
Documentos e relatos obtidos pelo M&E apontam que, mesmo diante da crise da ViagensPromo (VP), operadora que deixou milhares de agentes e clientes no prejuízo, seu fundador, Renato Kido, pode estar articulando uma volta ao mercado. Embora negue oficialmente qualquer iniciativa nesse sentido após meses de ‘sumiço público’, indícios sugerem movimentações que levantam dúvidas sobre os próximos passos do empresário.
Negativas públicas, mas convites reservados
Em entrevista recente a outro veículo, Kido reiterou que a VP segue “resolvendo caso a caso” e atribuiu os problemas enfrentados a “más orientações” de ex-funcionários e assessores, problemas de contatos e regularização de agencias afetadas, má fé de outros players, e mais uma lista extensa de culpados apontados por ele e sua empresa representante de advocacia, a ABLAW. No entanto, segundo relatos obtidos pela reportagem, a postura tem sido diferente nos bastidores.
Nos últimos dois meses, pelo menos três ex-colaboradores confirmaram ao M&E terem sido procurados por Kido, que quis saber sobre sua situação atual no mercado, se estariam satisfeitos nas posições em que se encontram e sinalizou planos de “dar a volta por cima”. “Ele disse que gostaria de contar novamente com a gente, que éramos essenciais para essa retomada”, relatou um dos ex-funcionários, sob condição de anonimato.
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Prints e contatos com hotéis
O M&E também teve acesso a prints de mensagens que indicam que Renato Kido e uma funcionária ainda contratada pela VP estariam entrando em contato com pousadas e hotéis para solicitar tarifários 2025/2026. Em um dos diálogos, o argumento apresentado é de que ele estaria prestando “consultoria a empresas”, com pedidos inclusive de contratos em regime de pré-pagamento.
Essa movimentação reforça dúvidas: estaria Kido apenas atuando como consultor ou já preparando o terreno para uma nova operação no turismo?
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A Book2Pay e a Book2B
Uma das hipóteses investigadas é a ligação com a Book2Pay, marca ainda não lançada oficialmente, mas que já conta com uma página no Instagram criada em 31 de agosto. Até o momento, são apenas seis postagens e dois seguidores.
Além disso, registros da Receita Federal apontam que, em nome de Kido, existe desde o ano passado uma empresa chamada Book2B Suporte em Tecnologia (CNPJ 55.159.227/0001-53), com capital social de R$ 20 mil e sede em São Paulo, cuja atividade principal é o desenvolvimento e licenciamento de softwares. Curiosamente, o domínio do site da Book2B estaria atrelado ao da própria ViagensPromo.
Conexões financeiras e novas plataformas

Outro ponto apurado pela reportagem envolve o plano de FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) que a VP negociava pouco antes do colapso, em parceria com a fintech Faturepag, de Allan Barros. O modelo de split de pagamento, frequentemente defendido por Kido em entrevistas, também surge nas conversas sobre a possível nova fase do Book2pay.
Paralelamente, documentos mostram que uma funcionária ainda vinculada à VP, entrou em contato com fornecedores apresentando a plataforma Jumpy. Em e-mails enviados a hotéis e pousadas, ela solicita tarifários de 2025/2026 e cadastrais, informando que a ferramenta está em fase inicial e promete “lançamento em breve no mercado”. Nos registros da empresa, constam endereços em Alphaville (SP).
Coincidências ou sinais de retomada?
Embora nenhuma irregularidade formal tenha sido identificada até o momento, os indícios levantados, e contatos com ex-colaboradores, pedidos de tarifários, abertura de nova empresa em nome de Kido e movimentações em plataformas digitais reforçam questionamentos sobre uma eventual reentrada do empresário no setor.
Enquanto isso, milhares de agentes de viagem e consumidores ainda aguardam respostas concretas sobre os prejuízos deixados pela ViagensPromo. O M&E segue acompanhando a movimentação de Renato Kido e das marcas associadas a ele, em busca de esclarecimentos.







