Crise, prejuízo milionário e próximos passos: tudo o que você precisa saber sobre o caso da MB Operadora
Fabiana Angeli, diretora de Operações da MB Operadora (Reprodução/Ugart)

A suspensão das atividades da MB Operadora expôs, nos últimos dias, um dos episódios mais sensíveis recentes do trade turístico regional. Agentes de viagens relatam prejuízoz, dificuldades no cumprimento de serviços já pagos, além de falhas de comunicação nos dias que antecederam a paralisação. O cenário deixou passageiros com embarques comprometidos e abriu uma crise de confiança no mercado.

As estimativas iniciais apontam para prejuízos que podem chegar à casa dos R$ 10 milhões, embora o número ainda não tenha confirmação oficial consolidada. O impacto atinge diretamente pequenas e médias agências, que operam com margens mais apertadas e dependem da previsibilidade das operadoras para manter fluxo de caixa e credibilidade com seus clientes.

Outro ponto que intensificou a repercussão foi o timing da crise. Poucos dias antes da paralisação ganhar visibilidade, Fabiani Angeli, proprietária da empresa e vice-presidente da Ugart, participou de um evento da associação em Porto Alegre, onde chegou a apresentar perspectivas futuras da operadora.

Até janeiro deste ano, a empresária ocupava a presidência da Ugart que, posteriormente, confirmou o desligamento da MB do seu quadro associativo. O site, no entanto, ainda não foi atualizado.

Crise, prejuízo milionário e próximos passos: tudo o que você precisa saber sobre o caso da MB Operadora
Fabiani ainda aparece como VP da Ugart (Reprodução/Ugart)

Desdobramentos no trade

Em nota à imprensa, a MB Operadora afirma que enfrenta um “cenário excepcional”, citando restrições impostas por fornecedores e interrupções de crédito. A empresa diz conduzir um processo de reorganização e nega irregularidades, informando que os atendimentos estão sendo centralizados por canais jurídicos.

Após a repercussão do caso, a Ugart informou que não possui atribuição de fiscalização sobre suas associadas, mas que, ao tomar conhecimento dos relatos, realizou contato com a operadora, culminando em sua exclusão. Paralelamente, empresas associadas passaram a oferecer apoio às agências afetadas, inclusive com serviços a preço de custo, em uma tentativa de reduzir danos imediatos.

Já a Abav Nacional e a Abav-RS iniciaram o acompanhamento do caso, com mobilização de suporte jurídico para orientar os agentes impactados. As entidades reforçaram que não têm poder de fiscalização sobre operadoras, mas atuam na defesa institucional das agências e na mediação com órgãos competentes.

Crise deixa rastro de prejuízos e perguntas sem resposta

Apesar das manifestações oficiais, o caso ainda levanta questionamentos relevantes para o mercado:

  • Como será feito o ressarcimento de valores pagos por agentes e clientes finais?
  • Qual o volume real de passageiros afetados e operações comprometidas?
  • Haverá responsabilização civil ou desdobramentos jurídicos mais amplos?
  • Em que medida fornecedores e parceiros também foram impactados?
  • Qual era, de fato, a situação financeira da operadora antes da paralisação?

A ausência de comunicação pública mais detalhada por parte da empresa, incluindo a falta de atualizações recentes em seus canais oficiais, amplia a insegurança entre os profissionais do setor. O caso da MB Operadora ainda está em evolução e deve gerar desdobramentos relevantes nas próximas semanas, tanto no campo jurídico quanto na forma como o mercado passa a avaliar riscos e relações comerciais dentro do turismo.

O M&E segue em busca de respostas.

O que agentes de viagens podem fazer agora?

Diante do cenário, especialistas do trade e entidades recomendam algumas ações imediatas para agentes afetados:

  1. Reunir toda a documentação
    Organize contratos, comprovantes de pagamento, vouchers, comunicações e qualquer registro das operações realizadas com a operadora.
  2. Formalizar as demandas
    Entre em contato pelos canais oficiais divulgados pela empresa (como e-mail jurídico) e registre todas as tentativas de solução.
  3. Buscar suporte jurídico
    Acione a assessoria jurídica da ABAV Nacional ou advogados especializados para avaliar medidas cabíveis, incluindo ações coletivas.
  4. Priorizar o atendimento ao cliente final
    Sempre que possível, busque alternativas operacionais para minimizar impactos aos passageiros, preservando a relação comercial e a reputação da agência.
  5. Monitorar comunicados oficiais
    Acompanhe atualizações de entidades como Abav-RS e Ugart, que podem orientar sobre próximos passos.