turismo
Ana Virginia Falcão, CEO da Clube Turismo (Divulgação/Ni Fernandes)

A trajetória de Ana Virgínia Falcão no turismo começou com curiosidade, persistência e uma série de portas que inicialmente se fecharam. O que poderia desanimar muitos jovens no início da carreira acabou se transformando no combustível que a levaria a construir uma das maiores redes de franquias de turismo do país.

Hoje CEO da Clube Turismo, Ana Virgínia iniciou sua jornada em 2003, quando ingressou na faculdade de Turismo. Ainda nos primeiros períodos do curso, já buscava oportunidades para entrar no mercado, movida por uma vontade genuína de aprender.

O M&E entrevistou nos últimos meses, diversas mulheres inspiradoras em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 08 de março, e soltará, ao longo dos próximos dias, uma série de entrevistas com essas personagens tão importantes para o nosso setor, que podem ser conferidas aqui. Turismo é feito de mulheres, por mulheres e para mulheres, e é isso que vamos poder observar ao longo da entrevista a seguir.

Voltando para a trajetória da Ana, a executiva revela que o começo não foi fácil. As primeiras tentativas vieram acompanhadas de negativas. No primeiro período, ainda não podia estagiar. Depois, ao participar de um processo seletivo em uma agência de viagens, foi reprovada.

Em vez de desistir, seguiu tentando. Pouco tempo depois, conseguiu uma oportunidade em outra agência e, mais tarde, acabou sendo convidada justamente pela empresa que inicialmente a havia rejeitado.

Foi ali, em uma pequena agência familiar de João Pessoa, que sua história começou a ganhar novos rumos.

O nascimento de uma rede

O que parecia ser apenas um estágio em um negócio local acabou se transformando no início de uma grande ideia. Trabalhando como consultora de viagens, Ana Virgínia percebeu uma demanda crescente pelo serviço de agenciamento na cidade.

Ao mesmo tempo, um encontro com uma cliente trouxe uma reflexão importante. A viajante tinha o sonho de empreender no setor, mas não se sentia segura para abrir uma agência sozinha.

Foi desse diálogo que surgiu uma proposta que mudaria a trajetória da empresa: expandir por meio do modelo de franquias.

A ideia fazia sentido. Abrir diversas unidades próprias seria complexo, mas permitir que novos empreendedores operassem sob a mesma marca poderia ampliar o alcance do negócio. Assim nasceu o projeto que, anos depois, se transformaria na rede Clube Turismo.

Turismo é sobre pessoas

Para Ana Virgínia, trabalhar com turismo sempre teve um significado que vai além das viagens.

Ela acredita que o setor carrega algo especial: a possibilidade de participar de momentos marcantes da vida das pessoas.

“Quando alguém viaja, normalmente está vivendo um momento especial. E nós fazemos parte disso. Criamos vínculos com os passageiros e com os parceiros”, explica.

Esse contato humano, aliado à construção de relações duradouras, foi o que consolidou sua paixão pela atividade.

Desafios que fortaleceram a jornada

Ao longo da trajetória até se tornar CEO, os desafios foram muitos. Entre eles, a própria idade no início da carreira.

Quando começou a apresentar o modelo de franquias em eventos do setor, Ana Virgínia tinha pouco mais de 20 anos. Muitas vezes, percebia o olhar de dúvida de quem se perguntava se aquela jovem realmente tinha experiência para liderar um projeto tão ambicioso.

Além disso, havia outro fator que frequentemente surgia nas conversas: a localização da empresa.

Sediada em João Pessoa, na Paraíba, a marca ouviu inúmeras vezes que seria impossível expandir nacionalmente sem abrir um escritório em São Paulo ou transferir parte da operação para o Sudeste.

Mas a empresária decidiu seguir um caminho diferente.

A empresa permaneceu na capital paraibana, valorizando profissionais da própria região. Com o tempo, a expansão aconteceu, e, curiosamente, com forte presença justamente no Sudeste.

Hoje, a rede está presente nas cinco regiões do Brasil.

A força das referências

Entre as inspirações que moldaram sua trajetória, a principal vem de dentro de casa. Ana Virgínia costuma destacar a mãe, professora do ensino fundamental, como sua maior referência.

Foi ela quem reforçou desde cedo a importância do estudo e da dedicação como ferramentas para abrir portas.

“Meus pais sempre me incentivaram a estudar, porque sabiam que esse seria o caminho para criar oportunidades”, lembra.

Para a executiva, a própria educação foi determinante para que aquela primeira oportunidade de estágio surgisse, e para que ela estivesse preparada para aproveitá-la ao máximo.

Mulheres ocupando novos espaços

Ao olhar para o mercado hoje, Ana Virgínia percebe mudanças importantes na presença feminina, tanto no turismo quanto no franchising.

Quando começou a frequentar eventos do setor, era comum ser uma das poucas mulheres no ambiente. Com o passar dos anos, esse cenário vem mudando gradualmente.

Ela acredita que a visibilidade feminina em posições de liderança ajuda a impulsionar novas trajetórias.

“Quando mulheres ocupam espaços de destaque e têm voz, isso inspira outras a seguirem o mesmo caminho”, afirma.

Equilíbrio entre carreira e vida pessoal

Além da liderança empresarial, Ana Virgínia também vive intensamente o papel de mãe e de esposa, algo que sempre fez parte de seus sonhos.

Para ela, a chave está no equilíbrio.

A vida familiar traz energia e propósito para o trabalho, enquanto a carreira também fortalece seu papel dentro de casa, permitindo oferecer novas oportunidades ao filho.

“Cada papel que eu exerço fortalece o outro. Não são caminhos opostos, são complementares”, diz.

Um conselho para quem quer começar

No Dia Internacional da Mulher, a mensagem que Ana Virgínia deixa para jovens que desejam seguir carreira no turismo é clara: acreditar em si mesmas e investir continuamente em conhecimento.

Para ela, o estudo continua sendo a ferramenta mais poderosa para abrir portas.

“O turismo é uma atividade dinâmica, que exige capacitação constante. Mas, acima de tudo, é preciso acreditar na própria força e construir o caminho passo a passo”.

Sua história mostra que, muitas vezes, um estágio, uma ideia e a coragem de persistir diante dos “nãos” podem ser o ponto de partida para algo muito maior.