Companhias aéreas mantêm meta de emissões líquidas zero até 2050, mas alertam para possível aumento nas tarifas
Segundo IATA, parte do custo direcionado para atingir a meta deverá ser repassado aos consumidores (Unsplash)

Mesmo com o ritmo lento de avanço nos combustíveis sustentáveis, a indústria aérea global reafirmou seu compromisso com a meta de zerar as emissões líquidas de carbono até 2050. No entanto, representantes do setor alertam que parte dos custos dessa transição pode recair sobre os passageiros, com impacto nas tarifas.

A meta foi reafirmada pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que representa mais de 350 companhias aéreas em todo o mundo, ao final de sua assembleia anual de dois dias realizada em Nova Délhi, na Índia.

“Não houve qualquer discussão sobre adiar a meta”, disse o diretor-geral da IATA, Willie Walsh, em coletiva de imprensa. Segundo ele, o objetivo segue sendo realista e necessário.

Nos últimos meses, aumentaram as dúvidas sobre a viabilidade do plano, diante da escassez de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês). Walsh afirmou que há uma preocupação crescente com o ritmo insuficiente de progresso, e apontou que a responsabilidade não é apenas das companhias aéreas, mas de toda a cadeia de valor envolvida na transição para um setor de aviação mais sustentável.

Cobrança sobre a cadeia produtiva

Walsh criticou abertamente as grandes petrolíferas e os produtores de combustível por reduzirem os investimentos em SAF. Segundo a IATA, esse tipo de combustível pode reduzir as emissões em até 60%, mas atualmente representa menos de 1% do consumo global de combustível de aviação.

“A indústria deixou claro desde o início que não conseguirá atingir o net zero sozinha. Toda a cadeia precisa colaborar. Isso é um alerta”, afirmou Walsh.

Embora as companhias aéreas tenham registrado recuperação nos lucros após a pandemia, a IATA estima que o custo total para atingir a meta de emissões líquidas zero pode chegar a US$ 4,7 trilhões.

Tarifas devem subir com os custos ambientais

A IATA indicou que parte desse custo deverá ser repassado aos consumidores. “Com o aumento dos custos relacionados ao carbono, haverá impacto nas passagens. As companhias aéreas não têm como absorver esse encarecimento sozinhas”, disse Walsh.

A associação aponta que o custo médio do SAF em 2024 foi 3,1 vezes superior ao do combustível convencional de aviação. Para 2025, a previsão é que esse custo seja 4,2 vezes maior.

A Lufthansa já implementou uma taxa ambiental em todos os bilhetes emitidos a partir de países europeus. O valor da cobrança varia entre US$ 1 e US$ 78, conforme a rota, e é justificado pela empresa como reflexo de “custos regulatórios ambientais crescentes”, como a obrigatoriedade de mistura de 2% de SAF nos voos com origem na União Europeia.

Ainda em 2025, a IATA deve divulgar novas diretrizes para a adoção e financiamento do SAF.

Por outro lado, a associação Fuels Europe, que representa empresas como BP e Shell, contestou as críticas da indústria aérea. “Rejeitamos as alegações do setor de aviação sobre escassez de SAF. Nossos membros estão cumprindo as metas atuais e no caminho para superar os objetivos de 2030”, declarou a entidade, acrescentando que os produtores europeus já aumentaram rapidamente a oferta e reduziram custos, mesmo diante de desafios regulatórios e de investimento.

*Com informações do Skift.