
FOZ DO IGUAÇU – Durante o primeiro dia do evento inédito da Azul Viagens, o “Agente Tá On Na Estrada 2025”, Daniel Bicudo, agora vice-presidente comercial e de negócios da Azul Linhas Aéreas, fez questão de trazer à tona um assunto recente, que abrange todo o Grupo, para os 300 agentes de viagens presentes. O pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos e a entrada no Chapter 11.
“No Brasil, a recuperação judicial traz um estigma, traz um peso de que a empresa vai quebrar. E não, não vai.”
Esse apontamento de Bicudo tem um fundamento cultural e histórico, visto que no Brasil, muitas empresas que já fizeram um pedido de recuperação judicial, sinalizaram que precisavam de ajuda em um momento muito crítico, a ponto de não conseguirem reverter o cenário e falirem. Isso faz com que muitos associam que “pedir recuperação judicial automaticamente signifique falência”. E como enfatizou o VP, “não, não é”.
Existem semelhanças e diferenças entre entrar com o recurso no Brasil e nos Estados Unidos:
- ambos permitem que a empresa não feche as portas imediatamente;
- servem para negociar dívidas com credores e acompanhamento de fiscalização judicial;
- no Brasil, a recuperação judicial é muitas vezes vista como um último recurso antes da falência;
- nos EUA, o Chapter 11 é mais usado estrategicamente, até por empresas grandes e saudáveis, para reestruturar dívidas e sair mais fortes;
- o processo americano costuma ser mais rápido e flexível, onde o processo é acompanhado pelo tribunal garantindo que tudo seja feito com transparência.
“O Chapter 11 é uma recuperação para que a gente consiga resolver algumas sessões de ativos e passivos da empresa individualmente”, complementou Bicudo. Desta forma, a Azul ganha fôlego financeiro para se recuperar, enquanto continua operando normalmente. “Hoje, para vocês terem uma ideia, a Azul paga só de juros R$ 1 bilhão por ano. É muito, é insustentável”.
Para os 300 melhores agentes de viagens presentes no evento da Azul Viagens, Bicudo fez questão de tranquilizá-los sobre a situalção da empresa: “É importante também dar essa tranquilidade para vocês neste assunto do Chapter 11 que a Azul está passando. Eu quero que vocês fiquem bem tranquilos, porque nós estamos. É um processo, é uma ferramenta financeira usual. A Gol está saindo do Chapter 11 agora, saindo da forma como eles imaginaram que iam sair, mas o que diferencia a Azul da Latam e da Gol é a forma como nós entramos”.
A Azul já entrou no Chapter 11 com investidores garantidos e apoio de parte dos credores, o que fortalece bastante sua chance de sair do processo rapidamente.
“Esperamos fazer esse processo todo até fevereiro, que é o que está divulgado. Mas estamos trabalhando para que isso seja mais rápido do que isso.”
Azul Viagens
Dentro de todo esse processo que envolve a Azul, a Azul Viagens, como é parte do Grupo, também está. Mas graças ao trabalho e desempenho, não só da operadora da companhia, como dos agentes de viagem, fez com que se tornasse um braço relevante dentro da Azul. “Estamos sendo muito bem cuidados. Tem algumas petições que elas são feitas antes do arquivamento, e nós estamos garantidos lá dentro sem sombra de dúvida nenhuma. Conseguimos equalizar os pagamentos dos hotéis e estamos assegurados nos pagamentos”.
Ajustes
Toda negociação de uma recuperação judicial passa por algumas manobras para minimizar gastos. A redução de voos de uma companhia aérea faz parte do plano. Mas Bicudo ressaltou que a redução de 35% como parte do processo NÃO é consequência do Chapter 11:”Não é de agora, é que não há frota para os próximos anos. Ajustes de malha são inevitáveis, seja por conta de Chapter 11, seja por conta de razões operacionais naturais da companhia”.
Investimento
Durante o processo de recuperação judicial iniciado em maio de 2025, a Azul anunciou que poderia receber até US$ 950 milhões em financiamento de capital próprio. Desse montante, entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões podem vir de investimentos conjuntos da American Airlines e da United Airlines.
“Conseguimos algo inédito. American Airlines e United Airlines se falaram pela primeira vez. Elas entenderam que a Azul tem um plano de negócio muito bem estruturado, muito bem colocado para o desenvolvimento do Brasil e já estão nos ajudando com questões internas da companhia”, explicou.
Esses aportes seriam realizados por meio da compra de ações ou outros instrumentos financeiros, como parte do plano de reestruturação da Azul. Vale ressaltar que a United Airlines já possui uma participação acionária na Azul desde 2015, quando adquiriu 5% da companhia brasileira por US$ 100 milhões. Essa parceria inclui acordos de codeshare e integração de programas de fidelidade.
“Os nossos detentores de dívida da Azul vão colocar US$ 700 milhões agora na companhia, para que a gente passe esse período todo. Esse dinheiro vai ser convertido em participação social, eles vão fazer parte do conselho de administração, na verdade já fazem, então eles vão estar a serviço da Azul”, disse Bicudo.
“Só existe Chapter 11 se existe companhia, só existe companhia se tiver venda, só existe venda se tiver o nosso trabalho.”
*O M&E viaja com apoio da Shift Mobilidade Corporativa e proteção GTA







