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Agências e Operadoras / Destinos / Serviços

Alagev: “Com pandemia, gestor de viagens deixa de ser coadjuvante”

Roberta Moreno, presidente da Alagev

Roberta Moreno, presidente da Alagev

Uma retomada em cadeia. É desta forma que a presidente da Associação Latino Americana de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), Roberta Moreno, define a recuperação do segmento após o pico da pandemia. A executiva destaca que as empresas estão acompanhando a flexibilização e protocolos definidos pelos destinos para estabelecer seu planejamento de viagens corporativas.

Roberta ressalta que, em virtude desta necessidade de uma análise mais detalhada e de uma preocupação maior com os executivos, o gestor de viagens deixa o papel de coadjuvante e assume uma posição estratégica na definição do planejamento. A presidente da Alagev ainda falou sobre as mudanças nas viagens e eventos corporativos e o impacto deste crescimento do ambiente virtual durante a pandemia na recuperação do setor.

MERCADO & EVENTOS – O turismo de negócios caiu quase 90% durante a pandemia. É possível fazer uma cronologia da crise no setor ao logo destes últimos meses?

Roberta Moreno – Nós fizemos duas sondagens com nossos associados, uma no início de março e outra logo que a pandemia de fato foi declarada, e a queda das atividades foi drástica. Apenas as viagens essenciais se mantiveram e mesmo assim com uma série de protocolos e restrições. As incertezas e restrições do mercado e o medo das pessoas em relação à doença fizeram com que os meses de março, abril e maio permanecessem estagnados.

A partir de junho, começamos a enxergar um movimento bastante tímido para a retomada. Com protocolos de segurança já mais estabelecidos e a pandemia, em parte do mundo, com menos força, algumas atividades começaram a retomar, em especial nos países asiáticos e europeus que já haviam passado pelo “pior” da crise. No Brasil, com a questão da flexibilização da quarentena em algumas regiões, vimos a partir de julho, as viagens retomarem, tanto no mundo corporativo, quanto no de lazer.

No Brasil, com a questão da flexibilização da quarentena em algumas regiões, vimos a partir de julho, as viagens retomarem, tanto no mundo corporativo, quanto no de lazer

Contudo, muitas empresas ainda não liberaram a retomada das viagens corporativas de longa distância. O deslocamento de colaboradores a trabalho ainda é considerado um tema crítico em relação à segurança. O que temos visto, e acreditamos que até o final de 2020 deva seguir dessa forma, são viagens terrestres e rodoviárias sendo autorizadas. Ainda assim, há uma série de protocolos e autorizações necessárias para que o funcionário realize a atividade. O Duty of Care ficou ainda mais evidente e relevante dentro das organizações.

M&E – Como o setor está se estruturando para garantir uma retomada rápida?

Roberta Moreno – A indústria turística está unida e aplicando todos os protocolos de segurança e sanitização. Do ponto de vista de fornecedores, temos visto o comprometimento em oferecer, segurança e qualidade na prestação de serviços de forma que tranquilize o gestor e a empresa sobre as questões de sanitização. Do ponto de vista das empresas, as que estão com viagens já liberadas, existe todo um trabalho de conscientização do colaborador para que siga as normas de segurança e protocolos impostos para este cenário.

A retomada, assim como foi a parada, é uma cadeia.

M&E – Em meio a protocolos e riscos, a busca das empresas por mais segurança aumenta. Você acredita que com isso o papel do gestor de viagens fica mais evidente, uma vez que a empresa terá que tomar um cuidado ainda maior com o seu executivo em viagem?

Roberta Moreno – Sim, o gestor de viagens assume um papel estratégico dentro das organizações. Ele deixa de ser coadjuvante para ter um desempenho essencial no que se refere às negociações com fornecedores homologados para atender às necessidades de sanitização e protocolos de segurança. É uma oportunidade de apresentar à alta gestão a importância desse profissional, uma vez que, cada vez mais, será necessário aliar estratégia da empresa, ao budget disponível e com uma necessidade maior de cuidar do viajante em deslocamento.

M&E – Muitas empresas ainda não estão autorizando seus executivos a viajarem. O que falta para recuperar essa confiança? Informação ou segurança nos destinos?

Roberta Moreno – As empresas estão acompanhando as flexibilizações das regiões e demais países diariamente. Nos bastidores, há um trabalho extenuante de gestores de viagens no sentido de homologar fornecedores e se certificar de que todos os protocolos de segurança e sanitização estão sendo seguidos, além de acompanhar as fases de flexibilização de destinos que os viajantes corporativos vão.

Enquanto houver restrições de viagens, fronteiras fechadas e as pessoas não se sentirem seguras em retomar, as atividades ainda ficarão abaixo dos índices registrados

Além disso, há um trabalho importante de conscientização do viajante para que respeite as orientações e protocolos das empresas. Essa inteligência para voltar a viajar com segurança está sendo construída pela indústria e, pelos menos as viagens rodoviárias, já estão retomando. A retomada, assim como foi a parada é uma cadeia. Enquanto houver restrições de viagens, fronteiras fechadas e as pessoas não se sentirem seguras em retomar, as atividades ainda ficarão abaixo dos índices registrados. Mas há um trabalho bastante sério para que as atividades de viagens corporativas sejam reestabelecidas.

A entrevista completa com Roberta Moreno você confere na revista especial do M&E para o Abav Collab. A edição conta com um guia da retomada, com informações sobre destinos e opiniões de lideranças do Turismo.

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