos pontos – mais deliciosos – de conhecer. A primeira coisa que chama atenção é a fartura. Todas as porções são bem servidas e não é raro ter que se lembrar que tamanha variedade de molhos, cremes, pães, queijos, frutas secas, azeitonas e saladas fazem parte apenas da entrada, chamada de Mazzeh.

Para o brasileiro que ama churrasco, certamente o mixed grill estará na lista dos pratos favoritos. Trata-se de uma mistura de kafta, frango, carne de boi e de cordeiro grelhados e bem temperados, servidos com cebola e tomates e envoltos em tortillas. Presente em todas as refeições o Hummus, feito de purê de grão de bico cozido, tahine, alho e limão é tradicionalmente ingerido com Khubez, um tipo de pão típico jordaniano.

“Acredito que a Jordânia vai virar um destino de lazer para o brasileiro, porque tem uma ótima rede hoteleira, excelentes praias, uma gastronomia palatável, além do conforto, história e bom serviço”. – Carlos Vieira, da Stela Barros em Brasília.

O prato nacional é o Mansaf, que leva cordeiro temperado com ervas e iogurte seco no cozimento, além de amêndoas no arroz. Entre os moradores mais tradicionais é costume misturar o arroz com o molho e a carne amassando-os e formando um bolinho para ser consumido.

Vale a pena provar também as sobremesas, como Baqlaweh, massa folhada em camadas recheada de nozes e coberta com mel ou o Mahlabiyyeh, que no Brasil é conhecido como pudim de leite. Será fácil também encontrar o Kaik, pão redondo com semente gergelim, o Baba ghanouj, uma pasta de berinjela e tahine, além dos bolinhos de carne, chamados de Kubbeh.

Curiosidades

Das muitas especificidades que chamam a atenção na Jordânia, o regime político pode ser visto como uma curiosidade, já que se trata de uma Monarquia Parlamentar, que na prática confere ao rei o posto de Chefe de estado, mas com poderes limitados pela constituição.

Em todos os estabelecimentos a família real é homenageada em quadros. A formação é geralmente apresentada em tríade: Hussein, rei até 1999, Abdullah II, seu filho e rei vigente e Hussein bin Al Abdullah, o príncipe herdeiro. Outro contraste é a religião, já que o país é composto por cerca de 90% de adeptos ao islamismo, e desses, há divisão entre sunitas, os quais predominam, e os xiitas, que são mais rigorosos. O cristianismo, bem como outras religiões também está presente e é possível apreciar decorações natalinas, além de celebrações da ocasião em estruturas hoteleiras.

É válido pontuar que os códigos de vestimenta exigidos aos seguidores da religião islâmica não se aplicam aos turistas, ou seja, não é necessário usar burca ou hijab para as mulheres e nem a túnica para os homens. A título de curiosidade, a burca é uma traje feminino que cobre todo o corpo deixando apenas os olhos de fora, é possível inclusive, encontrar uma variante com uma tela permitindo transparência nos olhos suficiente para enxergar.

Já o hijab é um véu unissex que cobre os cabelos e tem variações no uso em distintas partes do mundo, como o shayla, dupatta, esarp e tudung. Na Jordânia seu uso é uma escolha para ambos os sexos e não uma imposição religiosa. É comum ver mulheres caminhando na rua com rosto de fora, sejam àquelas usando hijab ou deixando os cabelos aparentes. Há ainda uma mescla entre os jordanianos, no geral, que utilizam a túnica islâmica e que mostram o jeans e camiseta, trajes muito semelhantes aos usados no Brasil.

“Embora tivesse pesquisado muito antes de vir, me surpreendeu a receptividade e o respeito do muçulmano a nossa cultura e vestimenta”. – Nalu Sunhiga, da agência Silvia Utrini Intercâmbios e Turismo.

Festividades

Caso seu passageiro queira alinhar a viagem às festividades, é interessante prestar atenção ao calendário islâmico, que conta a passagem do tempo a partir da Hégira, a migração de Maomé de Meca para Medina, em 16 de julho de 622. A composição é feita a partir das fases lunares ao longo de doze meses, com 29 ou 30 dias, totalizando 354. Nele, estamos no ano 1441.

Seguindo essa formatação, o Muharram, Ano Novo islâmico será comemorado em 29 de julho do próximo ano. Já o Ramadã, festividade que, segundo o islamismo, celebra o momento que o profeta Muhammad recebeu a revelação de Allah (Deus), o Alcorão, está datada para acontecer entre os dias 2 de abril e 2 de maio.

Considerado um dos pilares do islamismo, o período é marcado por jejuns do nascer ao pôr do sol, tendo apenas uma refeição, que é o jantar. O ritual, que visa a aproximação com Allah é tido também como um momento de purificação dos pecados.

Negócios

Hassan Hajjat e Tareq Al-Hatamleh, CEOs da Hajjat Tours & Travel com Patrícia Bastos, representantes da empresa no Brasil

Hassan Hajjat e Tareq Al-Hatamleh, CEOs da Hajjat Tours & Travel com Patrícia Bastos, representantes da empresa no Brasil

A Hajjat Tours & Travel é a DMC baseada e especialista no destino Jordânia. Em 2019 a empresa foi responsável por levar 68 mil turistas do mundo todo ao país. Em entrevista exclusiva ao MERCADO & EVENTOS, Hassan Hajjat, CEO da destacou a extensão global da agência, que conta inclusive com escritório no mundo todo.

“O objetivo da Hajjat é mostrar a Jordânia como ela é, e não como a mídia diz. Quero mostrar a nossa estrutura turística. Temos muito mais o que a religião! Temos gastronomia, cultura, lazer, aventura e bem-estar. Trabalhamos com todos os tipos de turismo para todos os perfis e faixas etárias”, pontua.

O investimento no mercado brasileiro se dá, segundo ele, pela afinidade com a cultura e receptividade local. Um dos objetivos da famtour é instigar o desejo pelo desbravamento do destino como único, e não relacionado aos países vizinhos, como acontece com frequência. “Vamos trabalhar para colocar a Jordânia no interesse do turista para além do turismo religioso. Temos potencial para agradar ao brasileiro e estar entre seus planos de viagem”, finaliza.

CEO da Hajjat Tours & Travel recebe agentes e operadores brasileiros na sede da empresa

Para 2022 a Hajjat reforçará sua estratégia de divulgação do país marcando presença na WTM Latin America, que acontece de 5 a 7 de abril no Expo Center Norte, em São Paulo, além de um roadshow nas principais capitais emissivas do país, que está em fase de estruturação.

“Eu quero mostrar todo o potencial que a Jordânia tem e como, embora estejamos muito distantes fisicamente, somos parecidos. Os jordanianos são muito receptivos e calorosos, o país é seguro e o serviço é de alta qualidade tanto no receber quanto no acomodar”, declara Patrícia Bastos, proprietária da Bastour e representante da Hajjat Tours & Travel no Brasil.

Em agradecimento a participação dos profissionais brasileiros a Hajjat reuniu toda a empresa para uma cerimônia de encerramento, que contou com a entrega de uma réplica do Tesouro de Petra.

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