
Depois de um ano considerado histórico, o turismo corporativo brasileiro entra em 2026 com expectativa de consolidação e fôlego para seguir crescendo. Em 2025, as agências associadas à Abracorp movimentaram R$ 13,68 bilhões, o maior faturamento da série histórica, refletindo a retomada consistente das viagens a trabalho, o avanço da tecnologia e uma maior profissionalização do setor.
Para 2026, a expectativa é manter esse patamar, com possibilidade de leve crescimento. A projeção da entidade aponta para um volume que pode chegar a R$ 14,2 bilhões, mesmo em um cenário marcado por eleições, reforma tributária, juros elevados e Copa do Mundo.
Para Siderley Santos, presidente do conselho da Abracorp, o desempenho recente mostra a maturidade do mercado. “Foi um ano cheio de desafios, mas praticamente todos os segmentos cresceram. Isso cria uma base sólida para 2026, mesmo com tantas variáveis no radar”, afirma.
A leitura da entidade é que, apesar das incertezas macroeconômicas, o ambiente segue favorável. “O Brasil continua recebendo mais turistas, a hotelaria se estruturou melhor e as companhias aéreas encontraram estabilidade. Esse conjunto ajuda a manter o volume e abre espaço para crescer um pouco mais”, diz Siderley.
Reposicionamento e aproximação com o mercado
Na avaliação de Douglas Camargo, diretor executivo da Abracorp, 2025 foi um divisor de águas para a associação. “Foi um ano de reposicionamento. A Abracorp voltou a ser vista como referência do turismo corporativo”, resume.
Eventos como o Fórum Abracorp, que passou a ter programação de dia inteiro, e a ampliação do CABE, conselho de clientes da entidade, ajudaram a estreitar a relação entre agências, fornecedores e empresas contratantes. “Chegamos a ter lista de espera de clientes interessados em participar do conselho. Isso mostra o valor da associação também para quem compra”, afirma Douglas.
Esse movimento já começa a aparecer nos processos de concorrência. Segundo ele, hoje é comum que empresas incluam, como critério, o fato de a agência ser associada à Abracorp.
Aéreo segue dominante, mas outros segmentos avançam
O transporte aéreo continua sendo o principal responsável pelo volume de negócios, concentrando a maior parte do faturamento das agências associadas. Ainda assim, outros segmentos vêm ganhando espaço, como rodoviário, locação de veículos, hotelaria, serviços ligados a eventos e o seguro viagem, que passa por uma mudança de patamar dentro do mercado corporativo.
“Existe uma conscientização maior das empresas sobre a proteção do colaborador, inclusive em viagens nacionais. O seguro deixou de ser exceção”, observa Siderley. Modelos de contratação em bloco e pagamento mensal ajudaram a impulsionar esse movimento.
Investimento em tecnologia
Um dos pilares para sustentar a projeção de 2026 é o investimento contínuo em tecnologia. Em 2025, as agências associadas aplicaram cerca de R$ 1,6 bilhão em inovação, com foco em eficiência operacional, controle de custos e melhoria da experiência do viajante corporativo.
A Abracorp também avança com uma nova plataforma de Business Intelligence, agora baseada em Power BI, ampliando a capacidade de análise de dados e benchmark para fornecedores e empresas.
“A tecnologia é fundamental para atravessar um ano dinâmico como 2026, com câmbio volátil, juros elevados e muitas variáveis externas”, afirma Siderley.
Capacitação e agenda cheia
Para 2026, a associação prepara uma agenda intensa de eventos, com novas edições do Fórum Abracorp, o lançamento do Fórum Mais, voltado a gestores de eventos, workshops para profissionais de RH e a convenção anual da entidade.
Outro destaque é o curso de iniciação em viagens corporativas, em parceria com o Senac, com a primeira turma totalmente patrocinada pela Abracorp. “A falta de mão de obra é um desafio real. Formar novos profissionais é uma aposta estratégica para o futuro do setor”, diz Douglas.
Com 24 agências associadas e novos pedidos em análise, a Abracorp entra em 2026 menos guiada pela euforia e mais pela consistência. “O cenário é desafiador, mas tende a ser um ano de consolidação, preparando o terreno para mudanças maiores a partir de 2027”, conclui Siderley.








